Chá do Manifesto

Qual é o teu propósito de vida?

Tão bom o cantar dos pássaros pela manhã, o sol a surgir no horizonte, enquanto o nevoeiro matinal se vai dissipando. É grandioso sentir o cheiro do orvalho pela manhã e, de olhos fechados, simplesmente ouvir os sons da natureza. Os carros e o barulho ensurdecedor da cidade vão ficando cada vez mais longínquos na minha mente. Afinal, eu nasci para sentir cada raio de sol e a energia de meditar por debaixo de uma árvore que transporta em si milhares de anos. Já imaginaram se as árvores falassem? Tenho a certeza que seriam umas excelentes contadoras de histórias, daquelas bem antigas, que vão muito além dos nossos antepassados. 

Eu vim ao mundo para ser feliz na simplicidade de um sorriso, de um abraço sincero, de um olhar cúmplice e, quando mais necessito, retirar-me para o meu templo sagrado, que cheira a livros com centenas de anos. 

Na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra só de pisar aquele chão e atravessar aqueles corredores imensos com prateleiras repletas de livros com pó, sentia-me em êxtase. Com esta memória, que guardo no meu coração com muita saudade, jamais permitirei fugir à minha essência, ao meu propósito de vida. E que, naquelas tábuas de madeira, com público a aplaudir, eu continue a sentir a magia que o teatro, a minha grande paixão, me faz sentir.  

Prometo e fica hoje assinado que o meu caminho não voltará a desviar-se dos meus sonhos. Sim, o mundo nem sempre nos permite sonhar. O dinheiro é necessário enquanto não conseguimos atingir o que ambicionamos. Mas, na verdade, todos nós temos muitas necessidades que, no fundo, não precisamos. Se quero ser escrava delas? Não! Livrei-me de tudo isso a partir do momento em que estas começaram a substituir a necessidade da minha alma, que teima em sonhar alto, como um pássaro livre, que voa alegre, entre vales e montanhas. 

Que se lixem as necessidades que nos são impostas por pressão social. Quero viver com menos, mas com mais no espírito. Substituo um hotel de luxo, por uma tenda onde posso ver as estrelas à noite. E que, por sorte, surja uma estrela cadente, que me traga a esperança de um final feliz. Substituo uma praia da moda, por uma praia de difícil acesso, onde tenha de descer por entre rochas e, quando lá chegar possa mergulhar, sem qualquer roupa, na imensidão do oceano. Troco um bom carro e roupas de marca por idas a espectáculos repletos de arte e engenho.  

A maioria de nós vive tão anestesiados entre a casa e o trabalho, com um grande carro, já que está na moda ter um todo XPTO, que não fazemos a menor ideia do que viemos aqui fazer. Sabias que a tua alma chama por ti? Que aquilo que não tomares consciência agora terá repercussões no mundo, nas tuas reencarnações e nas energias que vais transmitindo ao teu corpo, mente e espírito? 

Afinal, qual é o teu propósito de vida? Já pensaste sobre isto seriamente? Confessa lá…É bem mais fácil viver no conforto da normalidade. O outro caminho é assustador, esquisito, difícil e até bastante “louco”. 

Na verdade, a falta dessa tal loucura, que nos permite marcar a nossa diferença no mundo, é que é a maior loucura da existência!

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Chá do Manifesto

E depois do fim de um amor?

Esta é uma das perguntas que a maioria das mulheres ou jovens mulheres fazem diariamente. Primeiro que tudo um amor nunca se esquece. Fica para sempre na nossa pele e no nosso coração. Ele foi o raio de um idiota? Deixem lá isso: aprenderam mais do que pensam. Descobriram que depois de mais uma perda conseguiram sobreviver, voltar a sorrir e a estar com os amigos a beber o café do costume. No fundo, os amigos são os verdadeiros amores que levamos desta vida.

