Chá do Manifesto

Qual é o teu propósito de vida?

Tão bom o cantar dos pássaros pela manhã, o sol a surgir no horizonte, enquanto o nevoeiro matinal se vai dissipando. É grandioso sentir o cheiro do orvalho pela manhã e, de olhos fechados, simplesmente ouvir os sons da natureza. Os carros e o barulho ensurdecedor da cidade vão ficando cada vez mais longínquos na minha mente. Afinal, eu nasci para sentir cada raio de sol e a energia de meditar por debaixo de uma árvore que transporta em si milhares de anos. Já imaginaram se as árvores falassem? Tenho a certeza que seriam umas excelentes contadoras de histórias, daquelas bem antigas, que vão muito além dos nossos antepassados. 

Eu vim ao mundo para ser feliz na simplicidade de um sorriso, de um abraço sincero, de um olhar cúmplice e, quando mais necessito, retirar-me para o meu templo sagrado, que cheira a livros com centenas de anos. 

Na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra só de pisar aquele chão e atravessar aqueles corredores imensos com prateleiras repletas de livros com pó, sentia-me em êxtase. Com esta memória, que guardo no meu coração com muita saudade, jamais permitirei fugir à minha essência, ao meu propósito de vida. E que, naquelas tábuas de madeira, com público a aplaudir, eu continue a sentir a magia que o teatro, a minha grande paixão, me faz sentir.  

Prometo e fica hoje assinado que o meu caminho não voltará a desviar-se dos meus sonhos. Sim, o mundo nem sempre nos permite sonhar. O dinheiro é necessário enquanto não conseguimos atingir o que ambicionamos. Mas, na verdade, todos nós temos muitas necessidades que, no fundo, não precisamos. Se quero ser escrava delas? Não! Livrei-me de tudo isso a partir do momento em que estas começaram a substituir a necessidade da minha alma, que teima em sonhar alto, como um pássaro livre, que voa alegre, entre vales e montanhas. 

Que se lixem as necessidades que nos são impostas por pressão social. Quero viver com menos, mas com mais no espírito. Substituo um hotel de luxo, por uma tenda onde posso ver as estrelas à noite. E que, por sorte, surja uma estrela cadente, que me traga a esperança de um final feliz. Substituo uma praia da moda, por uma praia de difícil acesso, onde tenha de descer por entre rochas e, quando lá chegar possa mergulhar, sem qualquer roupa, na imensidão do oceano. Troco um bom carro e roupas de marca por idas a espectáculos repletos de arte e engenho.  

A maioria de nós vive tão anestesiados entre a casa e o trabalho, com um grande carro, já que está na moda ter um todo XPTO, que não fazemos a menor ideia do que viemos aqui fazer. Sabias que a tua alma chama por ti? Que aquilo que não tomares consciência agora terá repercussões no mundo, nas tuas reencarnações e nas energias que vais transmitindo ao teu corpo, mente e espírito? 

Afinal, qual é o teu propósito de vida? Já pensaste sobre isto seriamente? Confessa lá…É bem mais fácil viver no conforto da normalidade. O outro caminho é assustador, esquisito, difícil e até bastante “louco”. 

Na verdade, a falta dessa tal loucura, que nos permite marcar a nossa diferença no mundo, é que é a maior loucura da existência!

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Até perder a vista, Chá das 3

Travel Post #15 – Mini EuroTrip

Para acabar bem o ano que tal uma mini EuroTrip?!

Uma semana, três cidades europeias, três amigas, muito frio, muitas risadas, um cansaço tão bom!

As três cidades escolhidas foram Paris, Bruxelas e Amesterdão!

Estas cidades já foram faladas aqui no blog quando outras shakers as visitaram, por isso toca a ir recordar!

Primeiro…Paris!

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tão famosa cidade da luz nunca foi um destino que estivesse no topo da minha bucket list e por isso não ia com expectativas por ai além. Chegámos à noite, aeroporto com neve do dia anterior, um frio de rachar e depois de algumas peripécias no metro (só naquela de começar a viagem a rir à gargalhada), deixámos as tralhas no hotel e fomos ver a Torre Eiffel. “Uaaaaaaau que lindoooo” foi a reacção, que durou certa de 5 segundos, porque logo a seguir quase tropeçámos num mar de ratazanas (já percebi de onde veio a inspiração do Ratatui), medo!24131411_10155907105873571_8361391269358912295_n

 

Passeámos pela cidade, vimos a Torre Eiffel de dia e de noite, mas o nevoeiro não inspirou à subida, foto aqui e ali no Trocadéro, vimos o Louvre por dentro e por fora, demos uma volta no Jardin de Tuileries, fomos até à “nova” Pont des Arts, a maravilhosa Notre Dame, fomos ao Château de Versailles, Moulin Rouge e subimos até ao Sacré Coeur, fomos até Marais, às Galeries Lafayette, Arc de Triomphe e percorremos os maravilhosos Champs-Élysées…enfim foram 3 dias preenchidos e, já mencionei, com muuuito frio?!

