Chá das 3, Coisas de RP

O Ponto G que fortalece laços

O frasquinho dos 31 sorrisos continua a promover momentos únicos. O Galchuda tem vindo a demonstrar ser um produto muito apelativo e que tem juntado pessoas que pensam de forma especial. E ainda bem que não é caso único. Existem outros projetos semelhantes e na ânsia de encontra-los o Headshake e o Galchuda uniram-se na “Demanda de Galchuda”. No decorrer da respetiva “Demanda” interessaram-se por conhecer melhor um negócio igualmente especial e que também tem vindo a juntar pessoas que pensam de uma forma peculiar.

Assim, fomos falar com o grande impulsionador do Ponto G, o bar acolhedor e criativo que abriu há dois anos em Santarém. “O que diferencia o Ponto G é a qualidade do produto e a maneira como nós encaramos os clientes. Como somos família a trabalhar aqui, qualquer pessoa que venha cá é como se a estivéssemos a receber em casa”, confessa Gonçalo Gargaté, de 34 anos, um dos donos do espaço. No dia 19 de março de 2014, dia do pai e da cidade, surgiu o tão agora conhecido a apreciado Ponto G. “Gostamos de acarinhar e fazer com que o cliente se sinta bem. Quando abrimos, decorámos o espaço como se fossemos o cliente e um sítio onde estivéssemos e nos sentíssemos confortáveis”, diz. Tal como os Galchudas, o Ponto G tem criado momentos especiais, de encontro, de amor e de amizade entre as pessoas.

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O nome Ponto G é de Gonçalo. Um nome que diz ser brincalhão. Abriu o espaço com a irmã e juntos formaram um bar totalmente diferente na capital de distrito. “Não gosto de me aventurar sozinho. Sempre tivemos os dois este sonho”, realça. É licenciado em enfermagem, mas estava descontente com a profissão e tinha dinheiro suficiente para investir. Como já tinham ambos a ideia de abrir um espaço, mais virado para restauração, resolveram investir num local dedicado à cerveja, nomeadamente a cerveja artesanal. “Como a cerveja começa a ganhar impacto em Portugal e como em Santarém não existia nada do género surgiu esta ideia”, destaca. 

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No Ponto G não se vende a cerveja industrial vulgar, mas sim cerveja primium. E, tal como o Galchuda, todas as semanas o Ponto G tenta ter uma novidade. Além disso, o Gonçalo e a irmã sentiram também a necessidade de ter algo para acompanhar a cerveja artesanal. As tapas são bem conhecidas no espaço, tais como os queijos, o presunto e os nachos, o acompanhamento mais apreciado pelos clientes que ali vão, principalmente aos sábados à noite, momento em que o espaço enche por completo. “O presunto faz parte da nossa cultura e cai bem com a cerveja. O nacho é o produto que mais vendo em termos de acompanhamento. As pessoas acham muito agradável”, diz.

Para Gonçalo, o cliente que frequenta o Ponto G tem entre os  25 e 50 anos. “É um cliente que sabe estar, que aprecia a qualidade. Que não vem para beber em muita quantidade, mas em qualidade”, acrescenta.

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A cerveja que mais vende é a Erdinger. As pessoas até associam o espaço a este produto. Gonçalo tem o objetivo de lançar a marca própria de cerveja. Já lançou uma que é a Cabaça e está a lançar outra que é a Catedral, que será mais de degustação, mais encorpada e mais alcoólica. “O meu objetivo é implementar a minha marca aqui no distrito”, confessa.

O Ponto G tem uma constituição de cinco elementos, tudo familiares. Agora têm colaborado estagiários da Escola de Hotelaria e Turismo de Santarém. A irmã é contabilista, o que ajuda bastante na gestão do negócio, que inicialmente os amigos e conhecidos apenas davam por garantido durante três meses. “Santarém é um mercado difícil de vingar. É essa a maior dificuldade”, refere, acrescentando que o mais difícil não é fazer a casa, mas mantê-la. Agora até sonham abrir um espaço igual na Madeira.