Contudo, não vos digo que é fácil. Vão sentir-se perdidas e angustiadas muitas vezes. Vão compensar todos esses sentimentos avassaladores com bons amigos, comprimidos, chocolate e momentos de maluqueira. Porque o que seria da vida sem esses tais momentos “fora da caixa”? Vão também ter recaídas e querer saber como ele está. Mas tudo não passa de uma ilusão, porque quando vos magoam uma vez, magoam a segunda ou a terceira. Aprendam que quem não vos compreende com um simples olhar e quem não fica convosco no meio de uma tempestade não é merecedor do vosso amor. Porque amor é amizade, é companheirismo, é altruísmo. 

As lágrimas vão-se, mas o aperto fica. Por isso é que o coração se fecha. Pensamos duas vezes antes de nos metermos noutra aventura, porque podemos partir uma perna ou o coração. Com o avançar da idade ficamos mais exigentes. Já não nos preocupamos se estamos sozinhas ou não, porque aprendemos a gostar da nossa própria companhia. E haverá algo melhor do que isso?

Só vale a pena partilhar o nosso amor com quem realmente esteja para ficar, que nos toque no cabelo com carinho e nos limpe as lágrimas. Que seja forte o suficiente para nos amparar numa queda e não fuja só porque somos “pesadas demais”. O amor só vale a pena quando é altruísta.

Por isso, mulheres ou jovens mulheres chorem muito com a perda do vosso amor. Não se esqueçam que ele vai ser uma recordação para sempre, que vos mudou a alma. Mas nunca deixem o vosso amor-próprio ir embora por ninguém. 

O amor é possível. Ele existe, em momentos de alegria, tristeza e maluqueira. O amor também é aventureiro, é estar à vontade e sermos nós próprias. Porque se assim não for não vale a pena investir em algo tão importante.

Custa voltar a acreditar. Mas enquanto o amor verdadeiro não chega invistam em vocês próprias e riam muito. Rir faz tão bem à alma!

No final de contas, as estações mudam. As pessoas entram e saem da nossa vida. Mas é reconfortante saber que quem amámos ficará para sempre no nosso coração.

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~ Um chá de conforto ~ 

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Chá do Manifesto

O arco-íris sempre chega

Há momentos em que o mundo nos parece desabar. Parece que tudo nos foge dos pés. O sol que antes tanto brilhava, talvez por uns tempos pareça não existir. Deixamos de acreditar nas pessoas e na justiça. Abrimos os noticiários e todos os dias vemos centenas de crianças a morrer subnutridas do outro lado do mundo e as constantes lutas religiosas que matam milhares de inocentes.

Olhamos para nós próprios e, muitas vezes, questionamos o propósito dos nossos dias frios. Muitos amigos afinal não são amigos. Pessoas entram e saem da nossa vida constantemente. E muitas daquelas que mais amamos acabam por morrer. Esquecemos-nos que os momentos mais simples são os mais importantes. Um abraço pode não ser só um abraço. Pode ser o último. Um beijo na testa pode nunca mais se repetir. Tudo é fugaz. Nada dura para sempre. Cada momento nos ensina e nos transmite lições. Mas, tal como defendia o célebre Fernando Pessoa, limpar a casa e sacudir a poeira nem sempre parece tão fácil assim. O nosso coração parte-se. O nó na garganta fica. Dizem que o tempo cura qualquer dor, mas as cicatrizes perpetuam-se no tempo.

Contudo, quase sempre, continuamos a fingir que somos felizes. Estampamos um sorriso que chora por dentro. Esquecemos-nos de nós próprios. E não questionamos o mundo. Só quando nos acontece algo que abala a nossa existência, colocamos tudo em questão. As pessoas, as aparências, o egoísmo, a crueldade humana. Porquê tudo isto?

No fundo, sabemos que nunca vamos ter todas as respostas, mas algumas vão surgir. Descobriremos que após o céu cinzento, sempre surge o arco-íris. Tornamos-nos pessoas mais sábias, mais intuitivas, mais cuidadosas, atentas e a querer estimar quem queremos por perto. Porque, no final de tudo, o que nos resta são as memórias de quem partiu. Somos seres de gente. E neste mundo há gente inesquecível e histórias que nos marcam a alma para sempre.