No final das contas, Paris, é uma cidade que tem a sua beleza, mas não me apaixonou, faltaram mais luzes de natal, mercados de natal mais recheados, um dia, breve, quero voltar, mas à Disneyland!

Seguimos  até Bruxelas, tivemos apenas um dia, mas deu para ver o centro com calma. É uma cidade bastante multicultural, pessoas simpáticas, a cerveja é diferente mas muito boa e as waffles ma-ra-vi-lho-sas!

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primeira coisa que fomos ver foi o famoso Manneken-Pis, tãaaaao piquitito e adorável! Mais à frente é a Grand Place, uma praça linda de morrer com edifícios imponentes neo-góticos, uma árvore de natal gigante e à noite ainda vimos um video mapping de Natal, foi tão giro! Passeámos pelo mercadinho de natal, recheado de doces e artigos típico e de natal, fomos até ao fabuloso Mont des Arts que tem uma vista fantástica do centro histórico e do jardim, subimos até ao majestoso Palais Royal, passámos nas Galeries Saint-Humbert e fomos até ao Delirium Café.

No dia seguinte logo de manhãzinha rumámos a Amesterdão, último destino da viagem e para mim o mais aguardado! Para trás deixámos Bruxelas, uma cidade que achei imponente e maravilhosa.

Não imaginam há quanto tempo eu queria ir a Amesterdão, estava nos primeiros lugares da minha bucket list, e sem dúvida, superou expectativas e quero muito voltar para conhecer o que não conheci e também para conhecer outras cidade holadesas.

Lembram-se do frio que passámos em Paris? Pois é…em Amesterdão juntou-se uma espécie de micro clima do ártico. Frio, neve, gelo e isto tudo tocado a vento, mas nem isso nos desanimou. Fartámos-nos de andar e acabámos por perceber que afinal era tudo muito perto umas coisas das outras, menos o hotel, mas como o sistema de transportes deles era tão bom e tínhamos o metro mesmo à porta isso pouco importou.

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Ficámos no Via Amsterdam, que fica em Diemen, um hotel acolhedor, com decoração divertida, pessoas simpáticas, super recomendo!

Barato nesta cidade é uma palavra desconhecida, por isso, optámos pelo I Amsterdam City Card de 72h que nos dava acesso livre a quase todas as atracções da cidade e a todos os transportes.

Começámos na imponente Central Station, fomos até ao Mercado das Pulgas, tem de tudo aquele sítio, depois seguimos até ao Rijksmuseum onde estão as famosas letrinhas I amsterdam e a pista de gelo, depois da paragem da praxe para tirar fotos e de uns quantos quase atropelamentos por bicicletas fomos até ao Museu de Van Gogh. Para acabar o primeiro dia em beleza fomos até à Heineken Experience. Que máximo, adorei!

Nos dias seguintes fomos até ao Museu Casa de Rembrandt, Museu da Túlipa, Museu de Amesterdão, Oude Kerk, visitámos uma Casa Barco, fomos dar uma passeio de barco pelos canais, vimos as famosas Coffee Shops, a Red Light District, comemos a deliciosa Tarde de Maçã na Winkel.

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Ficou ainda muito para ver porque realmente o tempo não ajudou muito à festa, mas sem dúvida é uma cidade maravilhosa, toda a gente simpática, em todo o lado nos diziam pelo menos uma palavras em português, amei!

Foi uma semana intensa mas super divertida, obrigada Pi e Andreia pela aventura, já estou a matutar na próxima!

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~ Um chá de aventura ~

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Chá das 3

Costa Rica, Pura Vida

Desta vez, decidi fazer um roteiro para os mais curiosos em aventurarem-se até à Costa Rica.

Sem dúvida que foi uma experiência maravilhosa, rica em cultura, regada com novas aprendizagens e salpicada de aventura e amor.

