Chá do Manifesto, Entre a Arte e a Informação

Um concurso de design, um centro comercial com um investimento de milhões e uma remuneração de 500 euros em vales de compras

O Évora Shopping, espaço comercial que abrirá brevemente e teve um investimento de 35 milhões de euros (segundo noticiou o Dinheiro Vivo), lançou, no passado dia 2, um concurso público para a concretização do seu novo logo. O concurso é promovido pela Ares Capital — empresa detentora do centro comercial — que promete premiar o vencedor com 500 euros em vales de compras no shopping e oferece dois prémios homólogos, de menor valor, para o 2º e 3º classificados.

 

Foto de GANHEM VERGONHA.

 

O assunto tornou-se polémico, tanto pela baixa remuneração apresentada e discrepância com o valor investido na construção do espaço; como pelo curto tempo de abertura do concurso (4 a 10 de setembro); como pela questão de ser um concurso e, como tal, os designers serem convidados a participar e apenas 3% dos mesmos serem remunerados; e ainda como pelo facto de as propostas candidatas serem sujeitas a escrutínio público dos seguidores da página de Facebook Amigos do Évora Shopping. No entanto, segundo a Meios e Publicidade, os responsáveis pelo Évora Shopping consideram que o prémio de 500 euros está na média de preços praticados por estúdios de design e freelancers e afirma que “A participação é livre, não obrigatória nem discriminatória”.
Ora bem, 500 euros por um logótipo pode ser, infelizmente, um valor praticado pelo nosso mercado português, mas “500€ em gift card a ser utilizado única e exclusivamente nos estabelecimentos comerciais instalados no Évora Shopping”, além de desrespeitoso, é uma estratégia de marketing para angariar mais visitantes, uma vez que o concurso está aberto a todos os designers que pretendam participar. Tudo isto numa jogada só – um concurso para ter um logótipo por custo basicamente zero e uma ação de marketing para angariar mais visitantes! Além disto, os designers que procuram têm de ser capazes de fazer um ou mais logótipos dentro do prazo de 6 dias! E, ainda, as 5 propostas que a Ares Capital seleccionar serão submetidas “à consideração dos seguidores da página do Facebook dos Amigos do Évora Shopping.

No entanto, há que notar os aspetos positivos de um caso como este – é que, no meio de tantos anúncios e propostas de trabalho indecentes e desrespeitosos à profissão do designer, este caso em particular gerou uma angústia e movimento de revolta nos designers que chegou aos media e está a ter um impacto real. Só os designers podem entrar na cerne da questão e, de dentro, criar uma mudança na mentalidade do nosso mercado para eliminar a frequência de anúncios e concursos como este. Sim, porque afinal a culpa é nossa, é daqueles que aceitam fazer logótipos por uns meros trocos; é daqueles que aceitam trabalhar de graça para ateliers de design; é daqueles que concordam entrar em concursos e que, na esperança de lhes cair um cheque de 500 euros, se desrespeitam uns aos outros como colegas; é daqueles que preferem cortar em metade o orçamento apresentado para não perderem um trabalho porque o do outro colega era uma ou duas centenas mais barato, é daqueles que não valorizam a sua profissão e concordam receber o ordenado mínimo ou umas dezenas mais para realizar o seu trabalho. Sim, estamos em crise e essa pode ser a desculpa para realizar todas essas opções mas a opção continua a ser NOSSA e, como tal, não podemos desviar a NOSSA culpa! Se acabarmos com estas opções então não haverá uma “Ares Capital” a dizer que os meros 500 euros pela realização de uma logomarca estão na média de preços do mercado, nem haverão empresas a querer contratar designers por um ordenado mínimo ou colocar designers à “experiência” por três meses. Está na altura de assumirmos isso mesmo e evitarmos opções como estas que só ajudam a denegrir a nossa profissão. Vamos apoiar-nos uns aos outros porque só juntos podemos criar mudanças!