Que tenhamos a coragem, durante breves instantes, de viver por baixo da tempestade. Ela passa e nós sobreviveremos. Eternos guerreiros de nós próprios.

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~ Um chá do manifesto com inspiração do mar ~

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Chá do Manifesto

A geração das mulheres seguras

Nasci na geração descartável. Na geração em que o respeito, a tolerância e a amizade entre as pessoas já quase não existe. Sou feita de carne e osso, mas além disso também sou feita de sentimentos, sonhos e ambições.

Pois bem… Todas nós, jovens mulheres, sonhamos com um futuro promissor. Queremos ser realizadas profissionalmente e encontrar paixões que nos preencham. Mas além disso tudo, também queremos encontrar alguém com quem partilhar as nossas vivências, as nossas paixões e, sobretudo, a nossa vida. No fundo, desejamos um companheiro, lado a lado. Alguém que num só olhar nos compreende, que fica apesar de todas as adversidades. Que no seu abraço encontremos a paz que tantas vezes precisamos. Mas não vamos desejar viver só para ele. Nós queremos partilhar o que de melhor e pior temos. Mas não vamos permitir que questionem a nossa rotina ou nos aprisionem de tal maneira que o sol deixe de brilhar de manhã bem cedo.

Afinal, somos a geração da parceria e não da dependência, como um dia li algures. Somos a geração que nasceu para conquistar o mundo, para ter uma carreira e lutar por ela, para ter o próprio dinheiro e investi-lo sem dar justificações a ninguém. Nós, jovens mulheres, fomos educadas para sermos felizes na liberdade dos sorrisos, dos dias de sol e guerreiras nos obstáculos que nos surgem. Somos a geração que apanha um comboio ou um avião sozinhas rumo a uma aventura, que jantamos e brindamos, que nos arranjamos e maquilhamos. Queremos e podemos ser mais do que foram as nossas mães e avós, que foram felizes à sua maneira, mas que viveram dedicadas a um homem e se esqueceram das suas próprias vontades na maioria das vezes.

O problema é que entre tanta ocupação, a luta por uma profissão que nos sustente e nos concretize, a viver as nossas próprias paixões, a irmos à esteticista ou cabeleireira para nos sentirmos belas (não para os outros, mas para nós próprias), a ir à academia para espairecer de uma vida atribulada, a conviver com bons amigos, muitos homens, ou jovens homens, não compreenderam ainda que nós não precisamos desesperadamente deles. O que precisamos é de um companheiro, lado a lado. Alguém que nos faça companhia para uma cerveja, que nos acompanhe numa maratona, que esteja presente nos momentos em que o nosso mundo desabar, mas que não nos cobre por isso. Queremos, acima de tudo, um bom amigo. Alguém que conheça tão bem a nossa alma que acredite mais em nós do que a maioria das pessoas à nossa volta. Alguém que sabe que o nosso coração está triste, mesmo quando temos estampado um sorriso.

Queremos partilhar a nossa vida. Mas também queremos a nossa liberdade. Liberdade para os nossos hobbies, para irmos a uma festa com amigas, para manter contacto com mais pessoas, sem que isso lhes crie insegurança. Nós, mulheres seguras, queremos, acima de tudo, um homem seguro de si próprio. Porque apesar de sermos a geração das mulheres donas de si, nós precisamos de segurança e de um companheiro estável que nos permita ser tal e qual aquilo que somos, sem máscaras ou medos.

O problema é que muitos destes jovens homens foram educados para esperar tudo aquilo que esta geração de mulheres não foi educada para ser. E no meio de tudo isto, muitos perdem belas e inteligentes mulheres, que dariam o mundo para dormir ao seu lado todas as noites. Que dariam o mundo para se deitarem no seu peito no fim de um grande dia de trabalho. No fundo, acabam por perder grandes e fortes mulheres pelo simples medo de perder. Porque nós fomos educadas para ser livres. Mas ser livre não significa que não assumimos um compromisso ou não tenhamos o respeito que merecem. Simplesmente queremos um grande amigo que confie em nós.