Adoro viajar para estes destinos, porque o contacto com a natureza dá sempre asas à minha mente. A reflexão, a criatividade e as novas perspectivas surgem sempre. O que é importante toma sempre dimensões mais volumosas na minha mente e as pequenezas do dia-à-dia dissipam-se com a facilidade de um sorriso.

A Costa Rica tem esse poder! A imponente floresta mostra-nos comos somos pequeninos. A diversidade de espécies é única, estamos num país encantado cheio de criatura maravilhosas e desprovidas de intenções.

A Costa Rica não tem exercito, é um país seguro e simpático. Em alguns locais a taxa de crime é 0. A pouca policia que ligeiramente manifesta a sua presença, tem apenas como objectivo transmitir uma sensação de segurança aos turistas que estão habituados a uma presença de forças de segurança nas ruas.

Não é possível falar da Costa Rica sem falar de Pura Vida. Esta é uma maravilhosa forma de viver em sintonia com a natureza e em harmonia com todos os que nos rodeiam. Esta frase é um simpático cumprimento,um agradecimento, uma despedida ou até um sincero desejo de felicidade. Reflete, de facto, a Costa Rica.

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Dicas

Apesar de ser um país pequeno, existem inúmeros locais que valem a pena visitar. Por isso aconselho a preparem o vosso roteiro antes de iniciar a viagem.

– O carro: A mobilidade e disponibilidade horária que nos dá, é super importante, pois, apesar das estradas com má qualidade, é sem duvida fulcral para aproveitar o país

– O preço: Enganam-se os aventureiros que pensam que a Costa Rica é mais um país barateco da América Latina. Os preços são inflacionados com a utilização de USD, pelo que aconselho sempre a utilização de colones, a moeda do país.

– As tours: Tal como em todas as viagens, se desejarem fazer uma tour não avancem com a primeira empresa que encontram no hotel. Contactar directamente para o espaço/actividade será a melhor solução.

– A língua: É o espanhol, pelo que o bom “portonhol”, é um aliado. Contudo, os mais acanhados não se preocupem, a maioria das pessoas fala ou pelo menos entende o inglês.

– Câmbio: Desta vez optámos por adquirir um cartão pré-pago, o Revolut. Este cartão permite a utilização de colones ou USD, bem como muitas outras moedas, é livre de taxas quando é utilizado. Podem encontrar todas as informações aqui. Esta escolha deu-nos mais liberdade e poupou nos muito dinheiro em taxas de utilização e conversão. Não hesitem!

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O Roteiro 

San José – A capital do país. Ficámos apenas uma noites quando chegámos. Foi suficiente. É uma cidade pouco apelativa e sem muito interesse para quem deseja aventura, natureza e Pura Vida. Movimentada, muito cimentada e com semi-construções por todo o lado. 

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Manuel António – Um parque natural de cortar a respiração, boas praias (com agua quentinha), diversidade de especiais únicas e uma paz, uma paz que me faz querer voltar neste momento. Restaurantes maravilhosos, mas super pacatos e descontraídos, tudo o que se quer numas férias! O ponto alto foi sem dúvida um passeio a cavalo pela imponente selva do parque natural Manuel António. Aconselho, ainda, uma vista à praia do parque, é simplesmente deslumbrante.

La Mansion Inn foi o Hotel que escolhemos e não nos arrependemos de todo. Uma casa luxuosa, mas acolhedora. O Staff foi fantástico. A vibe sentida foi como se estivéssemos em casa de um amigo que nos recebe com o melhor que tem. Mesmo no meio da selva, tem uma vista única pintada de verde, azul e tons de castanho.

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Santa Teresa – Imaginem uma pequena vila em que todos os estabelecimentos comercias existentes se localizam numa única rua, paralela à praia. É Santa Teresa. Uma zona de surfistas, com mar bravo e praias selvagens. É ideal para relaxar e aproveita a brisa marítima com a nossa cara metade. Não existem estradas de alcatrão, apenas terra, lama e areia por todo o lado. Pode parecer estranho, mas tudo isto torna Santa Teresa num local único e inspirador. Ficámos num Hotel familiar, o Fuego Lodge, em que a Barbara, dona do espaço, nos recebeu com a descontração que combina com este sitio. Encontrámos um Bungalow simples, mas muito limpo e acolhedor, com vista para uma piscina paradísica.