Mesmo que abra um espaço igual em Santarém, o importante é ser-se o primeiro. “Considero o Ponto G como sendo um negócio com potencial. Fico sempre contente quando vejo clientes novos. O que eu queria alcançar era que as pessoas viessem de longe de propósito para aqui, o que dará muito valor à casa”, realça. 

O impulsionador descreve o negócio como sendo diferente e único, porque afinal as pessoas de Santarém não encontram uma casa com bar de jazz e cervejaria na sua cidade.

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O principal conselho que dá aos jovens empreendedores é ponderação. Ir falar com outras pessoas, ver as tendências e estudar o mercado. Mas o principal segredo é fazer uma parceria com alguém de muita confiança. “O grande segredo deste negócio tem sido a boa relação que tenho com a minha irmã”, conclui.  

Tal e qual como com o Galchuda, no Ponto G as pessoas têm descoberto uma forma de estar única. Um espaço de encontro, onde são fortalecidos laços.

Afinal, os negócios podem tocar em muito as relações humanas. O Ponto G é sem dúvida uma excelente fonte de inspiração de empreendedorismo, criatividade e união entre as pessoas. 

Entrevista com o Gonçalo Gargaté:

 https://soundcloud.com/galchuda-galchuda/ponto-g

Vídeo de divulgação: 

https://www.youtube.com/watch?v=9uynyWelGdQ

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~ Que venha a cerveja e um brinde aos bons momentos ~

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Galchuda: o frasco que cria momentos especiais

Queres ter um gesto bonito com um familiar durante um mês? Queres valorizar uma amizade ainda mais? Queres surpreender a tua cara-metade? Então o Galchuda pode ajudar-te. Com 31 papelinhos dentro de um frasquinho, conseguirás transmitir todos os dias os diversos motivos que te fazem gostar daquela pessoa. Será que é por te fazer rir ou por simplesmente te acompanhar nos programas de domingo? Ou será que gostas dos seus cozinhados? São muitos os motivos que fazem aquela pessoa ser tão única e especial. 

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Durante um mês o sortudo irá retirar um papelinho enrolado dentro do frasquinho e ler um dos motivos pelo qual gostas dele. Uma forma de mimar quem merece com muita atenção e carinho. Numa vida tão acelerada, com tantas tarefas para fazer, esquecemos-nos muitas vezes de transmitir aos outros o quanto gostamos deles. E pode ser tão fácil, simples e bonito. Um Galchuda é uma surpresa mágica. Um frasquinho que contém sentimentos únicos. Fazer sorrir quem mais gostamos não custa assim tanto.

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Cada Galchuda está à venda por 8,10 euros e o grande empreendedor deste projeto é o jovem de 21 anos, Rui Nogueira. Estuda marketing na Escola Superior de Gestão e Tecnologias do Instituto Politécnico de Santarém e está a descobrir a veia artística para o negócio. Depois de uma vida inteira dedicada à área musical e a compor músicas que transmitem sensações às pessoas, percebeu que com o marketing pode também compor música na alma e no coração dos outros. Depois de dar um frasco à namorada com os 31 motivos de gostar dela, percebeu que aquele frasquinho poderia multiplicar-se por muitos mais. E assim surgiu esta ideia.

O Galchuda está presente no facebook, como uma forma importante de promover a comunicação. Todos os pormenores podem ser encontrados em https://www.facebook.com/galchuda. Para mais informações e para comprar um Galchuda basta enviar uma mensagem privada na página do produto. 

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No Natal venderam-se muitos Galchudas de filhos para pais, entre namorados e, na sua maioria, muitas raparigas ofereceram Galchudas às amigas. Um negócio que parece estar a crescer na  cidade de Santarém, que fervilha com algumas mentes criativas. 

Na parte de fora do frasquinho será colocada uma frase: “Os 31 motivos que te fazem ser…” ou outra original, sendo colocada a imagem de um smoking ou de um vestido cor-de-rosa. Há também a possibilidade de fazer uma montagem fotográfica com um acréscimo de 1 euro. Além de que podem ser acrescentados bombons, aumentando igualmente o valor do produto em 1 euro.