 

~ um chá de protesto para designers ~

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Chá de Camomila, por favor!, Chá do Manifesto

Technology that change the world!

Atualmente estamos perante um fase da humanidade em que o foco são as novas tecnologias e o poder que estas podem alcançar. A atividade de investigação na inovação tecnológica é crescente nas grandes empresas, o que origina em protótipos cada vez mais reais de uma realidade virtual. A tecnologia está a ganhar uma posição muito presente e muito forte na vida da humanidade. De acordo com os dados estatísticos do site statista.com, já em 2014 perto de 60% da população mundial possuía um telemóvel. Apesar do uso que fazemos do telemóvel não nos ser essencial à nossa sobrevivência, todos sentimos a sua falta quando nos esquecemos dele em casa. Para telefonarmos a um amigo, para vermos a meteorologia, para comunicarmos no facebook, para vermos o que se passa na nossa rede social, para jogarmos no tempo morto de comboio até casa, para sabermos o número de telefone de uma entidade, para sabermos como chegar a um ponto geográfico, etc. O uso que fazemos dos nossos telemóveis é extenso, no fundo temos no nosso telemóvel inúmeras aplicações para todo o tipo de ações, e este é só um dos dispositivos tecnológicos que mais nos acompanha mas não o único com o qual interagimos.

No presente momento, o meu foco de estudo académico está a ser precisamente sobre a emergência da tecnologia que se tem feito sentir e, mais especificamente, sobre a tendência que existe, nomeadamente pelos grandes empresários de Silicon Valley como Eric Schmidt da Google e Mark Zuckerberg do Facebook, para tentar solucionar de forma prática e rápida todos os problemas que surgem na humanidade através da tecnologia. Evgeny Morozov, investigador e escritor bielorrusso das implicações políticas e sociais do progresso tecnológico e digital, chama a esta tendência de solucionismo. Morovoz crítica profundamente esta tendência apontando que todas as soluções vêm com um custo. Com isto não significa que toda a tecnologia não nos sejam útil, mas sem dúvida, uma grande parte tende a procurar resoluções a problemas que não existem, nalguns casos vão ao fundo do ridículo.

Exemplo deste ridículo é o serviço LivesOn que promete “twittar” por ti depois da tua morte. Para isso é necessário aceder ao serviço através da conta pessoal do Twitter. Os algoritmos irão se encarregar de analisar o teu feed atual do twitter e aprender com os teus likes, gostos e syntax.

LIVESON. Your Social Afterlife. When your heart stops beating, you’ll keep tweeting. LIVESON will keep tweeting even after you’ve passed away. 

Outro exemplo desta procura pela erradicação da imperfeição humana é o produto Google Glass que consiste nuns óculos “smart” que automaticamente retira fotos de tudo o que vê e guarda-as para a posteridade. Para alguns isto pode finalmente resolver o problema da falta de memória, um grande bug da humanidade.

Os exemplos são variados, Morozov consegue por aos nossos olhos uma visão completamente contrária à que temos atualmente sobre todos os serviços e objetos tecnológicos que vemos e com os quais interagimos hoje em dia. A verdade é que estes empresários nos colocam tais produtos de forma bastante inteligente, o que nos faz curvar perante a sua espectacularidade. No entanto, a sua preocupação não é em nada social ou política e no fundo nós não os elegemos para resolver tais matérias. A tendência das suas atividades é para que tornem o homem cada vez mais eficiente e mais perfeito, mais próximo da máquina e muito menos humano. É necessário manter um discernimento e pensamento crítico sobre a tecnologia de forma a evitarmos as consequências que podem surgir.

Mas há sempre novas tecnologias que provam a sua eficácia e são benéficas à nossa sociedade. O novo produto “FingerReader” de um grupo de investigadores do MIT – Fluid Interfaces, um dispositivo wereable, consiste num anel que assiste invisuais na leitura de textos impressos.