Mas, cada vez mais a amizade entre as pessoas está mais fria, os amores mais fugazes e a força para lutar cada vez menor. Estes jovens meninos ainda não perceberam que o mundo já não é só deles. Mas é também nosso: jovens meninas, determinadas, livres, independentes e com os maiores sonhos do mundo no coração.

Infelizmente, somos ainda muito condenadas por querermos ser donas do próprio nariz e de termos opinião própria. Os homens seguros são raros. Mas eles existem. Eu acredito. E continuo a acreditar, que num dia, ao virar da esquina ele vai aparecer. E vai acreditar no meu olhar e no meu coração. Vai impulsionar-me a lutar pelos meus sonhos, vai querer que voe, mesmo sabendo que pode ter de me ver menos vezes. Porque quando nós amamos, amamos com as tripas de fora, mesmo com mil e uma coisas para fazer. Acredito, sobretudo, que algures por aí há alguém que é seguro o suficiente para amar uma mulher que “voa” e que quer, acima de tudo, ser feliz com um companheiro, um trabalho, hobbies e bons amigos. 

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~ Um chá para as mulheres fortes e seguras ~

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Entre a Arte e a Informação, Entrevistas

Bright Lisbon Agency e uma fatia de pizza

O Galchuda e o Headshake uniram-me mais uma vez na Demanda de Galchuda e foram entrevistar dois elementos da primeira júnior iniciativa de comunicação do país, a Bright Lisbon Agency, da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS). Falámos com o André Albuquerque, o Presidente da Bright, que está na licenciatura de Publicidade e Marketing. Considera que é ambicioso, mas que é extremamente distraído. Inspira-se no Steve Jobes. Falámos também com a Inês Veiga, diretora do departamento estratégico da Bright, que estuda na licenciatura de Relações Públicas e Comunicação Empresarial. Considera que tem um bom pensamento estratégico e inspira-se em pessoas organizadas, descontraídas, ambiciosas e racionais.

A Bright Lisbon Agency surgiu no pensamento do André no dia 8 de julho de 2014. Percebeu que faltava algo na ESCS. Constituiu uma equipa e formou o projeto. O nome Bright apareceu para ser diferente das outras juniores empresas. “Somos da área de comunicação, somos criativos, somos divertidos”, referiu a Inês, acrescentando o André que “o nome ocorreu depois de uma longa sessão de brainstorming”. Sentem que têm conseguido marcar a diferença, principalmente com o evento de lançamento, com as caixas de pizza. “Dizem que fomos diferentes por isso. Porque nenhuma júnior empresa teve a ideia de fazer um grande evento na faculdade como nós”, confessou a Inês.

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A ideia principal da Bright é formar os profissionais de amanhã, sendo multidisciplinares, aprendendo a fazer. Querem ser diferentes, brilhar e destacarem-se de tudo o que há no mercado. Não têm fins lucrativos, mas pretendem dar aos seus membros boas formações para crescerem. Inês diz mesmo que quer daqui a dez anos voltar às ESCS e ver que está lá a Bright.

Ser a primeira júnior iniciativa de comunicação é para estes dois elementos um desafio, mas muito gratificante. É estarem a ser inspiradores para outros. “A ESCS é uma faculdade muito pequena. Portugal é um país muito pequeno. É muito bom saber que podemos inspirar alguém. As pessoas olharem para nós e pensarem que isto é enorme”, salientou o André.

Neste momento são sete pessoas na direção e a empresa divide-se pelo Departamento de Recursos Humanos, Departamento de Design e Imagem, Departamento Estratégico e Departamento Comercial. A direção supervisiona os projetos e tenta dar sempre liberdade aos seus membros.

Mas afinal o que é um júnior empresa? É uma associação sem fins lucrativos, gerida por estudantes, com o apoio de professores, que presta serviços em determinadas áreas de acordo com a oferta formativa das escolas. Faz uma ponte de ligação entre o mercado de trabalho e a comunidade académica. É um grupo de trabalho dentro da escola, que juridicamente presta serviços, mas que não deixa de ser uma associação.

