Chá das 3, Chá de Camomila, por favor!

Travel Post #11 – Sevilha

Fins-de-semana, pontes e feriados são sempre um bom argumento para programas diferentes. Aquilo que começou por ser uma visita a Óbidos, essa vila pitoresca e que agora no Natal se transforma e faz jus a esta quadra, terminou numa viagem a Sevilha. Sem muito tempo para planear, fizemo-nos à estrada…queríamos aproveitar o máximo destes curtos dias.

Para trás ficava Lisboa, chegava-mos a terras de longas e douradas planícies, o inconfundível Alentejo. Uma passagem por Évora, por Estremoz, Elvas e o resto já sabem…”Oh Elvas, Oh Elvas…Badajoz à vista”, mas a nossa paragem seria em Mérida. Nas margens do Guadiana, esta pequena cidade espanhola, Património da Humanidade, respira história e anda de mão dada entre o passado e futuro. Nesta nossa passagem, as ruas estavam cheias de pessoas, cheias de crianças, cheias de sorrisos, já se sentia o Natal, aquela nostalgia. Mas a noite chegara e obrigava-nos a seguir caminho…duas horas e ai está ela, luminosa, agitada, é sexta-feira em Sevilha!

Depois de instaladas, tempo para umas tapas, uma cerveja e pouco mais, um passeio pelo centro histórico. Queríamos contrariar a vontade, mas também queríamos aproveitar o dia seguinte, tínhamos o tempo contado nesta viagem e portanto, hora de dormir!

Sabem aquela sensação de acordar num sitio novo, desconhecido, que nos inquieta por ter tanto estranho quanto de surpreendente?…assim foi, a vista do nosso quarto trazia um sol janela dentro, na varanda garridas flores vermelhas e atiçava a vontade de levantar da cama e seguir à descoberta, e assim foi…

Se já tinhamos visto a soberba catedral à noite, a luz do dia revelava a sua magnitude. A Giralda, um antigo minarete (torre de uma mesquita), agora integrado na Catedral de Sevilha é Património Mundial da UNESCO. Seguimos para o Real Alcazar, que funde diferentes estilos na sua arquitectura, pois tem construções de diferentes épocas. Para mim, apaixonada por azulejos e padrões, é sem dúvida a vertente islâmica que me atraíra, a riqueza daqueles azulejos, a sua beleza, as suas cores e formas. Ou então, aqueles arcos e janelas, aquela luz, não sei se o verde das plantas, tropicais se o laranja em contraste nas laranjeiras…não sei o que gostava mais, até aos jardins tropicais, de labirintos e pequenas fontes. Tudo me tomava o olhar, enchia o coração de tão belo…Património Mundial, este palácio foi também cenário da série Games of Thrones!

Com isto, chegara a hora de almoço…a rua estava cheia de gente, nas esplanadas as pessoas já petiscavam. A gastronomia aqui é deliciosa, não fosse eu também um bom garfo. Entre tapas, paella e cerveja ficamos saciadas. Restava-nos visitar a Plaza de Espanã, com pequenos barcos, os jardins com cores de outono, as ruas com coches a cavalo, a Torre Del Oro mercados típicos com petiscos e um passeio junto ao rio cheio de sol, pois o tempo estava contadinho que depressa chegara a hora do lanche e de regresso a casa, a Lisboa.

Não houve tempo para mais, restava-nos apenas a certeza de voltar com mais tempo, repetir e visitar o que não se conseguiu desta vez…porque Sevilha sem dúvida nos encantou!

sevilla

~ uma viagem por Espanha e chá de sabor arábico ~

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Chá de Camomila, por favor!, Eventos com Personalidade

Bold Creative festival: Are you Bold enough?

A criatividade e inovação voltaram à capital, e invadiram por três dias o espaço entre o IADE e a nova sede da EDP. O BOLD Creative Festival, evento de talks e pequenas performances criativas, decorreu entre os dias 26 e 29 de Abril. O dia 26, serviu como mote aos dias que se seguiram, foi um dia de apresentação geral do evento num ambiente descontraído, dinâmico, de partilha de conhecimento e de aprendizagem e sobretudo, de muita reflexão.