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Com o anel no dedo indicador, colocamos o dedo sobre o texto, a câmara existente no anel foca o texto, os algoritmos identificam as palavras e o texto é reproduzido em áudio.

Este é um protótipo que vem estudar a possibilidade de dar aos invisuais as mesmas capacidades dos visuais, através apenas de um dispositivo tecnológico que passa a ser um extra ao corpo humano. No entanto, na prática, não parece cumprir essa função de forma muito efetiva. O utilizador tem de seguir as linhas de texto com o dedo mas parece que ninguém se terá lembrado de que a distância de uma linha para a outra na maioria dos textos corridos é muito curta, o que torna muito difícil, se não impossível, um invisual “adivinhar” o local onde existe texto, a sua distância, e seguir claramente linha a linha sem erro.

São necessários estes produtos surgirem para que possam ser testados na sua eficiência e, assim, levar a um investigação mais precisa. Este é um produto que parece uma extensão ao ser humano numa tentativa de resolver a dificuldade de leitura de dados com que um invisual se confronta. Um produto que, ao ser wearable, parece tornar-nos menos humano, mas que tenta resolver um real problema social. Caso fosse totalmente eficaz, seria um produto que iria fazer evoluir a nossa sociedade. É portanto, crucial direccionar os esforços para a investigação de problemas sociais, e notem a palavra investigação porque problemas sociais não se resolvem sem um investigação profunda e criteriosa.

 

~um chá consciente~

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Chá do Manifesto

Necessidade de mudança: Defeito ou Virtude?

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Num século onde as vontades e certezas mudam a cada minuto, a certeza para definir um futuro é algo quase inexistente. Um caminho traçado sofre inúmeras alterações sem que se tenha sequer uma pequena noção do que se passa. Um estado de flutuação de planos, sonhos e ideias onde nenhum deles quer tomar lugar para acontecer. Uma peça de teatro onde os actores mudam constantemente, assim como as suas funções e carácter. Esta é a nossa geração. Uma gerações de sonhos não definidos, sem certezas e orientações.

Há cerca de 4 anos atrás estava eu a terminar a minha licenciatura de Design e Multimédia numa cidade universitária épica, sem certezas nenhumas do meu futuro, sem quaisquer orientações. Depois disso esperei 5 meses por uma oportunidade de emprego e mais 3 para iniciar estágio profissional. Aos meus 21 anos e 7 meses estava a trabalhar a 40km de casa dos pais e a gerir o meu ordenado sozinha. Nada mau para os dias de hoje, dizem vocês. A minha avé dizia: Só havia de ser ainda mais perto.

Foi um estágio que me permitiu crescer muito profissionalmente, que me permitiu por em prática tudo o que aprendi, ou não, na licenciatura e a perceber realmente um dos ramos dentro do design que alimentava a minha paixão. Permitiu-me a minha independência que toda a vida procurei e uma carga de responsabilidades também. Depois do estágio veio um contrato sem termo na mesma empresa, já com funções de “chief designer” (esclarecendo, chefe de mim própria e de mais um ou dois funcionários fora da minha área sem alterações de remunerações). Nada mau outra vez? Contrato sem termo nos dias de hoje é de louvar! Com prespetivas de crescimento, diziam.

Cerca de um ano depois, talvez até antes, decidi que tinha de sair, tinha de desistir daquele emprego. Não parece lógico? Aqui entra o problema que assombra, atualmente, a maior parte de nós, a meu ver. O mestrado estava em cima da mesa desde da saída da universidade, mas sempre ficou para depois de um estágio, no sentido de perceber em “quê” realmente apostar dentro de um mestrado. Após trabalhar na área 2 anos havia espaço e necessidade para tal. Aquilo que havia para pôr em prática já estava praticado inúmeras vezes, e para aquilo que sentia necessidade de experimentar não havia lugar. Não havia tempo para “perder” “demasiadas” horas em pesquisa, em brainstorming, em reuniões de criatividade, nem dinheiro para arriscar em projetos loucos, que nunca sequer chegariam ao papel. Os clientes querem o aqui, o agora, o rápido, o barato! Não existe cultura, conceito, propósito social ou político. Cai por terra a essência de um designer… O designer passa a assumir o papel de simples prestador de serviços a mando de uma indústria supérflua com falsas promessas.