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Rui Nogueira salienta que o Galchuda não é apenas um frasco bonito, mas uma maneira de mimar alguém, uma forma de expressão, um gesto especial. “Espero que os Galchudas ponham o meu nome a circular. Que mostrem que com empenho, dedicação e trabalho árduo se consegue criar algo diferente. Que seja algo que me possa vir a orgulhar bastante no futuro”, diz.

Estando o dia dos namorados quase a chegar, por acaso já sabes como vais surpreender a tua cara-metade?

Faz com que desta vez seja diferente. Cria um momento especial.

O Galchuda pode ajudar-te e é tão bom fazermos sorrir quem realmente gostamos…

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~ Um frasco e 31 sorrisos ~

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Chá do Manifesto

E depois de um coração partido?

Depois de um coração partido ficam os pedaços da alma. Fica o vazio, as lágrimas que já não escorrem, o aperto que se torna hábito. Dizem que o tempo é o maior aliado e que tudo recompõe. É verdade. Com o tempo aprendemos a aceitar. Mas não é isso que nos faz esquecer. Deixamos para trás a todo o custo os momentos, as lembranças. Queimamos cartas, fotografias e tentamos fingir que está tudo bem. Queremos simplesmente passar à frente. Chegamos mesmo a sentir outros cheiros. Mas nunca nenhum será o suficiente para nos reconstruir o coração.

Depois de um coração partido tudo muda. É uma verdadeira viragem de página. Uma dificuldade em confiar. Um querer acreditar ainda mais no mundo sem conseguir. Ficamos no refúgio de nós próprios. Depois disso, o mar que navegávamos muda. Passamos a valorizar mais as pessoas que amamos e temos medo de as perder. Fazemos contas à vida e juramos nunca mais voltar a amar. Vemos amigos a namorar e até a casar. E nós preferimos permanecer sós. Deixar o coração sem amarguras é quase impossível.

Depois de um coração partido levamos muito tempo a lamber as feridas e a aceitar que elas ainda permanecem. Demoramos a acreditar novamente que realmente o amor existe. Demoramos a esquecer o inesquecível. Depois de tudo, a revolta demora a passar. Não queremos ter recordações, mas elas espreitam em cada esquina. É como uma chama que tende a aproximar-se e queima tanto que tendemos a fugir dela.

Depois fazemos novos amigos, vivemos novos momentos e descobrimos novas paixões que nos preenchem o vazio. Com o tempo tudo se torna mais leve e menos sombrio. Descobrimos a paz na companhia das pessoas que nos envolvem a alma. Pessoas que realmente estiveram sempre lá para nós. E que, afinal, o mais importante da vida está nos pequenos momentos.

Depois de um coração partido só queremos é voltar a ser felizes. Demora tempo e esforço. Muitos momentos de sacrifício, comprimidos, amigos e muita ocupação. Até que vemos que a vida avança e que quem nos partiu o coração não se apercebeu sequer da tamanha tempestade que nos causou. Talvez um dia descubra. Nós cá vamos continuando a avançar no melhor que podemos.

Quem sabe um dia, alguém apareça e dê provas suficientes de que vale a pena voltar a confiar. Enquanto isso vamos vivendo a nossa vidinha connosco próprios, na tranquilidade dos dias. Porque depois de um coração partido, acima de tudo, tem de existir uma boa dose de paciência.

Percebemos que afinal de contas a perda trouxe inúmeros ganhos. Nós passámos a ser mais e melhores. E, sobretudo, que as relações humanas são o mais nobre da vida.

Depois de um coração partido, não há nada que nos possam dizer. Apenas nós podemos voltar a sentir o vento a bater no rosto e a saborear os bons momentos.

E, no fim, tudo renasce e valerá a pena, porque sorriremos de forma mais sábia e, acima de tudo, aprenderemos a ser inteligentemente felizes.

