Chá das 3, Chá do Manifesto

Uma mulher DJ que fala abertamente de preconceito !!!

Como surgiu a ideia de seres dj?

O gosto musical sempre esteve presente, mas quando comecei a sair à noite, com 15 anos, com um grupo de amigos mais velhos e a maior parte deles DJ’s, comecei a ficar fascinada com todo o trabalho e técnica deles, comecei a pesquisar, a trocar informações e músicas, a comprar livros, inscrevi-me num curso de DJ em Leiria, e comecei a comprar discos de vinil e material como mesas de mistura, leitores de CD’s, etc. E no curso aprendi as técnicas todas necessárias para misturar com Vinil, CD e digital.

Achas que ser dj é uma profissão exclusiva de homens?

Arriscaria dizer que já não é há uns bons 10 anos. Em Portugal temos muitas e boas DJ’s que me influenciaram bastante, como é o exemplo da Miss Sheila, Lady M, Miss Pink, Rita Zukt.

As mulheres são um bónus na cabine, pois têm um gosto musical muito mais aguçado e uma presença muito mais marcante que os homens.

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Já alguma vez foste vítima de preconceito por seres uma mulher dj?

Não. Curiosamente sou mais vítima por ser uma pessoa que se faz valer, que não se vende por 50 euros num set de 5 horas por exemplo, ou que não passa a música que os bares e clubs querem. Tenho o meu gosto, apesar de eclético que não me encaixo em todos e quaisquer eventos e tenho noção da minha técnica, logo não baixo cachets só para ter mais datas.

 Achas que as oportunidades profissionais são iguais tanto para homens como para mulheres djs?

Esta questão vai um pouco ao encontro do que disse anteriormente, acho que há mais oportunidades de trabalho para quem baixa demasiado os cachets, o que acaba por estragar o mercado, para quem passa o que está na moda, para os ex-concorrentes de reality shows (que decidem ser DJ’s ou cantores, além das presenças), agora se são homens ou mulheres, é igual.

Sentes que o facto de seres mulher exige de ti um maior esforço para te afirmares como dj?

Sim. Os donos dos bares ou clubs (geralmente homens) metem-nos à prova constantemente, temos que ser boas tecnicamente, ser boas entertainers, vistosas, senão já não nos voltam a contratar.

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Achas que em outros países serias melhor aceite como dj?

O meu trabalho seria melhor reconhecido, seria paga a um valor justo sem ter que participar em reality shows ou sem ter que me despir para uma revista (risos), mas decido ficar e lutar, todos os dias. A seu tempo as oportunidades também vão aparecendo, basta não desistir.

O  facto de trabalhares muitas vezes no Trumps e/ou festas para o público homossexual foi uma opção tua ou simplesmente surgiu essa oportunidade?

Desde sempre me identifiquei mais com o party people gay, são mais divertidos, descontraídos e têm um gosto musical / artístico mais refinado. Desde que vim morar para Lisboa que colaboro com o Arraial Pride e desenvolvi a minha festa mais virada para mulheres que gostam de mulheres, a “Intima Party”.

Posso dizer que sou ativista o que me leva a trabalhar mais para o público LGBT, costumo dizer que são o meu público, não os troco por nada. Tenho noção que é um dos motivos que leva algumas casas a não me contratarem mas se assim é também prefiro não ir lá passar música, pois não seria bem recebida.

Em relação ao Trumps o convite surgiu da parte da Zara Pinto, responsável pela nova marca de festas lésbicas do Trumps, a “Society” aceitei de imediato, além de ter uma ótima relação com todo o staff e gerência do Trumps, admiro bastante todo o trabalho que têm vindo a desenvolver, acreditam em mim, reconhecem o meu trabalho e talento se assim se pode dizer e dão me liberdade para ser eu. Além de que existia uma grande lacuna nos eventos lésbicos e graças à “Society” estamos a marcar posição em Portugal e no estrangeiro.

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Achas que ainda existe muito preconceito relativamente à homossexualidade?

Claro que sim, mas não é só em relação à homossexualidade mas sim a toda a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), continua a existir bulling na escola e no trabalho, a sociedade em geral não está preparada nem se quer adaptar à diferença.

Como é que tu, Mariana de Carvalho, lidas com o preconceito de uma forma geral?

Quando era mais nova e menos experiente não lidava lá muito bem, revoltava-me imenso, mas com o passar dos anos e depois de ter passado por inúmeras provas de fogo consigo ser uma pessoa muito mais ponderada e calma. Continuo a lutar pelos direitos da comunidade LGBT mas de uma maneira muito mais pacífica. Mas como é lógico fico profundamente triste se sei ou se presencio alguma situação discriminatória ou preconceituosa.

Onde te podemos ver e ouvir nos próximos tempos?

Podem me ver e ouvir dia 31 de Julho na Welcome Girls e dia 2 de Agosto na Closing Party a partir das 23h45 no Trumps (Rua da Imprensa Nacional, 104 B. Lisboa), eventos inseridos no primeiro festival de Verão Gay e Lésbico de Lisboa, o Hot Season Festival. 

O que é que te inspira?

A minha mãe, a pessoa com quem partilho a minha vida, alguns amigos e alguns ícones da comunidade LGBT. E coisas básicas que maior parte das vezes não damos valor, o sol, o campo, a praia, o mar, uma boa música, um olhar…

~um chá sem preconceitos com a MCDJ ~

Mais informações sobre a MCDJ – Mariana de Carvalho em https://www.facebook.com/mcthedj

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