Atirei-me de cabeça ao mestrado, ao único mestrado que para mim fazia sentido, o mestrado de Design de Comunicação na Faculdade de Belas-Artes. Era a minha vontade fazer lá a licenciatura, na altura sem saber muito bem o que fazia sentido ser ou fazer na minha vida, e que não consegui. Após 6 anos a vontade mantinha-se, agora mais consciente. Em Setembro de 2015 recebi a confirmação da entrada e despedi-me. Sim, despedi-me do meu cargo de “chief designer” a contrato sem termo para ir estudar. Ninguém me apontou o dedo mas sei o que se passa na cabeça das pessoas que me ouviram e ouvem dizer isto. “Deixar um emprego fixo para ir estudar? Nos dias de hoje?” Contudo, o que os outros pensam nunca me afectou realmente e segui em frente. A meio de Outubro estava em Lisboa, pronta para me dedicar ao mestrado com corpo e alma e livre desse emprego fixo tão importante aos olhos de muitos.

Louca, insana? Talvez. Arrisquei muito? Sim, eu sei que sim. E quatro meses depois digo com toda a certeza que em nada me arrependo da decisão que tomei! Se foi fácil tomar essa decisão? Não propriamente, mas fácil não era continuar a trabalhar dia após dia num cubículo quase sem luz natural, onde a inspiração só era absorvida (a muito custo) através da internet e a qual era cortada constantemente. Saber que a empresa onde estava se colocou no mercado do design devido essencialmente ao trabalho do único designer lá (eu) deu-me forças para arrancar.

A minha vida até hoje foi feita de mudanças. Aos 16 anos mudei-me da minha querida aldeia para a Guarda, a 40km de distância, por querer estudar Artes. Aos 18 fui para Coimbra sozinha. Aos 20 para Inglaterra em Erasmus e logo após para o Porto em estágio curricular. Parei na Guarda e voltei a arrancar, desta vez para Lisboa. Talvez haja uma sensação de saciedade que nunca é atingida, uma sensação de plenitude a que não conseguimos chegar, mas sei, hoje, que essa sensação é partilhada por mais pessoas, que não sou uma só. Não é uma questão de mudar de cidade, de ares, mas de procurar saber mais, de incutir mais cultura, de ser um ser cada vez rico interiormente. Uma procura por um sentido na vida.

Não me via a continuar um trabalho das 10 às 19h todos os dias, não me via a procurar a criatividade todos os dias num escritório quotidiano, não me via a ver cortarem-me as asas constantemente, não. Pensei que a rotina era necessária à minha forma de pensar, à minha extrema obsessão pela organização e ao meu lado racional, mas não. A organização, a perfeição, são possíveis dentro da tempestade, da lixeira, da confusão. Porque é a confusão que origina as ideias. São os riscos impetuosos na nossa mente que abrem caminho à originalidade, à distinção, à paixão, à força! A organização é algo que hei-de sempre exigir na minha vida sim, e a criatividade também! São estas duas coisas tão opostas que me definem e, acredito, que me irão impulsionar. Existe mais para mim que um emprego das 10h às 19h. Existe mais para nós todos!