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~ Um chá de esperança ~

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Chá das 3

Memórias da consoada na guerra do ultramar

Era 24 de Dezembro de 1972 e Maria Moura partia de Vila Cabral, Moçambique, até ao mato, num avião. Queria ir ter com o marido, Manuel Moura, militar que tinha ficado de prevenção naquele dia e já não podia ir passar o Natal a casa. “Se a mulher do comandante também lá estava com o marido, eu também tinha o direito de estar”, recorda Maria Moura, que levava consigo o filho David, de seis anos. Quando o avião aterrou o marido ficou estupefacto. Estava a jogar futebol e viu a mulher chegar sem estar à espera.

“Achei fartura a mais. Perguntei logo o que é que ela estava ali a fazer”, diz a sorrir. Uma aventura que não era a primeira para a esposa do atual sargento chefe aposentado, de 77 anos, que combateu na guerra colonial em Moçambique e em Angola. Maria, agora com 73 anos, sempre que podia apanhava um avião e ia ter com o marido. “Já tinha carne de vaca e camarão para a consoada. Assim que me disseram que ele ia ficar de prevenção e não podia ir passar o Natal a casa eu disse logo ao piloto do avião para me levar ao mato”, afirma, enquanto vão mostrando fotografias e uma colher de pau com “Moçambique” cravado na madeira. Recordações muito especiais e que a fazem afirmar que “era uma aventureira”, pois nessa noite, e em muitas outras, dormiu em colchões da tropa no chão.

O Natal para os ex-combatentes do ultramar não era um período fácil. Não só pelas saudades de casa e da família mas também porque a guerra seguia o seu curso indiferente ao calendário. Rogério Ferreira, 68 anos, que na época era furriel e combateu na Guiné entre 1970 e 1971, conta: “Estávamos a passar a consoada no quartel e houve um ataque pelas 19h00, quando começávamos a comer. Tivemos logo de nos ir esconder para dentro das valas com o prato da comida”. Acrescenta que, depois desse ataque, a noite de consoada ficou estragada e que se ficaram apenas pelas aguardentes.

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Também Jorge Rosa, de 72 anos, atualmente tenente-coronel na reforma, se recorda de uma consoada em que viveu dois ataques em Angola. “No dia 24 de Dezembro os soldados precisavam de um oficial para ir comandar uma coluna para ir buscar o correio e eu fui. A meio da viagem de jipe rebentou uma emboscada, mas foram só uns tiros e foram-se embora. Quando chegámos ao quartel fomos festejar a noite de Natal”, recorda, acrescentando que nessa mesma noite houve também um ataque no quartel. “Felizmente não houve mortos. A vida em África era isto, sempre com o coração em ânsias”, diz. Meses depois foi ferido em combate e ficou sem uma perna. Tem uma cruz de guerra e afirma que no Natal havia uma melhoria na alimentação.

“Não faltava o bacalhau, que às vezes era mais sal do que bacalhau. Não havia bolo rei, mas havia umas bolachas fabricadas pela manutenção militar e um copinho de vinho”, salienta o sargento-ajudante aposentado Almiro Dias, 81 anos, que combateu em Moçambique, Angola e Guiné, entre 1960 e 1974, dizendo que aquela era a época do ano em que todos se lembravam da família e dos amigos com mais saudade. Na noite de consoada era redobrada a vigilância, pois as forças adversas podiam aproveitar para efectuarem um ataque. “Quem estava de serviço tinha de estar com atenção para salvaguardar os outros camaradas que não estavam de serviço”, afirma.

Jaime Cunha, 81 anos, que na época era primeiro-sargento e que esteve em Angola durante quatro anos, diz que na consoada se procurava fazer no mato o que se fazia em casa. “Nós tentávamos esquecer a saudade bebendo mais um copo e lá se ia aguentando”, relembra, emocionado.

