Chá de Camomila, por favor!, Chá do Manifesto

Na saudade está a sorte em ter-te conhecido!

Lembro-me do nosso primeiro trocar de olhares como se fosse ontem. Eles falaram coisas que só as identificaríamos mais tarde, com o tempo, entre jantares, entre conversas, entre abraços. Apresentamo-nos, descobrimos que tinhamos o mesmo nome. Isabel. Talvez a única diferença fosse a pronúncia, temos raízes diferentes, uma espanhola outra portuguesa. E que importa as raízes? Elas só fortalecem. Elas só nos unem. Elas mostram que podemos falar a mesma língua!

Conversamos. Jantamos. Rimos. Sorrimos. Passeamos. Dançamos (el Taxi, jamáis olvidaré). Brindamos (moscatel, te recordaras siempre). Desabafamos. Completamo-nos. Debatemos (politica, economia, educação…). Aprendemos (tanto). Cantamos. Descobrimos o sol da nossa varanda. Festejamos. Dividimos. Projectamos. Partilhamos. Partilhamos tudo. Conhecemo-nos. Cativamo-nos. “Tu és responsável por aquilo que cativas”.

Recordo o teu sorriso, o teu olhar, a tua boa disposição como se fosse ontem. Agora chego a casa e só sinto uma coisa, a tua falta. O teu riso já não ecoa pela sala. O teu “Hey” já não se ouve quando entravas em casa. O teu bom dia vaguei-a, o teu boa noite não chega. Aqui, em tudo és silêncio. E agora?

Agora em casa, desço a rua, desço a cidade, procuro, procuro-te e em tudo tu és lembrança. Lembrança do que vivemos, do que intensamente vivemos e que repetia agora vezes sem conta. Praia, música, jardim, sol, cidade, comida, dança, bairro ou tão somente a nossa casa. Em tudo tu és saudade.

Seguramos as lágrimas até à última ainda que por dentro a alma estivesse mergulhada num mar imenso. Somos mulheres fortes. Contrariamos o que ali vivíamos, naquele preciso momento.  Fomos adiando. Fomos doseando a despedida que não tardou em chegar. Aceitei, aceitamos a mudança. Acho que a mudança é sempre bem vinda. Mas ainda não me habituei. O coração teima em não se acostumar. Afinal encontrei uma “irmã espanhola” pela casualidade da vida. Mas nada é ao acaso, nada. Em tudo tu és amizade.

Embora possa parecer, em todas estas palavras nada é triste, nenhuma delas bebe a solidão. Cada uma delas é um abraço apertado e verdadeiro. A saudade é o preço de se gostar tanto, tanto de alguém. De se gostar de ti. Contigo, nossas idiosincracias ficaram mais nítidas, mais (trans)lúcidas e mais cheias, mais preciosas e acredito que mais raras. Em tudo isto és sorte, minha sorte em ter-te conhecido!

Já lá vai uma semana, mas só Lisboa e Madrid nos distancia e o até já, aquele até já com que nos despedimos sempre conforta!

Quieres té?

09

~ te echo de menos, Isa ~

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