Talvez o problema do desemprego resida, em muito, nesta vontade de todos nós em querermos mudar, querermos mais e mais e melhor. Mas nem todos são assim. Os olhos reprovadores ao facto de se recusar um emprego aparentemente fixo são tidos pela maioria. No entanto os que querem mais não são dois ou três, são cada vez mais. Agora consigo ver isso. Talvez alguns o façam por instinto e depois não tenham força para o fazer de corpo e alma. Talvez outros se recusem em ariscar. Mas há aqueles que ariscam tudo e ganham. Posso não ter ganho um emprego fixo, uma garantia de futuro, mas ganhei algo que não ganhava mais onde estava antes: determinação, força, consciência! Consciência pela minha área de trabalho! Isso não ganhei na licenciatura. Isso não ensinam no local de trabalho. A consciência é o que a indústria tenta apagar de todos os designers. Eu amo ser designer mas recuso-me a fazê-lo a mando de uma indústria capitalista sem qualquer visão política e social.

Estou sem dúvida no mestrado certo, onde os valores sociais, políticos e culturais do design são debatidos, são puxados à tona e onde a capacidade crítica do designer é incentivada. Há muitos designers pelo mercado, muitos mesmo, mas não quero ser mais um. Algo que assumi antes mesmo de me candidatar a mestrado, é que se tiver de deixar de ser designer porque não consigo ter um papel minimamente social e crítico na sociedade, deixarei do ser. “Um desperdício” foi a resposta que tive do meu namorado. Talvez mas talvez não. Se o meu trabalho não poder mudar algo no mundo, nem que não seja a simples consciência das pessoas em relação a algum assunto, então eu não estou a fazer o meu trabalho bem. Sim, porque o design, ao contrário do que a maioria pensa, não é apenas tornar o mundo mais apelativo, mas torná-lo mais consciente. O design é uma das poucas disciplinas que depende de inúmeras outras áreas, nomeadamente a política. Foi difícil interiorizar isso, eu que odeio política, mas é de facto verdade. Nós temos ao nosso alcance todas as ferramentas para forçar o debate de todas as matérias, de consciencializar. Porquê fazer do design algo supérfluo, quando a sua essência é tão profunda?

O design é capaz de mover pessoas, e é isso que me moveu e continua a mover. A tua paixão pode ser outra que não o design mas se é realmente uma paixão porque não arriscar? Se não temos na vida o que nos faz feliz, o que nos torna realizados, porquê parar? Porquê ver a vida passar? Depois deste mestrado estarei à mercê da sorte, sim. Mas colocarei toda a minha alma no que faço até que o que faço com alma deixe de ser hobbie e passe a ser trabalho. Só assim terei o meu emprego de sonho, só assim conseguirei fazer diferença no mundo.

 

~ Um chá consciente, rumo à mudança

 

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Até perder a vista

Arcos e livros

De linhas, curvas e retas, nasce o design, a arquitetura e a forma de tudo o que nos rodeia. Funciona através da simplicidade, que não é tão fácil de alcançar como se parece. A soma de uma quantas retas e uns quantos arcos, com o jogo de ângulos e perspectivas, pode resultar numa arte, se bem trabalhados!

Hoje mostramos como o design se junta à decoração e à arquitetura para tornar um espaço comum num sítio inspirador! E a mente do homem serve de criador neste jogo de sensações. 

A empresa Anagrama, sediada no México, é uma das grandes agências já faladas aqui no blog. É seguida na plataforma de projetos Behance por mais de 120 mil pessoas e no Facebook por mais de 160 mil. É, portanto, uma dose inspiradora para muitos designers. 

Desta vez, Anagrama presenteia-nos com um projeto de arquitetura e design de interiores de uma biblioteca sediada na cidade Monterrey, Mexico – Conarte Library.  Conarte visa promover e estimular a expressão artística e apoia a preservação e enriquecimento da cultura. Fazia então sentido estudar um espaço que desse valor à experiência da leitura. 

Anagrama criou um espaço “design-intelligent” que envolve o leitor. As estantes dos livros foram projectadas para formar uma cúpula que cobre o tecto da biblioteca e joga com a perspectiva visual, assumindo mais do que a sua função básica. As paredes são preenchidas por um gradiente de cor azul que permite dar profundidade. O arco iluminado ao fundo da escadaria simula o ponto de fuga da estrutura, criando um equilíbrio perfeito entre a cor e perspectiva. 