Depois havia quem usasse os talentos para o desenho em cartões grandes de Natal. “Havia sempre uns rapazes com jeito para o desenho e fazíamos um cartão escrito com Feliz Natal, tirávamos fotografia e mandávamos através de carta para a família em Portugal”, conta António Madeira, de 76 anos, que era primeiro-sargento enfermeiro. “Nós éramos uma família. Nessa época para nos divertirmos até fazíamos passagens de modelos”, diz. Combateu pelo país em Angola, entre 1961 e 1963, e recorda um ano em que, antes do Natal, andaram 58 dias consecutivos a comer uma lata de atum, uma lata de sardinha e um pacote de bolachas por dia. E também sentia muitas saudades. “Estávamos todos longe, tão longe. Estávamos todos isolados no mato. Era muito difícil. Lá não havia onde se comprasse uma cerveja ou uma garrafa de água”, lembra.

Mas também há quem tenha boas recordações desses tempos e afirme mesmo que se tivesse de voltar novamente à guerra, gostava de voltar a fazer o que fez. Rui Sobral, 65 anos, actualmente é empresário e foi soldado em Moçambique entre 1970 e 1974. “Numa consoada tivemos uma festa de Natal, na zona do mato, em plena guerra. Estava lá um primeiro-sargento connosco e estava lá a esposa grávida. Passámos a noite a fazer rabanadas. Éramos nós e uma senhora. Também se cantou o fado e tocaram-se umas guitarradas”, referiu, confessando ainda que “havia muita saudade da família, mas aquela era uma nova família militar”.

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~ Recordações de Natal debaixo de fogo ~

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Chá do Manifesto

Inesquecíveis cantinhos do coração

Num ápice tudo muda. A forma de olhar o mundo e a sensibilidade que se alcança numa experiência única. Há momentos que não se explicam, apenas se sentem. Torna-se bastante difícil descrever o quanto aquela semana me preencheu a alma. O quanto é bonito ver aqueles sorrisos, as almas preenchidas com aquilo que nem nós imaginaríamos. Todos tinham o olhar recheado de algo especial que nem sequer tinham reparado. A vida não lhes permitiu. Mas ali, durante aquela semana, alguém se preocupava com eles. Sim, falo de jovens que têm a vida inteira pela frente, mas que não tiveram a sorte de viver numa família estruturada, como a maioria de nós. A instituição é o seu lar e a esperança de um futuro melhor.

O campo de férias começou de forma difícil: todos testavam os nossos limites. Eram mais de trinta. Já não eram crianças: eram homens e mulheres a crescerem a cada dia. Nós, como monitores, tínhamos de ser persistentes e lutar, todos os dias, para atingir aqueles sorrisos. Um simples sorriso que para nós seria tudo.

Brincadeiras, animação, momentos de pressão, mas com trabalho de equipa chegámos ao fim concretizados, como sempre. Tivemos de ser fortes para continuar, com o mesmo objetivo cravado no coração: aqueles jovens iriam ter momentos felizes que nunca mais se iriam esquecer. Parece algo muito simples, não é? Mas para eles foi tudo. A forma como entraram no campo e como saíram dele. Estavam vivos e felizes. Alguém se tinha dedicado a eles. Alguém acreditou e não desistiu. É este sentimento que lhes pretendíamos transmitir. No fim, após noites mal dormidas e dias em atividade constante, sabíamos que seriamos mais felizes depois daquela semana, que pareceu ser uma vida inteira. Seríamos pessoas mais preenchidas com aqueles sorrisos, por não desistirmos de quem também não desistiu de nós.

Queriam recordações nossas. Demos pulseiras e trouxemos umas quantas. Objetos que simbolizam o mundo. Sempre que olho agora para o meu pulso sinto o coração cheio, por ter feito bons amigos, acima de tudo. Estes jovens são muito especiais. O problema é que são, na maioria das vezes, rejeitados pela sociedade. Usam uma postura defensiva, porque não permitem que ninguém lhes entre na alma. Usam uma máscara. No fim, eles são possuidores de uma sensibilidade enorme e de um espírito de sacrifício que nem eles calculam. Soubessem a força que têm e o mundo seria deles. Precisam de alguém que os compreenda, que converse com eles, que brinque e alinhe no seu sentido de humor. São jovens em busca de um sentido de vida. Em busca daquilo que todos queremos: felicidade.

