Chá das 3

Ser artista é ser comunicador

Eles são seres muito especiais. Não têm nada por fora que os distinga. É na delicadeza da alma e do olhar que os podemos encontrar. É nas palavras e tons que usam que tornam a vida mais limpa e mais bonita. São sonhadores e com um sentido profundo de ser. Buscam o perfecionismo a cada instante. Uns usam a escrita, outros a música, outros a pintura e até a representação. Todos eles têm valor. Através da arte são comunicadores do mundo por transmitirem aos outros o que lhes vai na alma.

A música é pura comunicação, sintonia, magia e inteligência. A pintura busca nas suas cores e formas a beleza de sentimentos e pensamentos. A escrita transforma simples palavras em poesia. A representação encontra na arte do teatro ou da dança a beleza de recriar a realidade.

Por vezes, grandes artistas desistem do seu grande sonho. Talvez por falta de inspiração, de tempo ou desmotivação. Os momentos de bloqueio existem. A inspiração tanto poderá surgir subitamente, como desaparecer se não estiverem atentos. Mas conseguir trespassar estados de alma de uma forma tão profunda não é para todos, pois não? Os artistas estão atentos a todos os sentidos, até ao mais pequeno pormenor. Têm um coração enorme e uma sensibilidade mágica.

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Há pouco tempo fiz uma visita guiada aos Azulejos de Lima e Freitas na Estação do Chiado. Fiquei surpreendida com a imensidão da subjetividade contida em algo que todos os dias passa despercebido ao olhar de quem vive apressadamente. Deveríamos parar e procurar mais pelo saber. Ainda temos tanto por descobrir. Temos sempre. E os artistas ainda mais.

Por isso, caros artistas lutem pela vossa própria arte e sintam-se concretizados a partir do momento em que consigam colocar no interior dos outros o que vive no vosso. Espalhem grãos de magia e inspiração pelo mundo. Não deixem nada escondido, nada por dizer. Expressem a vossa arte e as vossas ambições. Sejam comunicadores do mundo.

Caros escritores, músicos, poetas, atores, pintores e até mesmo fotógrafos, não desistam da vossa arte, da vossa forma de comunicação espontânea com o mundo. Não desistam daquilo que vos faz sentir vivos e que vos faz acreditar num mundo tão belo. 

Não desistam do vosso maior sonho!

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~Vivam a vossa arte… Vivam o vossa comunicação ~

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Chá do Manifesto

És responsável pelo que cativas

“Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a tornou tão importante”. A raposa do livro “Princepezinho”, de Antoine de Saint-Exupéry, já  sabia a importância do tempo, do esforço e da capacidade de reconhecermos algo como nosso. Ensinava que o tempo dedicado à nossa rosa a torna diferente e especial. Hoje, não sabemos cuidar dela.

Somos responsáveis por tudo aquilo que cativamos. Dedicamos tempo, esperança, força, expectativas e sentimentos. Seja numa simples amizade, num amor, ou numa amizade colorida. A rosa deveria ser o nosso maior tesouro. Como é possível mandá-la ao chão, depois de tanto tempo dedicado? Depois de termos dado o nosso mundo ao outro? Já não sabemos o valor da palavra CATIVAR: ou melhor, sabemos, mas não o respeitamos. 

O mundo do outro é muito importante. Se o cativarmos seremos eternamente responsáveis por ele. Temos de saber cuidar, sermos humanos e inteligentes. Sim, a inteligência não é só fazer cálculos matemáticos e saber vários conceitos detrás para a frente. Ser inteligente é compreender que o mundo não vive só dentro do nosso umbigo e que há um mar de sentimentos além de nós. Despertamos o mundo do outro (a nossa rosa) e por isso temos de respeitá-lo. Então, porque motivo se desiste e a tratamos tão mal? Será que não gostamos de nós o suficiente ao ponto de não a guardarmos com carinho? 

O que eu vejo são amizades a serem trocadas por grandes nadas, amores a serem deitados fora num simples obstáculo e amizades coloridas que acabam porque afinal tudo não passou de uma “precipitação”. CATIVAR! Alguém sabe a importância que esta palavra assume? Alguém tem noção do quanto isso toca, todos os dias, a nossa vida? Somos cobardes. Trocamos a nossa bela e fresca flor por banalidades, por fraqueza, por cobardia. Sim, cada vez somos mais egoístas. 

