Entrevistas

Uma mulher, um corpo tatuado e mil sonhos no coração.

Numa conjuntura onde conseguir emprego é um desafio, eis que o preconceito têm lugar na hora da escolha e decide por si só. Falo de tatuagens. Há quem tenha, há quem aprecie e há quem critique com sete pedras numa mão. Tatuar o corpo é uma das formas de modificar o corpo mais conhecidas e cultuadas do mundo. Não é de agora. Não é moda. É uma expressão artística. É ser-se uma obra de arte viva. Daniela Sanches, 26 anos,é profissional em pós-produção de vídeo, amante desta forma de expressão, têm quase 50% do seu corpo tatuado e hoje é nossa convidada em entrevista.

1. A primeira pergunta de todas e provavelmente a mais frequente, é quantas tatuagens tens? 

Não sei, já perdi a conta…mas dá-me dois minutos para as contar, hm…são 35!

 2. Já sentiste algum tipo de preconceito pelo facto de teres tatuagens?

CLARO que sim, vivó Tuga…sobretudo em trabalho, e pessoas de mente muito reduzida!

3. Alguma vez sentiste que por teres tatuagens perdes-te uma oportunidade ou até o inverso?

Já senti as duas, mas muito mais a primeira…perder. 

5. Em certas situações, já sentiste necessidade de esconder as tuas tatuagens?

 Sim, precisamente em entrevistas de emprego em que poderiam ser um impedimento para essa vaga.

6. Achas que ainda há muito preconceito relativo às pessoas tatuadas?

Já melhorou, mas ainda há e teima em continuar…e as raparigas continuam a ser as mais criticadas, sinto que esse preconceito é mais sentido pelas raparigas que nos rapazes. Como em outras situações, parece que uma miúda ter tatuagens é coisa rebelde e que não combina.

7. No teu corpo, quase metade é tatuado, por algum motivo, já sentiste arrependida?

Não. Não mesmo.

8. Dessas 35 tatuagens, qual a tatuagem que mais gostas?

A tatuagem do meu avó…um desenho 5/10/1964 que o meu avó desenhou quando esteve preso pela PIDE. O desenho mostra um momento de férias, “férias em Hawai”, são 2 palmeiras, o mar, 2 pin-up’s, um surfista, e aquele típico homem americano mais velho de camisa florida.

9. Se um dia tiveres filhos, que mensagem lhes vais passar sobre as tuas tatuagens e tatuagens no geral? 

(entre uns minutos de silêncio) Esta é difícil…primeiro ainda em pequenos quero que o meu corpo seja o livro de colorir deles, acho que podemos fazer umas brincadeiras giras, depois quando crescerem e entrarem na fase dos porquês, quero lhes explicar o que é a arte, o meu gosto pela arte, por esta arte, a corporal…depois dar-lhes a conhecer o significado de cada uma delas, acho que vão ficar curiosos, e sim porque nenhuma delas foi feita à toa!

E um dia que eles queiram também tatuar o corpo, gostava de saber quais a perspectivas profissionais deles, porque sabemos que há áreas em que é difícil ser-se aceite por se ser tatuado, e só permitirei que o façam quando tiverem realmente a certeza, provavelmente quando tiverem 18…ou 19 anos que foi quando eu fiz a minha primeira tatuagem.

10. Depois há aquelas perguntas-tipo, o que fazes, ignoras ou respondes?

  • O que significa? (geralmente perguntado por um desconhecido em lugar público)
  • Como assim fez porque apeteceu? tem de ter algum significado, né?
  • como é que vais arranjar emprego assim?
  • já te imaginas-te como vais ficar quando tiveres 80 anos?

Eu respondo, embora a minha vontade fosse outra, mas respondo sempre educadamente. Não percebo o fundamento dessas perguntas, porque eu também não pergunto porquê que te vestes assim, porquê que tens esse carro…mas essa do já imaginaste como vais ficar aos 80 anos…yeah, vou ser isso, uma velha de 80 anos tatuada com os meus bulldogs, os meus gatos, autêntica e feliz, espero, mesmo aos 80!