O resultado é um ambiente envolvente e tranquilizador, ao mesmo tempo que inspira e refresca, ao invés das típicas bibliotecas que tendem a ser monótonas e aborrecidas. 

Livraria (Bookstore)

Livraria (Bookstore)

~ Um Chá e muitos livros num local inspirador

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Até perder a vista

Livro purifica a água

Apesar do mote dos últimos dias ser os refugiados que migram para a Europa, continuamos a ter nos países subdesenvolvidos milhões de pessoas sem água potável, sendo esta uma das grandes causas de morte.

A Organização Mundial de Saúde estima que mais de 660 milhões de pessoas no mundo não têm acesso a água própria para consumo e que mais de três milhões de pessoas morrem, todos os anos, devido a doenças relacionadas com a falta de qualidade da água.

Mas hoje damos a conhecer um projeto que pretende combater estes números! Theresa Dankovich criou o Drinkable Book, um livro, à primeira vista, igual a tantos outros, mas que tem uma particularidade muito especial. É que o seu objetivo principal, como de outros livros, não é ser lido, mas sim purificar a água! A ideia parece estranha no mínimo mas Teresa Dankovich conseguiu a proeza que poderá ajudar muitos países subdesenvolvidos. As folhas do livro podem ser arrancadas e utilizadas como filtros para purificar a água, eliminando 99% das bactérias da água contaminada, como a E. coli e a salmonela.Theresa, no decorrer da sua tese de doutoramento na Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, apercebeu-se que a prata elimina as bactérias presentes na água e não a torna prejudicial à saúde. Através desta informação, Theresa inventou um papel com nanopartículas de prata e desenvolveu um método de filtrar a água simples, económico e sustentável. 

The Drinkable Book™ é, ao mesmo tempo, um filtro de água e um manual de instruções de como limpar a água. Para filtrar a água arranca-se uma das páginas do livro, coloca-se na caixa de filtros, que é usada para guardar o livro, e verte-se a água contaminada. Poucos minutos depois a água torna-se potável. Cada filtro pode durar até 30 dias e consegue filtrar 100 litros de água contaminada, de forma que um livro inteiro permite a filtragem de água potável para cerca de um ano.

A ideia deste livro partiu de Theresa, que se uniu à empresa criativa DDB New York e à associação WATERisLIFE, que conceberam o livro. Com alguns donativos conseguiram testar os papeis no Ghana, Haiti, India e Kenya. Os resultados dos testes foram positivos, comprovando que os papeis conseguem purificar diferentes águas no mundo. 

Com a ajuda da associação sem fins lucrativos International Development Enterprises, foram ainda feitos estudos junto da comunidade de Bangladesh, também positivos. Luke Hydrick, designer estudante da University of Cincinnati School of Design, juntou-se também ao grupo e criou já uma variedade de suportes para os filtros que foram também testados em Bangladesh, de forma a serem agora aprimorados de acordo com o feedback da comunidade.  

Neste momento, as organizações estão a apelar ao financiamento do projeto para que continue o trabalho de desenvolvimento e aumente o trabalho de produção e os testes de campo. O objetivo são que sejam distribuídos filtros de papel para centenas a milhares de pessoas. Está a decorrer uma campanha no Indiegogo, com o objectivo de angariar 30.000 dólares, que correspondem a 27 mil euros, para fabricar os primeiros mil livros. Vamos ajudar a contribuir para a distribuição de água potável em todo o mundo!

~ Um chá e um livro para salvar o mundo

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Entre a Arte e a Informação

Clean e sem serifa! A Google mudou!

Iniciamos hoje o mês de setembro, finalizadas as férias, de muitos, pensa-se agora no novo ano (letivo), em novos objetivos e novos rumos. Este é também o caso da Google, que hoje surpreendeu todo os “googlers” com uma nova identidade.