#DAY 02

O primeiro dia oficial do evento, por muitos o dia mais aguardado, recebeu a incontornável designer internacional, Jessica Walsh, que nos apresentou muitos dos seus projectos, os seus conceitos e o making-off. Uma Bolder Talk dinâmica e descontraída, que foi sendo intercalada com vários conselhos para os jovens estudantes na futura relação com clientes. Além dos projectos que tem marcado o seu percurso profissional, Jessica apresentou ainda 40 Days of Dating e 12 Kinds of Kindness, projectos pessoais onde reforçou a ideia de que quando queremos expor e apresentar um conceito ao mundo, tudo é possível mesmo com poucos recursos, haja vontade! “Make your own rules, so you can break them” foi o conselho final de Jessica Walsh.

#DAY 03

O segundo dia contou com a presença de profissionais portugueses conhecidos pelo seu trabalho nas áreas design, comunicação e eventos. Pedro Rodrigues, da Desafio Global, XXX, directora de marketing da EDP, Pedro Pires, Solid Dogma e Susana XX, da Partners. Em conversa tertuliana, focaram-se em casos práticos como a EDP, fazendo as honras das casa, como não poderia deixar de ser, como os eventos de activação e posicionamento da marca, campanhas publicitárias, comunicação e marketing. Evidenciando que a EDP, grande marca portuguesa e de renome internacional, é uma marca muito boa de se trabalhar devido à abertura e flexibilidade a novas ideias, não fosse inovação um dos pilares nos valores da marca. E reciprocamente, uma marca que confia na mãos de profissionais com estes, com quem trabalha à anos, sem se restringir apenas a estes.

#DAY 04

Foi o dia de encerramento do evento, com a entrega de prémios da BOLD Award Session, onde André Beato foi distinguido com um Ultra Bold Award pela excelência e solidez da sua carreira na área do design. Foi também entregue um outro BOLD Award, no LIGHT UP YOUR TALENT, para alguns dos alunos do IADE. Seguiu-se o ULTRA BOLD SHOWCASE que juntou André Beato e Bruno Pereira, director artístico do BOLD, numa conversa informal sobre o percurso de André Beato, onde descobriu pequenas curiosidades da sua infância e juventude, chegando ao seu momento actual, freelancer e agenciado pela YCN (Reino Unido), Début Art (EUA) e Pell Mell (França). Do início do seu percurso destaca o envolvimento na criação da marca de merchandising Lisbon Lovers e a importância que a plataforma Béhance teve no lançamento da sua carreira.

Um dos assuntos que mais interessantes que foram abordados, foi a velha questão academia – mercado de trabalho. Sabemos que a área do design é das áreas que levam o caminho mais duro no reconhecimento enquanto área de trabalho, enquanto profissão, e que por isso, ainda que contraditório é das áreas onde menos se investe (quando deveria precisamente ser o inverso, quando se fala em arte e cultura o investimento não deveria ser tão medido), onde menos se entende, onde a prática é tão mais importante que a teoria. E é que aqui que Pedro Pires (e nisso sou suspeita porque aprecio-o bastante) reforçou a necessidade de o plano de estudos ser revisto, de se estabelecerem parcerias, sem medo, entre a academia e as agências de publicidade, porque ter um curso é bom, mas ter portfólio e experiência é essencial. Explicou a hesitação em contratar alguém quando, e por muito que quisesse dar uma oportunidade, vê mais desvantagem que vantagem. pois implica um tempo que vai além da adaptação num ambiente laboral, que implica também formação. Formação essa que não deve estar apenas à responsabilidade da academia ou do corpo docente, mas que pode e deve ser reforçada numa proximidade dos estudantes ao mercado de trabalho, às agências ao foco de trabalho. Se a teoria anda de mãos dadas com a prática, a academia deve andar igualmente com a agência.

Isto passa também pela vontade e interesse da academia, e mais importante ainda, dos estudantes são eles o principal propósito desta parceria. 

