Chá das 3, Chá do Manifesto

Foi bom enquanto foi mentira

Quando achava que já tinha visto tudo na verdade não tinha visto nada, na verdade tinha os olhos vendados de ilusões e roseirais, quando achava que já tinha visto de tudo, na verdade não tinha visto nem metade daquilo que alguém é capaz.

Vivemos limitados no tempo, passamos a vida a contar os ponteiros do relógio, minutos para isto, horas para aquilo e esquecemos de tirar aqueles segundos para olharmos em frente do espelho e procurarmos a efemeridade daquilo que somos ou pretendemos ser nesta vida. São marcas que ficam e não vão, fazem de nós aquilo que somos connosco e com os outros, são marcas que se tornam em formas de estar e viver a vida, são marcas que nos tornam mais fortes.

Pelo que a ciência nos diz quando se “perde” um sentido apura-se outro, mas na verdade, na vida nada se perde e tudo se transforma.

Hoje dei por mim em frente ao espelho e decidi tirar 5 segundos, 5 sentidos, para me ouvir, sentir, cheirar, saborear e tocar, tirei apenas  5 segundos…perdi-me na história que ainda tenho esperança ser irreal, história na qual eu admito ter tido um dos papéis principais…

Numa noite em que estás em casa após teres comemorado o teu 25º aniversário e estás mais do que tudo, focada em ti mesma, apetece que seja um ano só para ti, para o teu trabalho, para novas conquistas, mas acima de tudo para TI… Pois bem, raramente o que planeamos assim acontece e comigo não foi diferente. Entrou alguém na minha vida de forma muito sorrateira, que foi somando pontos pela forma como me cuidava, pela princesa e flor que me fazia sentir, que pautou pela diferença no meio de tantos outros que ficaram esquecidos por não pautarem por nada disto…

Apareceu e foi ficando, fez-me acreditar de novo, fez-me acreditar que sim, que nem todos são iguais e que o amor também não se perde, mas que se renova… Este rapaz de quem vos falo fez-me saltar de alegria, fez-me sorrir pateticamente e estupidamente apaixonada, fez-me acreditar que sim, que talvez eu podia de facto acreditar.

 Pois bem, chegou ao dia em que as desconfianças surgiram, em que eu já não era assim tão perfeita e tinha muitos defeitos e eu perguntava-me porquê, se até dava o meu melhor e o melhor de mim. Perguntas na minha cabeça surgiram como: porque é que nunca me leva a jantar fora, a lanchar, ou a passear e descobri que a resposta era óbvia: dinheiro. E eu mesmo assim contentava-me com a resposta de que o dinheiro era um bem escasso que se tinha de poupar, mas que se podia gastar em jogos ilícitos, que eu desconhecia, em garrafas abertas no bar da discoteca, em copos com amigos e longas jantaradas em que os amigos eram algo para pensar se eram mesmo os amigos… Contente ou não com a história que me era vendida andei demasiado tempo com uma venda nos olhos que apenas eu fui culpada por comprar, porque me matei a trabalhar horas a fio para me puder divertir, para manter a minha independência, para poder sustentar a pseudo-relação com este príncipe e quando dei por mim, tinha sido enganada porque esse príncipe tinha outra princesa, fui roubada porque esse príncipe não tinha como pagar as contas do seu palácio e resolveu “tirar-me” dinheiro, fui traída porque a minha confiança foi destruída.

Será que essa pessoa tinha um coração tão grande que não aguentava estar só comigo? Será que tirar dinheiro a alguém com quem se está e fazê-la acreditar que o perdeu ou deixou algures é perfeitamente normal? Vale tudo em tempo de “guerra”? Será que a confiança quando leva um corte gigante, por maior que seja pode ser reparado como se cosesses um rasgão no teu vestido preferido e tudo volta ao normal rapidamente?

Pior mesmo é descobrir que nada do que viveste é real, e que a pessoa que conheceste simplesmente não existe, porque nem sequer vive na casa que te disse viver, porque nem sequer te conta a história de vida real, porque nem sequer trabalha no sitio que te falou e que por acaso nem trabalho tem, porque nem sequer se importou que um dia eu poderia descobrir e continuava a sentir-se bem com isso. No fundo uma pessoa assim ainda vai mais longe e faz-me acreditar que de facto era eu que estava mal, que não gostava “o suficiente”, mas na verdade eu não conheço uma régua que meça o amor e era difícil explicar-lhe isso. As coisas são simples, ou se gosta ou não se gosta e o “protocolo” de se gostar de alguém vem anexo respetivamente a cada um dos modos de gostar ou não gostar.

A forma como me sinto é indiscritível, aliás, se olhar para o pano com que limpei a casa para me abstrair de tudo o que estava a sentir, talvez tenha semelhança , na forma como está sujo, amachucado, sem vida, mal cheiroso, sem ninguém lhe apetecer chegar perto a não ser para pôr na máquina de lavar. Hoje sinto-me literalmente na merda, levei o maior soco no estômago, não tenho fome, e só o cheiro da comida me deixa enjoada, não tenho sono e só o silêncio da noite me atormenta, não tenho sequer vontade de chorar e o só o facto de saber que o tenho de fazer para aliviar a minha dor emocional dói-me no coração. A dor é fina e fica como uma moinha que me faz ter mil interrogações às quais não sei responder.

Na verdade partilho apenas que cinco segundos, às vezes é suficiente para mudarmos alguma coisa, porque acreditem ou não sem estes cinco segundos ainda estaria a pensar nas minhas marcas e não em tentar esclarecê-las ou atenua-las no meu rosto, na minha pele…

Hoje que se lixem esses “homenzecos” que vivem às custas das mulheres com quem estão, que lhes põem a tocar o set com mais “pregos” que já ouvi até hoje.

Hoje sinto-me marcada, mas sei que serei mais forte.

Vou lutar por o que é meu de forma legal, pelo que me pertence e me foi tirado, vou acima de tudo lutar por mim.

Hoje sei que não me perdi, mas que me transformei.

Hoje que se lixe a merda do dinheiro e de toda a gente que vive pela ganância.

Hoje prometo ser feliz, o amor por mim também se renova.

Obrigada espelho meu, a bela adormecida acordou e não precisa do príncipe encantado para terminar esta história.

Marga

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