A novidade foi apresentada através do Doodle do Google, que apaga a antiga imagem para apresentar o renovado logo, igualmente colorido mas mais dinâmico, animado e moderno. 

A tecnológica já tinha dado ares de mudança ao mudar o nome da empresa. A google não é mais só a google, é Alphabet! E neste alfabeto, o G é de google. Larry Page anunciou a 10 de Agosto que a Google Inc. iria transformar-se na Alphabet Inc., que engloba agora todo o universo da Google. Esta mudança foi justificada pelo crescimento do universo da google, que possui já demasiados produtos e empresas para continuar com a designação google. Temos como exemplos o motor de busca Google, o Google Maps, o Chrome, o YouTube e o Android, mas também outras empresas da tecnológica como a Life Sciences (que desenvolve lentes de contacto com sensores) e a Calico (que estuda a longevidade). A nova companhia, denominada Alphabet (alfabeto em inglês), tem letras para todas as suas empresas, e muitas mais que irão completar o abecedário da mesma. É, na opinião da headshake, um passo de mestre.


Mas afinal a Google não se ficou pelo nome, e decidiu mudar a sua identidade visual, sendo a primeira vez, nos últimos 17 anos, que vemos uma mudança tão radical. A alteração foi justificada no blog oficial por um responsável da empresa, com o facto de, atualmente, acedermos à internet e interagirmos “com os produtos da Google em várias plataformas, aplicações e dispositivos diferentes”, não se resumindo apenas ao computador. Assim, a google decidiu adaptar-se a esta nova realidade – “Reformulámos [o logo] não apenas para a Google de hoje, mas para a Google do futuro”, indica.

As letras coloridas da Google apareceram pela primeira vez em 1998 apresentando-se através de uma tipografia serifada. Em 17 anos a evolução das mesmas foi pouco acentuada. Agora, as cores mantêm-se, afinal são estas que melhor caracterizam a marca, mas a aparência muda radicalmente. As serifas desaparecem e toma lugar uma nova tipografia, redonda, suave, clean e com um look amigável.

Versão animada do novo logo da Google

Mas desta vez, a marca divide-se em 3 elementos animados, a versão longa (descrita agora), a versão só com o “G” e uma versão completamente nova, composta por quatro pequenos pontos coloridos.

A versão da letra “G” deriva diretamente do logo da letra “G”, mas com um peso/grossura de fonte maior para ser mais visível em espaços menores e em contextos em que precisa dividir o espaço com outros elementos. Neste novo “G” podemos ver as quatro cores da google, divididas como um gráfico circular, demonstrando evolução e dinamismo.

Os quatro pontos do Google são um estado dinâmico e em constante movimento do logo. Representam a inteligência da Google e indicam o estado de funcionamento da mesma. Os pontos assumem diferentes posições e movimentos consoante o que transmitem, como por exemplo a audição, pensar, responder, incompreensão e confirmação. Os quatro pontos mostram a google numa versão muito simplificada, fácil de identificar e descontraída.

A versão animada que apresenta os 3 elementos pretende mostrar-nos a magia da google através do movimento e fluidez “Não mostra apenas que estás a usar o Google, mas mostra também como a google funciona para ti. Por exemplo, novos elementos como um microfone Google ajudam-te a identificar e interagir com a Google, estejas a falar, navegar ou escrever.”

Algumas das ideias para a nova imagem da marca. (Google)

É um logo mais versátil, intuitivo e multidisciplinar, que transmite claramente os valores da Google.

Segundo a Google, nos próximos dias, a nova imagem será adaptada a todos os produtos. Promete ainda que o gigante das pesquisas continue mudando – “Não é a primeira vez em que mudamos o nosso visual e, provavelmente, não será a última. Mas achamos que a atualização de hoje é um grande reflexo de todas as formas como o Google trabalha pra você por meio da Busca, do Maps, do Gmail, do Chrome, entre outras. Nós acreditamos termos pego o melhor do Google e rearranjado não só para o Google de hoje mas também para o Google do futuro”, encerram Tamar Yehoshua e Bobby Nath.