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~ um chá e umas quantas tatuagens ~

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Chá do Manifesto

Quando a pílula é a pior escolha!

Não sou daquelas pessoas que coloca as segundas-feiras dentro daquele estereótipo de dia chato de regresso ao trabalho depois do fim de semana (que sabe sempre a pouco). Pois bem, depois de um dia de trabalho, chego a casa e nos meus afazeres, recebo uma chamada. Era a minha irmã. Conversa boa, mas que trazia também uma noticia menos boa. Noticia que nunca se espera. Acabava de saber que uma amiga, uma amiga de infância, que crescemos juntas, enfrentava aquele aperto no coração, a que se juntava a tristeza e pior ainda, a revolta. Eu que há precisamente dois anos vivia as mesmas emoções, as mesmas dores. Uma trombose venosa profunda. Desta vez era ela, a minha vizinha, a minha amiga, a jovem de 24 anos a quem um cenário destes não combina.

Mas o que é mais revoltante, é a demora, a tardia demora em diagnosticar o que está por de trás de certos sintomas. Revolta-me saber que entre a infelicidade em se saber que a saúde está em baixa, é cair nas mãos erradas de profissionais (e nisto eu sinto-me sortuda e agradecida). Como é que uma trombose venosa profunda pode ser confundida com uma infecção no pé? Como é que é possível, de tantas idas aos centros hospitalares, sair sempre com uma receita médica de antibióticos na mão? Passaram-se quinze dias. Quase cinco antibióticos. Agora sabe-se – é uma trombose venosa profunda nos dois membros inferiores.

Nenhum diagnóstico clinico nos conforta, não é suposto (na maioria dos casos), mas tudo isto piora quando sabemos que poderia ter sido amenizado, travado e menos grave. E quando sabemos que por detrás de tudo isto está a toma da pílula? Aí o coração caí…e tudo ecoa, na cabeça e no coração de uma jovem mulher, que ambiciona um futuro e que trás em si mil e um sonhos, mil e um objectivos, mil e uma felicidades.

Hoje, também o meu coração chora, na solidariedade, eu que já passei por isto, tenho a minha história, a minha experiência que tento partilhar e, de um certo modo, fazer com que este misto de sentimentos sejam menos sufocantes. É o que me resta. É a minha missão. 

Mulheres, meninas e jovens, antes de iniciarem a toma da pílula contraceptiva, leiam sobre, informem-se, procurem aconselhamento médico. A pílula não traz vantagens. Ou se traz, deixam de o ser, a partir do momento que a nossa vida fica por um fio. Informem-se também sobre a trombose venosa profunda, quais os sintomas mais frequentes e ao primeiro sinal não ignorem (muito menos o deixem ser ignorado). Um desmaio, um coração que bate mais forte, uma perna que dói, um edema ou que uma cor escura pode ser um indicio. Agora, para as pessoas que como eu, como a minha amiga, enfrentam esta partida que a vida nos prega(ou) não chorem e não percam a esperança, acreditem vocês são mais fortes do que alguma vez imaginaram ser. Vocês são mulheres! Força e coragem!

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~ um chá para confortar ~

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Chá de Camomila, por favor!

Um guarda-chuva invertido…e mais funcional!

Estamos em Novembro, o frio já se sente, as noites são mais longas e a chuva já preenche os nossos dias. Gosto do sol, das noites quentes, mas também gosto da chuva e dos dias frios. Já dizia Alberto Caeiro, “Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem cada um é como é.”

Mas o que realmente incomoda são os dias molhados, que mesmo com guarda-chuva é quase inevitável. E se à chuva se juntar o vento? Todos nós conhecemos o drama!

Mas, e se um guarda-chuva se torna-se mais prático e facilitasse as nossas rotinas em dias de chuva? Kaz Designs, uma empresa chinesa, desenvolveu um guarda-chuva que inverteu um pouco o conceito dos guarda-chuvas convencionais que conhecemos. KasBrella, é um guarda-chuva que se abre ao contrário, parece não fazer sentido, mas é surpreendentemente funcional.