Mais do que dar, foram os sorrisos, as lágrimas, os momentos difíceis e de alegria que levaríamos agarrados a nós em cada cantinho da nossa existência. Se me vou esquecer algum dia daqueles sorrisos e daquelas lágrimas? Não, ficou para sempre no coração, na memória, em cada pedaço de mim. Quando se despediram, por entre lágrimas, sorriram e disseram “Obrigada”! Num misto de introspecção, depois de tamanha experiência, não há nada mais grato do que esta memória inesquecível: um simples “obrigada” e um abraço apertado. Seriamos mais felizes todos os dias a partir dali. Se tivesse sido fácil não teria valido a pena.Venha quem vier, aconteça o que acontecer, nunca ninguém irá conseguir compreender o que se sente em tamanha experiência. O quanto o coração vibra por um jovem sorrir. Como as cores ficam mais bonitas. Como todos os problemas se tornam mais pequeninos. Como simples dias transformam a nossa maneira de ser para sempre.

Citando Fernando Pessoa “o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”. Não há frase mais certa e bonita. É o que sinto quando olho para trás e não há nada mais genuíno do que aquilo que guardo num dos cantinhos mais especiais do coração: Obrigada por me terem ensinado tanto!

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~Um chá de recordação~

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Chá do Manifesto

Sociedade, essa raça louca

Há pouco tempo estava eu a ler um artigo no Público, relacionado com a pressão dos vinte e poucos anos, e comecei a refletir sobre esta idade que tudo coloca em questão e em que somos obrigados a seguir determinados padrões impostos pela sociedade. Somos pressionados a toda a hora: temos de ser os melhores, decidir o que fazer profissionalmente para o resto da vida, preencher os requisitos para sermos bem sucedidos a nível amoroso: ter um(a) namorado(a) parece até ser quase tão importante como respirar.

Felizmente há ainda quem acredite que a felicidade não passe só por aí, mas sim na relação que temos connosco próprios e na expansão de novos horizontes através de viagens alucinantes pelo mundo. Mas, na maioria, todos queremos parecer os “certos”. Vivemos numa corrida incontrolável para atingir uma meta que não sabemos muito bem qual é. Seguimos padrões que, no fundo, nem sequer concordamos. Queremos parecer  os melhores. Mostramos os sorrisos e escondemos as lágrimas. Partilhamos com os outros uma vida equilibrada ao mesmo tempo que estamos cada vez mais longe de nós próprios.

Competimos desalmadamente por um emprego, muitas vezes, precário: sabemos que temos de começar por algum lado. E para o conseguirmos fazemos de tudo. Queremos dinheiro, diversão, um(a) companheiro(a). Há até quem fique por um namoro de longa data por uma questão de comodismo. “Agora já é muito tarde para mudar”. E assim se vive numa aparente felicidade, composta pelo cinismo dos dias que correm sem sentido. E assim vamos caminhando mais distantes dos outros. Cada vez mais longe dos nossos sonhos. Cada vez mais sem questionar. Cada vez mais estúpidos e comodistas. Olhamos para o nosso umbigo só e apenas. Já nem amigos de verdade somos. Somos falsos e mesquinhos. Dizem que este é o melhor período da nossa vida, mas estragamos tudo com a puta da conveniência.  

Cada vez somos menos livres. Pensamos de acordo com esta sociedade maluca. Queremos seguir a norma, para não sermos expulsos dessa dita sociedade, “essa raça louca”, que destrói sonhos. Enquanto não pararmos de viver ambiciosos com os sonhos que a sociedade faz por nós, jamais seremos livres. Mas afinal, o que é a liberdade? É o pensamento a escorrer para fora das normas, das pessoas, das multidões que nos sufocam e que não nos deixam ser nós próprios. Esta sociedade maluca que nos vai ofuscando e camuflando o nosso verdadeiro instinto. 