De aplaudir, que apesar de limitado a um número de inscrições, o evento é gratuito, pelo que foram reservados dois dias para levantamento dos tickets, que seriam apresentados na entrada do evento, um método prático e que facilita a acreditação burocrática e típica dos eventos de conferências. A cada ticket (sticker) foi atribuído uma cor, correspondente a cada dia do evento. Outra boa jogada foram os momentos de abertura e que precediam as talks, com pequenas actuações musicais organizadas pela Sofar – Songs from a Room, que tornavam o ambiente mais intimista e descontraído. Como não poderia ser, o Auditorium da nova sede da EDP, principal partner do evento, foi o espaço eleito para receber as Bolder Talks, um edifício novo, moderno, onde a arquitectura faz jus ao evento, como exemplo único de inovação e a criatividade. 

Como seria de esperar, o primeiro dia foi o primeiro a esgotar as inscrições, e a encher o auditório até aos corredores. Jessica Walsh moveu um bo(o)m número de estudantes e profissionais ao Auditorium da EDP. As expectativas estavam altas. O mesmo não aconteceu no segundo dia, por exemplo, em que sobraram cadeiras no auditório, com muita pena minha e dos convidados. Não que o painel não fosse interessante, mas não eram internacionais (se é que me entendem). Contudo, as talks e todo o evento tinha livestreaming e o IADE providenciou inclusivé um espaço para a projecção.

stickers

bold

O evento correu bem e iniciativas destas são de louvar, o único reparo que faço é o horário. Todo o evento tinha inicio às 18h, sendo que às 18h30 iniciavam as talks. A hora prevista para fecho de cada dia era variável, sendo que se poderia estender até às 21h (como aconteceu no 2ºdia, quando o primeiro terminou uma hora antes, se é que me entendem!). Este horário é válido, mas não muito pensado para profissionais em que o horário de trabalho termina entre as 18h e as 19h.

Foi mais uma boa edição do BOLD Creative Festival, um bom momento de partilha, de debate e também de inspiração. Are you Bold enough?

~ um chá booold ~

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Círculo das Artes, Chá de Camomila, por favor!, Chá do Manifesto

Quando o teatro vira paixão

Pois é, ainda não falei aqui sobre uma das minhas maiores paixões e ainda por cima recentemente descoberta. Dizem que nunca é tarde para descobrir o que realmente nos preenche a alma, o que nos faz sorrir genuinamente e o que nos faz trabalhar sem dar conta do relógio. Fala-vos do teatro.

Bem, tudo começou quando cheguei à minha cidade natal, Santarém, após cinco anos ausente a estudar em Coimbra e no Porto. Sentia-me perdida e desconectada com a cidade. Sabia que se avizinhava um novo período de adaptação. O meu pai, por acaso, disse-me que ia a uma reunião de um grupo de recriação histórica e eu disse-lhe que gostava de ir assistir. Quando cheguei à reunião, no Círculo Cultural Scalabitano, uns oito homens estavam sentados em roda numas cadeiras. Surpreendentemente, eu era a única mulher. Logo o encenador disse que precisava de homens para uma peça que iria estrear no mês seguinte. Tratava-se da representação da conquista de Santarém aos Mouros: “A Tomada de Santarém”. A ideia seria lutar com espadas. Disse-me logo que não tinha trabalho para mim, a não ser que eu quisesse fazer de princesa a fugir ou de guerreira. “Vou lutar com as espadas. Eu aprendo”, disse prontamente, a sorrir. Todos se riram. Eu estava entusiasmada. Nesse mesmo dia fizemos um primeiro ensaio de esgrima e assumi aquilo como um excelente desafio.

Quando dizia às minhas amigas que andava a aprender a lutar com espadas, ficavam estupefactas. “Tu és maluca, ainda te aleijas”, diziam-me. Eu ria-me, porque finalmente estava a encontrar algo que me entusiasmava na cidade que me tinha deixado de ser familiar. Muitos ensaios decorreram e chegou março. Íamos estrear no Teatro Sá da Bandeira, em Santarém, em conjunto com o Veto Teatro Oficina. O mais caricato da situação foi vestir todos os fardamentos. Eu ia lutar como Cristão contra os Mouros. A roupa era pesada e com uma armadura na cabeça. Os atores do camarim eram só homens. Eu era a única mulher. E fartei-me de me divertir. Havia lá um senhor extremamente bem-disposto, na casa dos setenta e poucos anos, com quem criei uma empatia muito especial. O senhor Militão fez-me rir em muitas ocasiões e passou a ser o meu avô emprestado desde então.

