FOODIE, GOING-NATURAL

Dicas de Nutrição (Fomos tentar saber se os milagres existem e acabámos por desvendar os dois maiores mitos de sempre)

Desafiámos a Ana Isabel Monteiro (Laranja Lima Nutricao) e a Mariana José (Mariana José Nutrir a Sorrir) ambas nutricionistas, a responder às questões dos nossos leitores e acima de tudo a esclarecer os mitos mais comuns.

Começámos pelo que à partida seria o mais óbvio, dado que crescemos a ouvir falar na fruta e nos legumes como alimentos obrigatórios às refeições. Mas afinal quantas peças de fruta devemos comer por dia? “será que é à vontade, mas não à vontadinha” e a que horas do dia? Pelas respostas que recolhemos na nossa página de Instagram, a maioria das pessoas considera que o apropriado será não ultrapassar as três peças por dia.

A Mariana José, refere que esta questão depende de pessoa para pessoa. “No entanto, entre 3 a 5 porções é o recomendado pela Roda dos Alimentos. A recomendação deve ser sempre feita de forma personalizada tendo em conta os objectivos, as necessidades, os gostos e as preferências de cada pessoa. É necessário ajustar sempre as porções consoante as restantes escolhas do dia.”

A Ana Monteiro acrescenta ainda que “a fruta pode ser uma boa opção antes de descansar. Aliás, a banana até pode ajudar a descansar melhor.”

O que não nos dá descanso, principalmente a quem trava diariamente uma batalha com a balança é a relação amor/ódio com o pão. A verdade é que pão combina com tudo, menos com a vontade que temos de lhe resistir. Sabemos por experiência própria que há quem fuja dele a sete pés, por o considerar altamente calórico. Perguntámos por isso, à Mariana, quantas vezes podemos/devemos ingerir este alimento e a que horas/momento do dia.

Mais uma vez a Mariana refere que depende de pessoa para pessoa. “Se me perguntarem o tipo de pão, posso dizer-vos que de preferência deve ser um pão integral ou de mistura ou de cereais, o mais rico em fibra possível (salvo exceções de doenças em que a ingestão de fibra não está recomendada) e o menos processado possível. Quanto ao número de vezes por semana? Tanto pode ser todos os dias como nenhum – depende dos gostos da pessoa, depende de que outros substitutos do pão a pessoa gosta mais, depende de como a pessoa se sente a comer pão. Horas do dia? Tanto pode ser de manhã e/ou à tarde, como poderá ser na refeição – depende do conjunto do dia, depende de que outras opções são feitas nas restantes refeições, depende das necessidades da pessoa, depende da atividade física da pessoa, depende mais uma vez dos gostos da pessoa! Cada caso é um caso.”

Para quem cozinha ou tem planos de o vir a fazer e pretende optar pelo mais saudável, a questão que se segue pode fazer toda a diferença na hora de escolher os ingredientes. Perguntámos à Ana se devemos substituir o azeite por óleo de coco. Não sei o que vocês pensam sobre este assunto, mas a sensação que temos é que de repente o azeite tornou-se o maior inimigo da cozinha e se não tens óleo de coco em casa, nem se quer és uma pessoa fixe.

Para acabar já com o bulling ao azeite a Ana diz, “nunca o devemos fazer se estivermos a falar de saúde. O azeite, azeitonas abacate, oleaginosas e sementes devem ser as gorduras a privilegiar.”

E agora sim, vem a pergunta que ninguém quer calar. Mas afinal podemos comer bolos ou não? Não haverá assim uma alturazinha do dia em que possamos enfardar os ditos sem peso na consciência?

A Ana diz que “há alturas para tudo e os bolos e doces mais calóricos também podem fazer parte de uma alimentação saudável e equilibrada. Para uma base diária seria melhor optar pelas frutas, frutas desidratadas (como tâmaras) ou o chocolate, sim, sendo que o negro não é menos calórico que os outros.”

A Mariana acrescenta, “doces e bolos podem e devem ser incluídos num estilo de vida saudável, de uma forma equilibrada. Isto é, são alimentos que não devem ser consumidos diariamente. No nosso dia a dia devem fazer parte alimentos mais interessantes do ponto de vista nutricional, o mais naturais e o menos processados possível! Quando assim é não há qualquer problema de esporadicamente nos permitirmos comer um doce ou um bolo, ou outra coisa qualquer, sendo que ao ser pontual e incluído numa alimentação saudável, completa, variada e equilibrada, devemos fazê-lo quando nos fizer mais sentido, devemos ouvir o nosso corpo, perceber se realmente nos apetece e comê-lo com o máximo de prazer (sem qualquer tipo de culpa ou arrependimento)! Saborear o momento é fundamental… E se assim for não nos irá fazer mal nenhum, nem ao corpo nem à mente! É imperativo deixarmos de ver os alimentos como vilões e de termos uma relação com a comida do perdido por 100 perdido por 1000!”