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As portas têm-se aberto à Bright com muito trabalho e, sobretudo, muita rede de contactos. Os targets da empresa já estão bem definidos: as pequenas e médias empresas (PME´S), as startups e outras juniores empresas (como clientes, mas também como como colaboradores).

Para o André o maior desafio da Bright tem sido manter os membros motivados e focados. “A maior parte dos alunos bons da Bright estão em todo o lado da ESCS. É ter a certeza que os membros conseguem conciliar as diferentes atividades. Assim como quebrarmos a barreira do mercado. Temos tido bastante procura, mas quebrar a barreira de deixarmos de ser um grupo de miúdos, para sermos a Bright”, salientou. Para a Inês o importante é realmente manter a motivação dos membros, mesmo quando os atuais se forem embora.

Confessaram que são muito descontraídos nas redes sociais e tentam sempre divulgar o movimento júnior, partilhando o que outras juniores empresas fazem, além de produzirem conteúdos de comunicação. “Se temos algo para dar, porque não partilhar o conhecimento com outras pessoas?”., disse o André, salientando ainda que há descontração, mas profissionalismo ligado ao conhecimento.

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Para estes dois elementos, estar na Bright é uma oportunidade, ganhando novas competências, tanto na área de formação como noutras. O André acredita mesmo que a Bright irá dar aos seus membros um portefólio que outra escola à partida não dará. “O que é que tu sabes fazer? Eu já fiz isto”, ressaltou. É uma maneira diferente dos alunos mostrarem as suas competências. Além da criação de networking, que como diz o André conhecer a pessoa certa não é uma questão de cunha, porque tem de se ser bom e sendo assim os conhecimentos obtidos através da Bright só irão facilitar a entrada no mercado de trabalho.

Até agora sentem-se satisfeitos por estarem a ser reconhecidos, não por serem “os malucos” que criaram o evento de lançamento com a pizza, mas de pensar que há pessoas que olham para eles e que os têm como uma referência. “É ver que as pessoas querem entrar para a Bright. É os professores dizerem que isto vai ser maior do que alguma vez pensámos. Ver isto crescer é espetacular”, disse a Inês.

Aos jovens empreendedores deram o conselho de não terem medo e de arriscar, por mais maluca que a ideia seja, há sempre pessoas que alinham nessa ideia. “Tenham lata e se acreditam naquilo, vendam isso às pessoas. Se tiverem lata e paciência conseguem de certeza”, referiram, acrescentando que se devem reunir de pessoas melhores do que eles. “Atirem-se de cabeça e não tenham medo”.

Em duas palavras descrevem a Bright como irreverente e como sendo uma loucura:

“Somos os malucos da cabeça que surgiram porque alguém teve a ideia de comer pizza”, concluíram, entre sorrisos. 

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Para mais informações:

https://www.facebook.com/galchuda/?fref=ts

https://www.instagram.com/galchuda31/

 https://www.youtube.com/channel/UC5ZqkQQ8fsyOX0l-SYIsPjQ

 

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Círculo das Artes, Chá de Camomila, por favor!, Chá do Manifesto

Quando o teatro vira paixão

Pois é, ainda não falei aqui sobre uma das minhas maiores paixões e ainda por cima recentemente descoberta. Dizem que nunca é tarde para descobrir o que realmente nos preenche a alma, o que nos faz sorrir genuinamente e o que nos faz trabalhar sem dar conta do relógio. Fala-vos do teatro.