~ um chá com a nova google

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Até perder a vista

Verão com Jacques Tati

É já hoje! 

Leopardo Filmes e a Medeia Filmes apresentam já a partir de hoje, pela primeira vez em Portugal, a obra integral de Jacques Tati. O ciclo intitula-se “Verão com Jacques Tati” e vem ainda a tempo do Verão para quem pensa que este já está no final.

Todos os filmes do comediante e realizador francês Jacques Tati foram restaurados em versões digitais e voltam ao cinema a partir de hoje, dia 20 de Agosto, no Espaço Nimas em Lisboa e, no Porto a partir de 1 de Setembro no Teatro Municipal Campo Alegre que reabre para receber a obra do cineasta que fascina todas as gerações.

Jacques Tati, nome artístico de Jaques Tatischeff, realizador, actor e argumentista, caracteriza-se pelo imaginário hilariante que cria em cada uma das suas obras. Neste programa, será possível ver as seis longas-metragens deste mestre francês da comédia – “Há Festa na Aldeia” (1949), “As Férias do Sr. Hulot” (1953), “O Meu Tio” (1958), “Playtime – Vida Moderna” (1967), “Sim, Sr. Hulot/Trafic” (1971) e “Parade” (1974) – e ainda sete curtas-metragens inéditas comercialmente em Portugal.

“Em HÁ FESTA NA ALDEIA Tati é François, o carteiro local que faz o melhor para seguir os seus colegas americanos, após ser ridicularizado pela população. No filme AS FÉRIAS DO SR. HULOT ele interpreta pela primeira vez a sua personagem carismática, o Sr. Hulot que perturba as férias de veraneantes demasiado sérios. Em O MEU TIO, o Sr. Hulot ressurge animando uma criança aborrecida com os seus pais. Em 1959 foi distinguido com o Óscar para Melhor Filme Estrangeiro. PLAYTIME – VIDA MODERNA traz-nos o inesquecível SR. HULOT numa extraordinária sátira à tecnologia industrial e à vida numa grande cidade, Paris. Considerado pelo British Film Institute um dos 50 Melhores Filmes de Todos os Tempos. Em SIM, SR. HULOT – TRAFIC, o Sr. Hulot inicia uma aventura pelas autoestradas da França e da Bélgica enquanto se dirige para Amsterdão, onde irá exibir o seu protótipo de automóvel. PARADE é a última longa-metragem de Jacques Tati e apresenta-se como um tributo ao mundo do espectáculo.” – in rtp.pt

Jacques Tati morreu em 1982, vítima de uma pneumonia, deixando por concluir o projeto “Confusion”. 

A programação do Espaço Nimas já está disponível AQUI.

A acompanhar o ciclo, o Espaço Nimas acolherá uma exposição de cartazes de uma das longas-metragens de Jacques Tati, reinterpretadas pelos ilustradores portugueses André Letria, Marta Monteiro, Madalena Matoso, Sara-a-dias, João Fazenda e Catarina Sobral.

Marta Monteiro / Sara-a-dias

Jacques-Tati-JoaoFazenda e Catarina Sobral

João Fazenda | Catarina Sobral

Jacques-Tati-andre letria e Madalena Matoso

André Letria | Madalena Matoso

Esta é uma oportunidade única de (re)visitar a obra integral do mestre Tati, que foi um dos mais brilhantes observadores da vida moderna, e que criou um estilo e visual únicos nos seus filmes.

Os bilhetes para estas sessões já estão à venda por 6€, às segundas 4€. Na compra de quatro bilhetes, é oferecido o quinto. Para menores de 15 anos, o bilhete tem o custo de 3€.

~ A arte e o cinema

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