Promete ser uma ajudar para os dias chuvosos, abre e fecha em espaços mais confinados, mais resistente ao vento e o  facto de ele manter a face molhada para o lado de dentro quando fechado parece-me já uma ideia ganha. Acho que enfrentar a chuva vai ser mais fácil!

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Prevê-se que o KasBrella só esteja disponível no mercado em Abril do próximo ano. Para já, o projecto está no Kickstarter, colectivo que apoia projectos inovadores, na procura de investimento. 

~ um chá com (guarda)chuva ~

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Até perder a vista

aaaaah afinal era a axn!

Sempre gostei de campanhas e comunicações teaser.Se bem feitas causam sempre impacto, cumprindo o seu objectivo. Durante as últimas semanas, mupis e outros suportes de publicidade deram lugar a uma dicotomia entre duas palavras e um prisma vermelho. Pouco mais se sabia/via além disto.

Como designer atenta, era algo que já me tinha despertado a curiosidade e até alguns palpites. Mas foi numa conversa alheia de autocarro que o prisma avermelhado me intrigou. Uma conversa de três amigas, em que cada uma palpitava e procurava interpretar e desvendar este mistério visual. “Eu acho que isto deve ser da edp, como é vermelho e em alguns existe mesmo luz” dizia uma. Em época de eleições, outros dos palpites dizia ser propaganda de um partido. E bastante convicta, dizia a terceira das amigas “Vocês não vêm que isto é um novo tarifário, é da vodafone!”.

Aqui uma coisa já era certa, a estratégia de comunicação estava a resultar. As pessoas falavam. E isso já era meio objectivo conseguido. Agora era eu, eu e as duas amigas (também designers) que tentávamos discurtinar o que seria tudo isso. Eu apontava para algo cultural, outra para algo desportivo (sabem do que falo) e outra também considerava algo de indole política. Pois bem, entre palpites o mistério foi revelado no início desta semana. E penso que nos surpreendeu um pouco a todos. O prisma vermelho era para a AXN, com uma nova imagem e novas series. Uma campanha concluída com sucesso!

~ vermelho, um chá misterioso ~

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Entre a Arte e a Informação

Um vinho, duas conversas. Duas bandeiras, uma escolha.

Parece um assunto alheio ou que não nos pertence. Embora não tenhamos voto nas urnas podemos e devemos ter voto na matéria. Assunto: Eleições Autónomas da Catalunha. O resultado deste domingo pode ser um momento de grandes mudanças, internas e externas. Acredito que a independência terá reflexos tanto para a Catalunha, para Madrid e para a Europa, e portanto, deveria ser tema de conversa.

Seguindo esta premissa, e em vésperas de eleições, o design assume também o seu papel. O estúdio de design La Fonda Gráfica, situado em Girona, criou o packaging para De Bandera – um vinho rosado, artesanal e com muita personalidade, perfeito para desfrutar e estabelecer boas conversas ao redor de uma mesa. Conceito absorvido pelo estúdio que projectou na etiqueta da garrafa um jogo interessante sobre um dos temas mais acessos destes últimos dias em Espanha. A etiqueta impele ao utilizador tomar e assumir uma posição clara de a favor ou contra a independência catalã. Esta etiqueta é composta por uma serie de tiras amarelas picotadas e dispostas na vertical, que facilmente podem ser arrancadas deixando que o vermelho do vinho preencha esse pedaço. O utilizador é quem decide quais tiras arrancar, modificando a composição linear das suas cores, que no final se converte na bandeira da Espanha ou na da Catalunha.

Um projecto de design simples, com recurso apenas a uma cor e a um acabamento de impressão, mas onde o conceito e a mensagem visual é tão forte e imponente. Um bom exemplo de que uma solução simples e engenhosa, consegue um resultado soberbo.