Já pensaram como nos vamos manter depois da máscara cair? Sim, a máscara vai cair. Ela é bonita, mas só aos olhos dos outros. Aos nossos, o placar de suporte vai-nos partir ao meio e nós vamos cair com ele. Somos um paradoxo entre a liberdade de nós próprios e a liberdade falsa de uma sociedade utópica que continuará a dissolver todos os nossos sonhos mais puros, inocentes e bonitos, toda a nossa alma que teima em se esconder dentro de nós e que dificilmente sairá cá para fora. 

Mas…há ainda quem dê o Grito do Ipiranga. Há quem viaje, quem goste da própria companhia, há quem rume a projetos de voluntariado para outros países, há quem VIVA de acordo com a própria alma. Há ainda quem troque as regras do jogo. 

Há ainda quem se atreva a ser livre sem ti, ó sociedade louca!

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~ Mil chás de liberdade ~

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Chá do Manifesto

A vida é feita para voar!

Sais de uma rajada só e sabes que te espera o mundo lá fora…

Sais porta fora na ânsia de viver mais uma aventura, mais uma lição que te fará sentir arrepios na pele e o estômago às voltas. Precisas de desconforto e desamparo para te conseguires amparar sozinho. Enfrentas tudo e por instantes até tens vontade de desistir. Mas, num ápice, cresceste e nem deste por tamanha transformação. Afinal conseguiste lidar com todas as desilusões que te passaram pelo caminho e por todas as dificuldades que pareciam tão cruéis no início. 

Sais para lá do teu porto de abrigo e doí-te o coração em deixares para trás pessoas, sítios, cheiros e momentos. Dói mais do que nunca quando pensas no que realmente te preenche a alma. Não por tristeza, mas porque a saudade magoa.

Descobres um mundo diferente, com pessoas que te olham sem saberem quem realmente és. Tentas não olhar para trás. Avanças, e já quase sem estremeceres, projetas em ti o que não esperavas sequer possuir. Passas a caminhar por passeios diferentes, cruzaste com outras pessoas, apanhas outros transportes e simplesmente quebras as tuas rotinas passadas. Suspiras de alívio, mas dói tanto ao mesmo tempo. Não tens saudades de rotinas, mas de pessoas. Como as relações humanas nos movem o coração…

E é precisamente nesses momentos que descobres: o conforto começa quando sentes desconforto e respiras mais profundamente depois de respirares outros ares. Percebes a importância que certas pessoas têm na tua vida, quando os teus dias são preenchidos pelo vazio da distância que te separa delas. 

Vais quase morrer de saudades, mas no fim vais compreender que se elas não existissem nunca descobririas o que verdadeiramente sentes por quem deixaste para trás. E sorris!…Sorris todos os dias com mais vontade, mesmo com a saudade estampada no coração. A cada dia que passa aprendes a viver com ela e cresces num mundo sem rumo que te desafia cada vez mais. 

Descobres no fim desse tempo, depois de todo o sofrimento, reprovações, dificuldades, despedidas, saudades, partidas, chegadas, cartas, telefonemas à distância, sonhos perdidos por outros, angustia, novas alegrias e adaptações, que tinhas de sentir tudo isso à flor da pele. Sabes porquê? Aprendeste que esse dilema profundo entre os nossos desejos e aquilo que é a realidade que temos de enfrentar, se chama viver. E aprendes a não rejeitar a vida e aquilo que ela te dá. Seja bom ou mau, ela lá terá as suas razões por te colocar à prova tantas e tantas vezes.

Agora consegues sorrir com o mais simples da vida, no conforto que sentes diante do desconforto. Sabes que acabarás por viver outras mudanças, num círculo vicioso que já nada te faz temer. 

Sabes que mais? Estás a aprender a ser forte para poderes ser ainda mais feliz um dia. Tu vais sê-lo, demore o tempo que demorar… num dia depois de amanhã.

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~ Ultrapassa os teus próprios limites ~

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