Na estreia dessa peça, mesmo só entrando numa representação da batalha entre Mouros e Cristãos, senti a primeira adrenalina de entrar em palco, de fazer os truques de esgrima bem feitos, em conjunto com um guarda roupa extremamente pesado. No fim tudo correu bem. E  no espetáculo seguinte ainda melhor. Senti-me realmente feliz e orgulhosa. Nessa peça tive contacto com alguns atores do Veto Teatro Oficina, nomeadamente o encenador Nuno Domingos e o grande ator António Júlio.

A peça terminou e eu fiquei com uma ânsia enorme por aprender mais sobre teatro. Até que me disseram que tinha aberto recentemente um curso de formação teatral no Teatro Sá da Bandeira e que a turma tinha começado recentemente. Fui lá pessoalmente saber do que se tratava e a professora do curso, a atriz Paula Nunes, recebeu-me desde logo muito bem. Subi para uma sala no último piso do Teatro e a partir daí uma nova aventura se avizinhou. Era uma sala repleta de panos pretos a tapar as paredes. Nunca imaginaria que ali iria ser tão feliz. E que iria conhecer amigos fantásticos.

Nesse dia conheci o João, a Gisa, a Joana, o Zé e, mais tarde, o destrambelhado do Rui. Começámos por fazer exercícios teatrais todas as terças e quintas ao final do dia, até que a Paula deu a sugestão de cada um de nós escrever sobre um personagem. Tinham de ser mulheres. Eu escolhi uma mulher mimada, de 25 anos, que queria ser ainda mais rica, com sotaque do Norte, excêntrica e que tinha o sonho de um dia ter um Porsche. Decidi mais tarde que ela seria cocha. Era a Tita. Depressa surgiram a Amélia, um travesti brasileiro extremamente chique, a Filipa, uma gestora de sucesso, a Xana, uma empregada da limpeza insegura e deprimida, assim como a Vera, lésbica e assumindo-se como a futura lenda da guitarra.

Depressa estas personagens em conjunto deram origem a monólogos e diálogos. Começámos com ensaios e decidimos que iríamos apresentar uma pequena peça sobre estas mulheres. “Cinco Almas, Cinco Vidas, Uma Paixão” ficou o nome do espetáculo. Seriam tratados temas como a sexualidade, a homossexualidade, os preconceitos e os diferentes tipos de mulheres do século XXI. E assim em junho estreámos a nossa pequena peça no Teatro Sá da Bandeira. O João em papel de Amélia com uns enormes saltos altos e um vestido até aos pés, o Rui como Vera com um sutiã vermelho de cortar a respiração e uma maquilhagem extremamente carregada, a Gisa no papel da gestora e poderosa Filipa, o Zé como empregada deprimida, a Xana, e eu como Tita, de chapéu, mala pirosa e cocha. Nos ensaios criámos todos uma excelente conexão, incluindo com a Paula, quem nunca esqueço. Foi ela que me deu muitas das bases que hoje sigo em teatro.

A peça foi um sucesso. Divertimos-nos, mas também divertimos. E no fim fomos todos beber um copo para comemorar. Fiquei a gostar muito deles.

Antes desta peça, um dia fui ver em abril um espetáculo ao Círculo Cultural Scalabitano: “Palavras de Poetas”. Fui sozinha naquele dia. Ninguém tinha interesse em ir ver aquele espetáculo do meu núcleo de amigos. Aliás, a maioria não se interessava genuinamente pela vida cultural da cidade. O ator do Veto, o António Júlio, o tão conhecido Pantufa, viu-me. Veio logo falar comigo por me ter conhecido na “Tomada de Santarém” e perguntou: “E vires para o teatro não?”. Eu respondi que gostaria muito. A conversa ficou por ali. Nessa noite a minha mãe recebeu um telefonema: era o António Júlio que queria falar comigo. Ela conhecia o Pantufa (o António Júlio) há muito tempo por ele ir fazer animações ao Jardim de Infância dela. Atendi e “Olha lá, não queres participar num espetáculo do Círculo Cultural no final do ano? Estava aqui a falar com o Ramos e falei de ti. Podemos contar contigo?”. Eu disse logo que sim.