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Guanacaste – Após uma longa viagem de carro e ferry, chegámos ao Riu Resort. Um all inclusive, que depois de termos estamos em 2 locais únicos e cheios de carisma, soube a pouco. Apesar de ser um grande hotel, com alguma pompa e circunstancia, a verdade é que poderíamos estar em qualquer parte do mundo. Toda a vibe da Costa Rica é perdida por ali. Uma minicidade que proporciona aos turistas uma estadia num local comodo, sem preocupações e com uma praia privada. Completamente fechado e sem contacto com o exterior, não faz jus ao país maravilhoso em que se encontra.

Por outro lado, em Guanascate tivemos uma das melhores experiências da nossa vida. Um passeio de moto quatro, onde visitamos locais únicos de cortar a respiração. O nosso guia, um Sr. com cerca de 40 anos que sempre viveu a “Pura Vida”, levou-se a locais onde a selva se envolvia com a praia, terminado num mar reluzente de aguas quentes e tentadoras.

Monteverde – A nossa última paragem. Após uma subida de curvas e contra curvas que durou mais de uma hora, chegámos ao nosso destino. O Hotel Belmar. Um Hotel que abraçava a floresta e onde o lema é a utilização de produtos orgânicos e locais. Comida maravilhosa, vistas únicas… Sem dúvida o local ideal para relaxar e apreciar o que a vida tem de melhor. Com um jacuzzi majestoso localizado no jardim natural, desfrutamos de momentos memoráveis. Aconselho, ainda, a visita do jardim das Borboletas.

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A simpatia e amabilidade de todos faz-me querer voltar! Por isso: Vão! Experimentem! Aproveitam e, principalmente, entrem no espirito da Pura Vida!

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~ Aventura, natureza, boa vibe. Pura Vida ~

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Travel Post #14 – Açores, 3 ilhas e meia de maravilhas

Quando há dois anos fui à bela ilha de São Miguel, fiquei com uma vontade enorme de voltar ao belo arquipélago dos Açores, afinal ainda faltavam 8 ilhas para ver.

Juntámos 12 amigos…sim sim dooooooooooooze, e foram 8 dias fantásticos!

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Tínhamos marcado o nosso roteiro para 3 ilhas do grupo central dos Açores: Pico, Faial e São Jorge. Mas, decidimos aproveitar uma escala de 8h para espreitar a ilha Terceira.

Acabadinhos de chegar ao aeroporto das Lajes fomos até à tão famosa Praia da Vitória. Praia linda de areia negra que dava vontade de dar um mergulho, mas o tempo era escasso e ficámos só pelo passeio. Rumámos até Angra do Heroísmo e fomos almoçar a um restaurante muito simpático com umas Lapas grelhadas do céu e um bife de vitela divinal, o Casa de Pasto A Canadinha, recomendadíssimo!

Chegou o fim o dia e a hora de irmos para o destino final, a Ilha do Pico.

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Sinceramente, quando vi o micro avião que nos ia levar ao destino final tive vontade de voltar para trás, medoooooooooo! Mas acabou por ser uma viagem curta e tranquila, com uma vista fantástica para a ilha de São Jorge.

primeiro dia no Pico foi de volta à ilha, conhecer cantos e recantos daquele paraíso, com alguns mergulhos à mistura, “amizade” com um vitelo e não poderia faltar perdermo-nos à noite no meio do monte!

No 2º dia apanhámos o barco rumo à Ilha do Faial. Lindaaaaaaaaaa!

Desde o Vulcão dos Capelinhos ao mergulho na Praia do Almoxarife, com areia negra e com vista previligiada para a montanha do Pico, passando pelo almoço divinal no Canto da Doca, foi um dia que passou demasiado rápido e que deixou o desejo de voltar a esta ilha de 20km ponta a ponta!

Os dois dias seguintes foram passados na maravilhosa Ilha de São Jorge.

Todas as ilhas que conheço até hoje do arquipélago dos Açores são lindas, mas São Jorge deixou uma marca especial. É uma ilha tão mágica, com uma natureza singular e ainda pouco virada para o turismo. Amei!

É sabido que o tempo nas ilhas é meio bipolar, mas nesta ilha conseguimos apanhar as 4 estações em meia hora, na Ponta dos Rosais conseguimos ver todo o grupo central , subimos ao Pico da Esperança, mergulhámos na Poça de Simão Dias e fizemos a caminhada até à belíssima Fajã da Caldeira de Santo Cristo.