Antes, as gerações eram ensinadas a reconcertar, quando alguma coisa se estragava. Hoje, simplesmente trocamos por outra. Vivemos na geração descartável. Esta é a razão pelo qual as amizades já não são tão sinceras e os amores muito menos duráveis: na verdade, nunca chegam a ser amor. Vivemos de simples paixões. Umas mais avassaladoras do que outras. Vivemos para nós. Esquecemos-nos da nossa rosa. Seguimos caminhos que definem por nós e vendemos a alma. 

A tua rosa é tão bonita. Não a estragues. Não a desvalorizes. Se lhe dedicaste tempo é porque ela é especial. 

Assim se cativares alguém, fá-lo com responsabilidade e certeza, porque ao fazê-lo tornas-te parte desse outro alguém, se ele for também capaz de o fazer contigo. Eu acredito. E tu?

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~ És eternamente responsável por aquilo que cativas ~

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Chá das 3, Coisas de RP

Um brinde ao Ribatejo

“Sou Ribatejana”, respondia eu com um nítido orgulho no olhar, quando me perguntavam sobre as minhas origens. Já vivi em várias cidades deste nosso Portugal, mas as raízes nunca deixaram de me aquecer o coração. A beleza da lezíria e do Tejo, o sotaque ribatejano e todos os bons petiscos: a Sopa da Pedra de Almeirim, os fabulosos Torricados, os pratos de touro bravo regados a vinho, e claro, sem nunca dispensar um bom tintinho à moda do Ribatejo.

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Por este dias a região vive grandes festividades, convívio entre amigos, petiscos e as tradicionais corridas de touros. É que a Feira Nacional de Agricultura está de volta a Santarém: começou no passado sábado (6 de junho) e prolonga-se até ao próximo domingo (dia 14). No Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA) podem ser visitadas variadas exposições: maquinaria agrícola, pecuária, bovinos, caprinos, cavalos, artesanato e produtos alimentares, desde doçaria a enchidos. Há ainda as maravilhosas provas de degustação de vinho.

Também música não falta. Muitos concertos preenchem o cartaz: amanhã é noite de Azeitonas. No penúltimo dia do evento Anselmo Ralph sobe novamente ao palco como no ano passado, onde conseguiu encher por completo o recinto da Feira. Além disso, à meia noite, pode-se assistir sempre à famosa picaria ribatejana. Sábado é noite de Mesa da Tortura para os mais corajosos. 

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Ontem, visitei a Feira do Ribatejo com uns amigos. Fomos logo ao pavilhão dos produtos alimentares. Queríamos provar uns bons queijos, chouriços e mel. Passámos por um expositor da Golegã que nos despertou bastante o interesse. É que o gestor Jorge Antunes mostrou um entusiasmo desigual ao falar do seu negócio, que já esteve mais longe de ir além fronteiras.

É o pioneiro dos Pastéis de São Martinho: começou a experimentar na cozinha por tentativa erro, até encontrar a receita ideal em 2013 e patentear a marca. Pretendia criar um pastel típico da vila da Golegã e assim juntou os ingredientes conhecidos da região: a castanha assada e o abafadinho. E não é que brindámos com um bom abafado e provámos um pastel de São Martinho? Lembra o Pastel de Belém, mas com recheio de castanha. No forno, é possível cozer oitenta pastéis em apenas vinte e cinco minutos.

pastel de sao martinho

Jorge Antunes diz que ser autodidata é fundamental para um negócio de sucesso. Por isso é que no início do ano abriu um novo espaço de restauração na cidade de Fátima. Lá serve o “Segredo de Fátima”, pastel que deu nome ao estabelecimento. Tem recheio de castanha e chocolate, polvilhado com amêndoa. A massa é também uma receita própria e é uma homenagem aos três segredos de Fátima. 

segredo de fatima

O novo conceito procura apostar em sabores totalmente diferentes. A sobremesa “Baba de Cavalo” é exemplo disso. Pode-se juntar ao menu do almoço ou jantar. Provámos e o sabor é irresistível. Só que a receita é segredo. A sobremesa é cremosa, fresquinha e deixa qualquer um preso até ao último bocadinho. E a verdade é que as vendas têm disparado.
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Além disso, no restaurante “Segredo de Fátima”, servem-se ainda a bifana em bolo do caco e o hambúrguer de bacalhau. Um conceito diferente e de enorme sucesso no mercado. Um exemplo de espírito empreendedor e, sobretudo, trabalhador.