Bem, tudo começou quando cheguei à minha cidade natal, Santarém, após cinco anos ausente a estudar em Coimbra e no Porto. Sentia-me perdida e desconectada com a cidade. Sabia que se avizinhava um novo período de adaptação. O meu pai, por acaso, disse-me que ia a uma reunião de um grupo de recriação histórica e eu disse-lhe que gostava de ir assistir. Quando cheguei à reunião, no Círculo Cultural Scalabitano, uns oito homens estavam sentados em roda numas cadeiras. Surpreendentemente, eu era a única mulher. Logo o encenador disse que precisava de homens para uma peça que iria estrear no mês seguinte. Tratava-se da representação da conquista de Santarém aos Mouros: “A Tomada de Santarém”. A ideia seria lutar com espadas. Disse-me logo que não tinha trabalho para mim, a não ser que eu quisesse fazer de princesa a fugir ou de guerreira. “Vou lutar com as espadas. Eu aprendo”, disse prontamente, a sorrir. Todos se riram. Eu estava entusiasmada. Nesse mesmo dia fizemos um primeiro ensaio de esgrima e assumi aquilo como um excelente desafio.

Quando dizia às minhas amigas que andava a aprender a lutar com espadas, ficavam estupefactas. “Tu és maluca, ainda te aleijas”, diziam-me. Eu ria-me, porque finalmente estava a encontrar algo que me entusiasmava na cidade que me tinha deixado de ser familiar. Muitos ensaios decorreram e chegou março. Íamos estrear no Teatro Sá da Bandeira, em Santarém, em conjunto com o Veto Teatro Oficina. O mais caricato da situação foi vestir todos os fardamentos. Eu ia lutar como Cristão contra os Mouros. A roupa era pesada e com uma armadura na cabeça. Os atores do camarim eram só homens. Eu era a única mulher. E fartei-me de me divertir. Havia lá um senhor extremamente bem-disposto, na casa dos setenta e poucos anos, com quem criei uma empatia muito especial. O senhor Militão fez-me rir em muitas ocasiões e passou a ser o meu avô emprestado desde então.

Na estreia dessa peça, mesmo só entrando numa representação da batalha entre Mouros e Cristãos, senti a primeira adrenalina de entrar em palco, de fazer os truques de esgrima bem feitos, em conjunto com um guarda roupa extremamente pesado. No fim tudo correu bem. E  no espetáculo seguinte ainda melhor. Senti-me realmente feliz e orgulhosa. Nessa peça tive contacto com alguns atores do Veto Teatro Oficina, nomeadamente o encenador Nuno Domingos e o grande ator António Júlio.

A peça terminou e eu fiquei com uma ânsia enorme por aprender mais sobre teatro. Até que me disseram que tinha aberto recentemente um curso de formação teatral no Teatro Sá da Bandeira e que a turma tinha começado recentemente. Fui lá pessoalmente saber do que se tratava e a professora do curso, a atriz Paula Nunes, recebeu-me desde logo muito bem. Subi para uma sala no último piso do Teatro e a partir daí uma nova aventura se avizinhou. Era uma sala repleta de panos pretos a tapar as paredes. Nunca imaginaria que ali iria ser tão feliz. E que iria conhecer amigos fantásticos.

Nesse dia conheci o João, a Gisa, a Joana, o Zé e, mais tarde, o destrambelhado do Rui. Começámos por fazer exercícios teatrais todas as terças e quintas ao final do dia, até que a Paula deu a sugestão de cada um de nós escrever sobre um personagem. Tinham de ser mulheres. Eu escolhi uma mulher mimada, de 25 anos, que queria ser ainda mais rica, com sotaque do Norte, excêntrica e que tinha o sonho de um dia ter um Porsche. Decidi mais tarde que ela seria cocha. Era a Tita. Depressa surgiram a Amélia, um travesti brasileiro extremamente chique, a Filipa, uma gestora de sucesso, a Xana, uma empregada da limpeza insegura e deprimida, assim como a Vera, lésbica e assumindo-se como a futura lenda da guitarra.