~ um chá vinho, uma conversa, duas bandeiras ~

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Entre a Arte e a Informação

Onde o clássico e o moderno, também é contemporâneo!

Inspirados nos padrões hidráulicos, Hidraulik é um projecto que reinterpreta os pisos modernos e clássicos que já habitaram nos edifícios antigos e dá-lhes uma nova abordagem – em tapetes.

É uma ideia muito interessante, tanto enquanto produto – uma colecção de tapetes padronizados e que podem ser personalizados ao gosto de cada um, ou de cada casa (o que amplia o espectro público-alvo), como enquanto projecto de design. Entre todos estes desenhos coloridos, cheios de vida e com uma personalidade única, optei pelo design, pelo visual. Não sei o que gosto mais, se do logotipo, se da imagem visual, se do packaging, se da web, se do conceito…Hidraulik é singular.

O projecto de comunicação e identidade visual ficou entregue à criatividade da Huaman, estúdio de Barcelona que desenvolveu desde branding, packaging e web (que está muito interessante enquanto projecto de design web).

Os mosaicos e os azulejos são únicos. Sou coleccionadora fotográfica destes padrões, tanto já lhes perdi a conta, esses múltiplos quadrados que vestem as fachadas portuguesas, herança islâmica que faz parte da nossa cultura. A propósito sabiam que Portugal é o maior expoente de azulejos do mundo?

Não admira que os olhares, mais e menos atentos, se prendam às fachadas. Não admira que o azulejo português seja inspiração para as áreas criativas, como design ou moda. Não admira que o azulejo português seja reconhecido internacionalmente (um pouco também por culpa do turismo). Não admira que a Direcção-Geral do Património tenha anunciado há uns meses a formalização da candidatura do azulejo português a património da UNESCO, e acho que é merecido. Não admira que, enquanto designer e defensora e apreciadora muito mesmo por este quadrado colorido, goste tanto dos tapetes Hidraulik (tanto que não me vou poupar a imagens).

estudio Huaman reinterpreta los suelos modernistasHidraulik: alfombras que reinterpretan los suelos modernistasestudio Huaman reinterpreta los suelos modernistasHidraulik: alfombras que reinterpretan los suelos modernistas
estudio Huaman reinterpreta los suelos hidráulicos modernistasalfombras que reinterpretan los suelos hidráulicos modernistasHidraulik: alfombras que reinterpretan los suelos modernistasHidraulik: alfombras que reinterpretan los suelos modernistasHidraulik: alfombras que reinterpretan los suelos modernistasHidraulik: alfombras que reinterpretan los suelos modernistasHidraulik: alfombras que reinterpretan los suelos modernistasHidraulik: alfombras que reinterpretan los suelos modernistasalfombras que reinterpretan los suelos hidráulicos modernistasalfombras que reinterpretan los suelos hidráulicos modernistas

~ um chá no tapete ~

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Até perder a vista

É tudo uma questão de enquadramento!

Um boa fotografia não passa por captar determinada imagem com a melhor camera ou a melhor lente fotográfica, o enquadramento é, provavelmente, a regra mais importante na arte de fotografar. E isso, não é a melhor câmara ou o melhor equipamento que faz de forma autónoma. É preciso um olhar fotográfico sobre as coisas.

E para comprovar que a fotografia passa por um bom enquadramento que a artista tailandesa Chompoo Baritone completou algumas fotografias do instagram, criando uma serie de retratos que mostram a importância do enquadramento e da composição fotográfica. Muitas vezes é um jogo de escondidas, de perspectivas e filtros. Embora agora o instagram não seja só no formato quadrado, tornava-se um autêntico desafio, aquele de conseguir o enquadramento perfeito num quadrado. Isso era composição. Isso era enquadramento. A propósito, é a primeira vez em cinco anos de existência, que o instagram permite aos seus utilizadores partilharem as suas fotografias e vídeos para lá do tradicional quadrado, grande marca visual desta rede social.

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~um chá bem enquadrado ~ 

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