Fajã da Caldeira de Santo Cristo é um canto mágico da ilha, de um lado montanha, do outro o oceano, ao fundo a vista para a Ilha Graciosa. Foi uma noite diferente, a electricidade é um conceito desconhecido na Fajã, por isso às 23h a luz fornecida pelo gerador apaga, ficando apenas a luz das estrelas e o som dos Cagarros de fundo (por sinal assustador).

As cascatas, o queijo, as fajãs, as piscinas naturais, dois dias foi pouco para a ilha do dragão. Quero definitivamente voltar!

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Os restantes dias foram passados na Ilha do Pico, novamente, dias cheios de aventuras!

maior aventura foi a subida à Montanha do Pico, a montanha mais alta de Portugal com 2351 m de altitude. Foi fácil? Não! Mas foi umas das melhores experiência de sempre! Para mim, uma pessoa medricas que sobe umas escadas com buracos no meio e treme como varas verdes, subir até à cratera do Pico e ficar acima das nuvens foi uma vitória em tanto!

Da Ilha do Pico ficam as aventuras, os mergulhos, as lapas e as cracas na Tasca O Petisca, o vinho, a montanha, o cachorro, as grutas, o trânsito de vacas, as vistas para o Faial e para São Jorge, o acordar de manhã com vista para o mar, o ar puro e a sensação que ainda ficou tanto por fazer e conhecer.

Tanta beleza que este nosso Portugal tem! Ainda ficam a faltar a Ilha de Santa Maria, a Graciosa, o Corvo, as Flores e mais um pouco da Terceira…até já Açores!

Nita, Andreia, Joana, Mariana, Eva, Cancelita, Diogo, Zé, Joni, João e Ricardo, Obrigada pela aventura, sem dúvida os melhores doze! <3

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~ Um chá de maravilhas ~

Fotografia: Ana Cancela, Luis Figueiredo e Teresa Botelho

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Chá do Manifesto, Sem categoria

As coisas do ser humano

Por estes dias li uma notícia que anunciava o facto de, pela primeira vez, uma mulher seria a líder de uma equipa de Marines Norte Americanos.

Primeiramente, o meu pensamento foi logo “go girl – who run the world? Girls!!!”

Depois de uns segundos, reflecti e pensei: como é triste em 2017 vermos uma noticias destas que espelha o, ainda, sexista mundo em que vivemos.

Existem 2 pontos fulcrais se reflectirmos um pouco:

1 – O facto de ser notícia que uma mulher é A Líder;

2 – A lenta evolução dos tempos em que as “coisas de homem” e as “coisas de mulher” ainda não passaram a ser “as coisas do ser humano”.

No dia em que este assunto deixar de ser noticia, será o dia em que hipocrisia sexista irá cair e dará lugar à igualmente.

 

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~Just thinking… ~

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Chá do Manifesto, Entre a Arte e a Informação

Um concurso de design, um centro comercial com um investimento de milhões e uma remuneração de 500 euros em vales de compras

O Évora Shopping, espaço comercial que abrirá brevemente e teve um investimento de 35 milhões de euros (segundo noticiou o Dinheiro Vivo), lançou, no passado dia 2, um concurso público para a concretização do seu novo logo. O concurso é promovido pela Ares Capital — empresa detentora do centro comercial — que promete premiar o vencedor com 500 euros em vales de compras no shopping e oferece dois prémios homólogos, de menor valor, para o 2º e 3º classificados.

 

Foto de GANHEM VERGONHA.

 

O assunto tornou-se polémico, tanto pela baixa remuneração apresentada e discrepância com o valor investido na construção do espaço; como pelo curto tempo de abertura do concurso (4 a 10 de setembro); como pela questão de ser um concurso e, como tal, os designers serem convidados a participar e apenas 3% dos mesmos serem remunerados; e ainda como pelo facto de as propostas candidatas serem sujeitas a escrutínio público dos seguidores da página de Facebook Amigos do Évora Shopping. No entanto, segundo a Meios e Publicidade, os responsáveis pelo Évora Shopping consideram que o prémio de 500 euros está na média de preços praticados por estúdios de design e freelancers e afirma que “A participação é livre, não obrigatória nem discriminatória”.
Ora bem, 500 euros por um logótipo pode ser, infelizmente, um valor praticado pelo nosso mercado português, mas “500€ em gift card a ser utilizado única e exclusivamente nos estabelecimentos comerciais instalados no Évora Shopping”, além de desrespeitoso, é uma estratégia de marketing para angariar mais visitantes, uma vez que o concurso está aberto a todos os designers que pretendam participar. Tudo isto numa jogada só – um concurso para ter um logótipo por custo basicamente zero e uma ação de marketing para angariar mais visitantes! Além disto, os designers que procuram têm de ser capazes de fazer um ou mais logótipos dentro do prazo de 6 dias! E, ainda, as 5 propostas que a Ares Capital seleccionar serão submetidas “à consideração dos seguidores da página do Facebook dos Amigos do Évora Shopping.