Depressa estas personagens em conjunto deram origem a monólogos e diálogos. Começámos com ensaios e decidimos que iríamos apresentar uma pequena peça sobre estas mulheres. “Cinco Almas, Cinco Vidas, Uma Paixão” ficou o nome do espetáculo. Seriam tratados temas como a sexualidade, a homossexualidade, os preconceitos e os diferentes tipos de mulheres do século XXI. E assim em junho estreámos a nossa pequena peça no Teatro Sá da Bandeira. O João em papel de Amélia com uns enormes saltos altos e um vestido até aos pés, o Rui como Vera com um sutiã vermelho de cortar a respiração e uma maquilhagem extremamente carregada, a Gisa no papel da gestora e poderosa Filipa, o Zé como empregada deprimida, a Xana, e eu como Tita, de chapéu, mala pirosa e cocha. Nos ensaios criámos todos uma excelente conexão, incluindo com a Paula, quem nunca esqueço. Foi ela que me deu muitas das bases que hoje sigo em teatro.

A peça foi um sucesso. Divertimos-nos, mas também divertimos. E no fim fomos todos beber um copo para comemorar. Fiquei a gostar muito deles.

Antes desta peça, um dia fui ver em abril um espetáculo ao Círculo Cultural Scalabitano: “Palavras de Poetas”. Fui sozinha naquele dia. Ninguém tinha interesse em ir ver aquele espetáculo do meu núcleo de amigos. Aliás, a maioria não se interessava genuinamente pela vida cultural da cidade. O ator do Veto, o António Júlio, o tão conhecido Pantufa, viu-me. Veio logo falar comigo por me ter conhecido na “Tomada de Santarém” e perguntou: “E vires para o teatro não?”. Eu respondi que gostaria muito. A conversa ficou por ali. Nessa noite a minha mãe recebeu um telefonema: era o António Júlio que queria falar comigo. Ela conhecia o Pantufa (o António Júlio) há muito tempo por ele ir fazer animações ao Jardim de Infância dela. Atendi e “Olha lá, não queres participar num espetáculo do Círculo Cultural no final do ano? Estava aqui a falar com o Ramos e falei de ti. Podemos contar contigo?”. Eu disse logo que sim.

Mas foi na estreia da peça “Cinco almas, Cinco vidas, Uma paixão”, que o senhor Pantufa me fez o convite formal, quando foi assistir à minha atuação. “Olha lá, é para ires à reunião do Veto”, disse-me no final. E assim fui em julho à primeira reunião do Veto.

Em Setembro comecei os ensaios no Veto e ainda mais feliz fiquei quando percebi que ia ter a companhia de muitos mais elementos novos. Estávamos a iniciar a Academia de Formação Teatral do Veto Teatro Oficina com o Nuno Domingos. Foram muitos meses a fazer exercícios teatrais, colocação de voz, respiração, movimento e, sobretudo, a aprender a andar e a falar à palhaço. Muitos ensaios à noite, mesmo depois de estar extremamente cansada do trabalho. Cheguei a ir para ensaios sem jantar, saída do trabalho, tamanho era o meu prazer em ali estar.

Depois chegaram os ensaios às sextas-feiras no palco do Teatro Taborda, por entre palhaçadas do António Júlio e ralhetes enormes do José Ramos, o encenador de “Chamem os Palhaços”, o espetáculo a estrear em janeiro no Teatro Sá da Bandeira. Trata-se de uma homenagem ao António Júlio, o mais conhecido palhacinho Pantufa. 

Até que chegou o dia da grande estreia. Todos vestidos a rigor, com os fatos cuidadosamente costurados, as perucas, os narizes de palhaço, as pinturas faciais e os sapatos enormes que eram muito difíceis para andar inicialmente.

Este foi o espetáculo em que mais adrenalina senti. O teatro estava à cunha. 200 pessoas a assistir. E não podíamos falhar. O stress das falhas técnicas, a atenção constante para entrar nas cenas certas, o nervosismo, o trabalho de equipa. No fundo, a paixão por estar a pisar aquele palco e animar todas aquelas pessoas. Foi sem dúvida uma das melhores experiências da minha vida. Fui tão feliz. No fim, o sentimento de dever cumprido é enorme. E a união de grupo fica muito forte. Porque no teatro não importa se há falhas, nervosismo, se faltam atores, porque o improviso e o espírito de grupo vence todos esses contratempos. Porque no fim, descobri que o Veto é uma família muito especial e que ali ganhei AMIGOS. Amigos de verdade. “Chamem os Palhaços” continua ainda em abril e maio no Círculo Cultural Scalabitano.