A crise é também uma época de novas oportunidades para os mais audazes. Com espírito de sacrifício tudo é possível. Novas marcas e novos negócios de sucesso poderão surgir. É este o espírito que valorizo na região. Somos batalhadores. Somos de sangue lusitano. Enfrentamos o touro pelos cornos e somos, acima de tudo, amantes dos nossos costumes.

Sou Ribatejana de alma e coração. Serei sempre, com muito amor às minhas tradições. 

Venham visitar a 52ª Feira Nacional de Agricultura.

Os bilhetes diários são sete euros. 

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~ Um Chá e um brinde ao Ribatejo ~

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Chá do Manifesto

Ainda há cartas de amor?

“Os apaixonados ainda escrevem cartas”. Li num pacote de açúcar num dos meus chás matinais. Fiquei estática a olhar para ele. Mexia comigo mais do que aqueles textos bonitos e recheados de melodias românticas que por aí andam a saltar de página em página. Colei o pacote na parede do quarto. Dia após dia olhava para ele e questionava:“será que ainda escrevem?”.

As novas tecnologias encurtam agora distâncias numa questão de segundos. Basta um simples “click” e ali estão os modernos apaixonados a trocar mensagens lamechas em plena rede social. Como se o amor fosse uma montra de moda, onde todos seguem a tendência, sem questionar. O amor virou aparência e a partir dele vieram os amantes modernos. Trocam mensagens de texto e tiram selfies para partilhar no Facebook ou Instagram. O amor já não é capaz de viver em casulos isolados. Ao contrário disso, passou  a ser partilhado e comentado por todos.

Estar apaixonado não é gostar tanto de alguém que o coração bate a mil à hora? Amor não é querer essa pessoa como o maior presente do mundo? Não é ir até ao fim do mundo para estar com ela? A verdade é que as tecnologias passaram a ser a solução mais fácil e cómoda.

Será que ainda sabemos escrever cartas para aquela pessoa que nos faz sentir borboletas na barriga? Seremos ainda capazes de expressar esse sentimento imenso com a nossa própria letra, de alma grande e partilhar apenas com quem nos invade o pensamento todos os dias? O que se verifica é uma panóplia de aparências que vão sair da moda, porque um dia perderão a piada.  Vivemos de amores enfeitados por aquilo que ainda ninguém conseguiu definir.

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O pacote de açúcar permanece na parede do meu quarto. E todos os dias me provoca. Os apaixonados ainda escrevem cartas, mas são cartas diferentes. Já não as podem guardar numa gaveta e mais tarde reencontrá-la com a cor da letra fugida pela passagem do tempo e dizerem num tom nostálgico: “esta pessoa faz parte da minha história”.

E se a carta já não for do nosso apaixonado, então surgirão recordações de uma doce paixão que apareceu e que se foi, mesmo que nos tenham partido o coração em mil pedaços.  E que importa? Temos ali a letra aos nossos olhos, as palavras fugidas e sinceras, porque não há nada mais bonito que escrever pelas nossas próprias mãos. Não há nada mais genuíno que a simplicidade da recordação.

O mundo rápido e louco transformou os sentimentos em passagens rápidas e robóticas. Amor agora é conforto e não luta. É egoísmo e não bondade. O amor passou a ser comparado a uma peça de roupa: depois de perder a graça é trocada por outra. E o amor que escreve cartas, poesia e canções vai-se embora do mundo que não consegue entrar. 

Na verdade, só os corajosos é que ainda escrevem cartas de amor. Só eles têm a coragem mágica de sair da zona de conforto e expressar tudo o que lhes vai na alma. Partilhar um sentimento tão intenso é tudo menos fácil. 