No entanto, há que notar os aspetos positivos de um caso como este – é que, no meio de tantos anúncios e propostas de trabalho indecentes e desrespeitosos à profissão do designer, este caso em particular gerou uma angústia e movimento de revolta nos designers que chegou aos media e está a ter um impacto real. Só os designers podem entrar na cerne da questão e, de dentro, criar uma mudança na mentalidade do nosso mercado para eliminar a frequência de anúncios e concursos como este. Sim, porque afinal a culpa é nossa, é daqueles que aceitam fazer logótipos por uns meros trocos; é daqueles que aceitam trabalhar de graça para ateliers de design; é daqueles que concordam entrar em concursos e que, na esperança de lhes cair um cheque de 500 euros, se desrespeitam uns aos outros como colegas; é daqueles que preferem cortar em metade o orçamento apresentado para não perderem um trabalho porque o do outro colega era uma ou duas centenas mais barato, é daqueles que não valorizam a sua profissão e concordam receber o ordenado mínimo ou umas dezenas mais para realizar o seu trabalho. Sim, estamos em crise e essa pode ser a desculpa para realizar todas essas opções mas a opção continua a ser NOSSA e, como tal, não podemos desviar a NOSSA culpa! Se acabarmos com estas opções então não haverá uma “Ares Capital” a dizer que os meros 500 euros pela realização de uma logomarca estão na média de preços do mercado, nem haverão empresas a querer contratar designers por um ordenado mínimo ou colocar designers à “experiência” por três meses. Está na altura de assumirmos isso mesmo e evitarmos opções como estas que só ajudam a denegrir a nossa profissão. Vamos apoiar-nos uns aos outros porque só juntos podemos criar mudanças!

 

~ um chá de protesto para designers ~

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Chá do Manifesto, Shake it Now

Prateleiras sem xenofobia, Prateleiras com diversidade

Falar em xenofobia e racismo parece ser sempre aquele assunto repetido, controverso e que incomoda muita gente. Mas, e infelizmente, continua a ser um assunto inevitável e urgente nos dias atuais.

Durante um dia, uma cadeia de supermercados alemã decidiu dar uma lição no combate à xenofobia. A acção é bem simples e a mensagem bem precisa. Imaginem um supermercado numa espécie de boicote a todos e quaisquer produto produzido no estrangeiro. Agora imaginei as suas prateleiras e estantes de produtos. Um supermercado 100% nacional. Já imaginaram? O cenário mais parecido a um comportamento nacionalista assim seria este:

Não há lugar para pizzas italianas, tomate espanhol, azeitonas gregas, queijo francês ou chocolate belga. Esta ausência reflete a necessidade e a importância da diversidade.

A mensagem é simples: “Esta prateleira seria bastante aborrecida sem diversidade” ou “É assim que uma prateleira é sem [produtos] estrangeiros” ou então, “Sem diversidade seremos assim tão pobres”. Este é o resultado desta campanha de sensibilização contra o racismo e a xenofobia do grupo Edeka, na cidade de Hamburgo.

Ainda que para alguns esta campanha tenha recebido algumas críticas por assumir um posicionamento politico que não compete ao um supermercado, também recebeu reacções positivas que se refletiram nas redes sociais, com vários elogios e partilhas. O grupo Edeka apoia, assim, a variedade e a diversidade, “nas nossas lojas vendemos numerosos produtos que são desenvolvidos em várias regiões da Alemanha. Mas apenas juntamente com os produtos de outros países é possível criar uma diversidade única que os nossos consumidores valorizam”.

Num momento em que a imigração é assunto do dia, em que ecoam discursos xenófobos e racistas perante o crescimento do número de imigrantes e refugiados procuram abrigo nos países europeus, incluindo na Alemanha, não é atoa que esta campanha surge em véspera da ida do país às urnas para as eleições federais. Nós aplaudimos este tipo de acções e campanhas, e por isso, também a partilhamos.

~ um chá contra a xenofobia e racismo ~

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