Por fim, ainda mais feliz fiquei quando o meu mestre e pai do teatro, o grande Nuno Domingos, me convidou para fazer parte da direção do Veto. Senti-me extremamente grata.

O que parecia inicialmente apenas uma simples brincadeira de espadas, afinal levou-me por um caminho magnífico. Sinto-me de coração cheio. Quero continuar a fazer teatro. Quero continuar a transmitir ideias ao público. Quero continuar a ter a sensação de ensaiar até muito tarde e o cansaço não custar. É ir de alma cheia para o Círculo Cultural. É sorrir ao ver aquelas pessoas que tanto gosto, nos camarins, no palco, nas reuniões, nos brindes de aniversário…

Enfim…o teatro e estas pessoas especiais fazem agora parte da minha vida…

É TEATRO POIS ENTÃO!

 

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Chá do Manifesto

Saudades de Coimbra

Há uns dias encontrei por acaso algumas fotografias de Coimbra. Dei por mim a reviver recordações imensas. Os amigos, os momentos, as maluqueiras, as histórias inesquecíveis. Senti muita alegria, aliada a uma certa tristeza. Como é possível tudo ter sido tão mágico e rápido ao mesmo tempo? Afinal, a cidade que me viu chegar menina, fez-me mulher.

Aos 18 anos saí de casa com a ânsia de querer conhecer um mundo novo. Ir embora com a casa às costas para uma cidade distante daquela que me tinha visto crescer não foi nada fácil. Inicialmente queria-me vir embora. Mas, depressa Coimbra se transformou no sítio mais especial onde alguma vez poderia ter vivido. Fui muito feliz. Muito. As palavras nunca serão o suficiente para descrever o quanto o meu coração vibra ao ouvir o fado, as guitarradas e o quanto a minha alma estremece ao olhar para a Cabra estampada no meu anel de curso.

Na maioria das fotografias estava a sorrir. A sorrir muito. Genuinamente. De forma ingénua. Afinal não era assim que éramos todos? Pensávamos que tínhamos o mundo aos nossos pés. Acreditávamos tanto nos nossos sonhos. Achávamos que éramos os mais especiais do mundo. Eu e todos aqueles amigos que já não vejo há tanto tempo. As saudades. Essas são tantas. Uma palavra que tem tanto significado. Deixei a minha família de Coimbra para trás, mas presa no coração. Ali cresci, apaixonei-me, decepcionei-me, ri-me, diverti-me, estudei, sofri, cantei, gritei, deitei-me na capa em noites de luar. Fui mais feliz do que alguma vez poderia pedir.

Em tão pouco tempo, como tudo muda. Agora há uma urgência quase que imposta para construir uma vida, que é mais difícil do eu imaginara nos tempos de faculdade. Nos anos das noites de capa traçada e batina orgulhosamente vestida. Os sonhos já não são inocentes. E os amigos que fiz tentam formar uma vida cada um para seu lado. Eles que foram tão especiais. Se soubessem…

Ó Coimbra, tu que me levaste direta para o Porto num dos meus sonhos inocentes de menina. Ó Coimbra, tu que me deste e tiraste tudo. Ó Coimbra dos meus amores perdidos, foste tão mágica e tão magnífica. Foste tudo o que nunca conseguiria alguma vez imaginar.

Afinal, a mania da minha mãe querer que eu guarde todas as fotografias faz todo o sentido. É tão bom recordar. É tão bom reviver momentos felizes.

É tão bom poder dizer aos novos amigos: “estes foram os meus amigos de Coimbra. A cidade onde estudei. Ali aprendi a dizer saudade”.

Ali vivi quatro anos. Ali cresci. Ali fui escandalosamente feliz.  

~ Um chá de recordação ~

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