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Caros apaixonados, não tenham medo de ser corajosos e loucos. Escrevam cartas. Esqueçam a moda. Rasguem a ousadia e declarem-se numa simples folha de papel. Podem até perder uma hora na fila dos correios e a carta até poderá só chegar no dia seguinte, mas o vosso apaixonado vai tocar na folha que também tocaram e sentir a vossa letra no papel.

E haverá maior beleza do que essa? O esforço, o genuíno, o apaixonante. Não tenham dúvidas: as cartas vão ser guardadas para sempre, nos sítios mais escondidos para desesperadamente serem esquecidas e mais tarde recordadas. 

Os corajosos ainda escrevem cartas, porque acreditam que o amor sincero e altruísta ainda é possível. Que o amor difícil é o mais forte de todos. E porque isto de gostar de alguém causa vertigens. É difícil de controlar e expressar. Não é nada fácil. É uma tempestade sem fim. Mas é tão bonito quando vivido. Acreditem. O amor que escreve cartas é tão raro. Mas ainda existe. E posso garantir: é inesquecível.

«Quantas Sophies pensas que existem no mundo? Não esperes cinquenta anos para descobrir!»

In Letters to Juliet

~ Mil Cartas e Um Chá ~

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Chá do Manifesto

Bullying: O pesadelo anunciado

O toque de intervalo soou na sala de aula. A angústia e o sentimento de rejeição apoderaram-se dela. Tinha apenas doze anos. Gostava de ler, de observar a natureza e de escrever. Era diferente e tímida. Mas elas, bem, elas eram todas iguais. Pelo menos em grupo. Em grupo as colegas de turma eram fortes (ou não seriam a mais fracas de sempre?). Lá, no segundo piso da escola, nada de mal lhe poderia acontecer. A campainha era o terror anunciado, com o som dos passos apressados pelas escadas abaixo. Mais uns minutos de tortura psicológica. Ela sentia-se bloqueada, numa luta que não lhe deveria pertencer. Uma disputa de muitas para uma só.

Havia uma líder, que escondia fraqueza num ar superior. Todos os dias se reunia com a matilha e focava toda a atenção na mesma presa. No fim, a rapariga de olhos cabisbaixos ia para casa e fechava-se no quarto. Escrevia no diário e chorava. Não havia esperança. Todos os dias eram iguais. Humilhação e exclusão por parte dos colegas. Afinal, fazerem parte da matilha para não serem as presas, era o caminho mais fácil.

Ela não percebia a maldade daquelas miúdas. Mas, um dia acordou e bateu o pé. Deu um golpe de coragem e resolveu mudar de vida. Contou aos pais e aos professores o quanto estava a sofrer. A revolta da matilha foi incalculável. Sofreu ainda mais. Todos os dias queria desaparecer. Teve a sorte de ter bons pais por perto. Os pais das agressoras não acreditavam. “Afinal, como é que a minha filha faz algo do género?”. Mas fazem, sabem? As vossas queridas filhas não são santas. E a culpa é vossa, porque não lhes transmitem os valores certos. A culpa é da vossa falta de atenção com elas.

Estamos a falar de pessoas da futura sociedade. E quanto aos professores: pretendem continuar a formar mentes inúteis? Formar egos que só existem rebaixando egos alheios? Vão apenas despejar mais matéria formatada, veiculada nos livros, ou vão ensinar valores cívicos? Ajudem estes jovens a encontrar um caminho onde a força não seja usada contra os outros.

Essa menina, de olhos curiosos, que pensava muito sobre o mundo, mudou de escola. Fez novos amigos. Saiu fortalecida. Percebeu que não pertencia à matilha por ser diferente e ter uma vida especial por descobrir.

O vídeo que está a circular pelas redes sociais e na comunicação social tem sido alvo de comentários por parte de muitas pessoas, sem a mínima noção do que é o bullying. Muitas nunca foram todos os dias para a escola com as pernas a tremer e as lágrimas guardadas em páginas de um diário. Só sabem a teoria. Que tal partirem para a ação? Que tal entenderem que os dois lados da moeda necessitam de ajuda? Quem agride tem necessidade de atenção. Quem é agredido, precisa de carinho. E quem agride também. Precisam de alguém que lhes dê a mão. Que mande uma palmada na mesa.