E para quem não seguiu os conselhos das nossas nutricionistas e entretanto com os nervos, a ler este artigo, despachou uma caixa de chocolates, dois ou três bolos de seguida e neste momento só está à espera do milagre da desmultiplicação, fomos tentar saber se os milagres existem e acabámos por desvendar os dois maiores mitos de sempre. Perguntámos à Mariana se é verdade que a água com limão em jejum emagrece.

À qual ela responde, “MENTIRA! A única porção mágica para o emagrecimento é o BALANÇO ENERGÉTICO NEGATIVO, isto é, uma ingestão de calorias inferior ao gasto calórico (metabolismo) que o nosso corpo tem diariamente.  Para se conseguir esse défice energético é crucial ter-se um plano adequado a nós e termos acompanhamento, de forma a ser possível não só atingir o emagrecimento, mas acima de tudo mudarmos o nosso padrão alimentar e estilo de vida para conseguirmos depois manter os nossos objetivos!”

Quando perguntámos à Ana se é verdade que o chá de gengibre emagrece, ela respondeu, “não. Nenhum alimento por si só engorda ou emagrece.”

Definitivamente os chás não fazem milagres! Mas e a água? Aposto que está tudo a pensar no mesmo. Tiro a saqueta do chá e bebo água como se não houvesse amanhã. Mariana, é verdade que se ingerirmos muita água, estamos a prevenir a retenção de líquidos e consequentemente a perder peso?

“VERDADE! Para haver um bom estado de hidratação o ideal é ingerirmos 35ml de água por cada kg de peso. Isto é, uma pessoa que pese 60kg, deve ingerir 2100ml (2,1 litros). Se bebermos o aporte de água indicado conseguimos que o nosso organismo funcione da melhor forma, conseguindo além de muitas outras funções potenciar também a diminuição de retenção de líquidos. Desafio todas as pessoas que sofram de retenção de líquidos a beberem 1 dia inteiro a quantidade de água que lhes é indicada, que vejam a diferença no número de idas à casa de banho, que avaliem a cor da urina (quanto mais clara melhor) e que percebam ao final desse dia como se sentem! Quanto à relação da água com o emagrecimento? É gigante, não só a ver com a diminuição da retenção de líquidos, mas acima de tudo porque o nosso cérebro não consegue distinguir os sinais de alerta do nosso organismo de fome vs sede. Isto é, muitas das vezes vamos à procura de alimentos não por uma questão de fome/apetite, mas sim por uma questão de sede. Como tal, a ingestão adequada de água é imprescindível para a regulação da saciedade, sendo uma excelente aliada no emagrecimento!”

A questão que se segue é possivelmente um dos assuntos mais falado nos últimos tempos e que continua a suscitar muita curiosidade e acima de tudo muitas dúvidas. Refiro-me ao jejum intermitente. Perguntámos à Ana se o jejum é ou não saudável. Ao que ela respondeu, “depende da pessoa. Pode ser uma estratégia e deve adaptar-se ao estilo de vida da pessoa. Não é melhor que a restrição calórica contínua para a perda de peso.”

Outro dos temas que também gera muita polémica, principalmente porque há sempre opiniões contraditórias, são os produtos drenantes. Há sempre a amiga da amiga que diz ter ingerido determinado produto e ter emagrecido horrores em tempo recorde. Para desvendar este mistério, perguntámos à Mariana se estes produtos são ou não aconselháveis.

“Em certos casos são aconselháveis e podem auxiliar na diminuição da retenção de líquidos, noutros casos são altamente desaconselháveis. Alguns exemplos de não serem aconselhados: hipertensão – muitos deles têm cafeína, problemas de tiroide com restrição de iodo – muitos deles têm algas com altos teores de iodo, toma de certos medicamentos – podem diminuir ou anular a absorção dos mesmos. Como tal, drenantes ou qualquer outro tipo de suplemento alimentar somente com aconselhamento do nutricionista ou médico, avaliando sempre caso a caso e fazendo sempre esse aconselhamento de forma personalizada.”

Não poderíamos terminar este artigo, sem tentar sacar o coelho da cartola. Até porque, sempre que falamos com nutricionistas achamos sempre que elas sabem alguma técnica completamente desconhecida e milagrosa e que não nos querem dizer. Assim, lançámos por último aquela pergunta cliché: existe algum truque que ajude a gerir as quantidades de alimentos que ingerimos às refeições?

A Ana responde e bem, “comer sopa no início e acompanhar com uma boa salada (não regada em azeite) pode ser uma ajuda.”

Standard

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s