Aquela menina teve o carinho de uma família estruturada. Outros meninos podem não ter. Vamos permitir que uma vida que ainda mal começou seja miserável? Que uma auto estima ainda em formação leve ao suicídio? Parem de falar sem saber. A solução está dentro das vossas próprias paredes. Cuidem dos vossos filhos, transmitam-lhes amor e carinho. Mostrem-lhes que eles valem mais do que pensam. E, caros professores, não foquem tanta atenção em critérios banais. Observem, transmitam valores de companheirismo e de igualdade.

A campainha voltou a tocar. Saiu pelos portões da escola aliviada por menos um dia aterrorizante. Ela, a quem que lhe chamavam de anti social, “tam-tam” e outras agressões de carácter psicológico, hoje é confiante e comunicativa.

A menina que trazia sempre um livro debaixo do braço e que suava quando a campainha da escola tocava, ela sim, sabe hoje o verdadeiro significado da palavra bullying. Vão continuar a comentar sem saber? Ou vão começar a tomar atitudes?

Vão apenas promover campanhas de sensibilização? Ou que tal começarem na vossa própria casa, na vossa própria sala de aula?

Menos palavras, mais ação. Pensem nisso.

~Um chá de reflexão ~

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Chá das 3

Headshaker de alma e coração

Há quem diga que sou obstinada, divertida, comunicativa, revolucionária e até que tenho uma pitada de loucura. Sim é verdade, não me considero uma pessoa normal. Recuso-me a viver sem pensar sobre o mundo. Nunca serei conformada. Quero ser mais e melhor todos os dias. Por isso, deixo sempre uma pétala nas pessoas, nos momentos, nas palavras, nas entrelinhas.

Sou de Santarém. Ribatejana de gema, mas amante do mundo. E essa enorme ânsia por descoberta levou-me a sair de casa aos dezoito anos. Rumei a Coimbra para me licenciar em Comunicação Social na Escola Superior de Educação. Uma cidade que me deu mais do que um canudo. Conquistei amigos, experiências, encantos e novos valores cívicos.

Aos vinte anos fui viver sozinha quatro meses para Lisboa: um estágio no jornal Diário de Notícias motivou-me a continuar na área da comunicação. Queria escrever. Escrever muito.

Depois regressei a Coimbra, para um Mestrado em Comunicação e Jornalismo na Faculdade de Letras. No segundo ano fui colocada na RTP do Porto, como jornalista estagiária. Vivi em Vila Nova de Gaia durante cinco meses. Fiz bons amigos na cidade Invicta. Fiquei apaixonada pelas gentes do Norte. O sotaque, a simpatia e um Douro que transborda de beleza são inesquecíveis. Fascinei-me pelo mundo da televisão: o poder da imagem e o trabalho de equipa foram uma experiência desigual.

Coimbra, que me viu a entrar menina, observa agora uma jovem mulher determinada, confiante, lutadora e sempre a querer mudar o mundo. Por falar nisso, tenho um sonho: fazer voluntariado num país com uma cultura totalmente diferente.

Hoje, com 23 anos, estou a concluir a tese de Mestrado e inserida em diversos projetos. O teatro é um deles, onde posso expandir a criatividade. Sou apaixonada por literatura e fotografia. Não vivo sem desporto. Um bom pé de dança no final do dia cai sempre bem. Caminhadas pela natureza refrescam-me a alma.

Sou muito frontal. Não tenho papas na língua. Nem sempre tenho o melhor feitio do mundo, mas um sorriso no rosto para mim e para os outros nunca me falta. Sou otimista e curiosa. Quero voar por céus altos e bonitos. Aqueles que posso conquistar com muito trabalho. Sim, tenho espírito trabalhador. Bichinho carpinteiro não me falta e muitas ideias na mente. A vida não é fácil, mas que piada teria se fosse? Quero inovar e transformar o mundo dos outros num lugar melhor.

Ser uma headshaker é um novo desafio. Que agarro, como sempre, com muito orgulho.

~ Vamos ser mais felizes com um chá de loucura? ~
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