Mas foi na estreia da peça “Cinco almas, Cinco vidas, Uma paixão”, que o senhor Pantufa me fez o convite formal, quando foi assistir à minha atuação. “Olha lá, é para ires à reunião do Veto”, disse-me no final. E assim fui em julho à primeira reunião do Veto.

Em Setembro comecei os ensaios no Veto e ainda mais feliz fiquei quando percebi que ia ter a companhia de muitos mais elementos novos. Estávamos a iniciar a Academia de Formação Teatral do Veto Teatro Oficina com o Nuno Domingos. Foram muitos meses a fazer exercícios teatrais, colocação de voz, respiração, movimento e, sobretudo, a aprender a andar e a falar à palhaço. Muitos ensaios à noite, mesmo depois de estar extremamente cansada do trabalho. Cheguei a ir para ensaios sem jantar, saída do trabalho, tamanho era o meu prazer em ali estar.

Depois chegaram os ensaios às sextas-feiras no palco do Teatro Taborda, por entre palhaçadas do António Júlio e ralhetes enormes do José Ramos, o encenador de “Chamem os Palhaços”, o espetáculo a estrear em janeiro no Teatro Sá da Bandeira. Trata-se de uma homenagem ao António Júlio, o mais conhecido palhacinho Pantufa. 

Até que chegou o dia da grande estreia. Todos vestidos a rigor, com os fatos cuidadosamente costurados, as perucas, os narizes de palhaço, as pinturas faciais e os sapatos enormes que eram muito difíceis para andar inicialmente.

Este foi o espetáculo em que mais adrenalina senti. O teatro estava à cunha. 200 pessoas a assistir. E não podíamos falhar. O stress das falhas técnicas, a atenção constante para entrar nas cenas certas, o nervosismo, o trabalho de equipa. No fundo, a paixão por estar a pisar aquele palco e animar todas aquelas pessoas. Foi sem dúvida uma das melhores experiências da minha vida. Fui tão feliz. No fim, o sentimento de dever cumprido é enorme. E a união de grupo fica muito forte. Porque no teatro não importa se há falhas, nervosismo, se faltam atores, porque o improviso e o espírito de grupo vence todos esses contratempos. Porque no fim, descobri que o Veto é uma família muito especial e que ali ganhei AMIGOS. Amigos de verdade. “Chamem os Palhaços” continua ainda em abril e maio no Círculo Cultural Scalabitano.

Por fim, ainda mais feliz fiquei quando o meu mestre e pai do teatro, o grande Nuno Domingos, me convidou para fazer parte da direção do Veto. Senti-me extremamente grata.

O que parecia inicialmente apenas uma simples brincadeira de espadas, afinal levou-me por um caminho magnífico. Sinto-me de coração cheio. Quero continuar a fazer teatro. Quero continuar a transmitir ideias ao público. Quero continuar a ter a sensação de ensaiar até muito tarde e o cansaço não custar. É ir de alma cheia para o Círculo Cultural. É sorrir ao ver aquelas pessoas que tanto gosto, nos camarins, no palco, nas reuniões, nos brindes de aniversário…

Enfim…o teatro e estas pessoas especiais fazem agora parte da minha vida…

É TEATRO POIS ENTÃO!

 

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Chá de Camomila, por favor!, Chá do Manifesto

Technology that change the world!

Atualmente estamos perante um fase da humanidade em que o foco são as novas tecnologias e o poder que estas podem alcançar. A atividade de investigação na inovação tecnológica é crescente nas grandes empresas, o que origina em protótipos cada vez mais reais de uma realidade virtual. A tecnologia está a ganhar uma posição muito presente e muito forte na vida da humanidade. De acordo com os dados estatísticos do site statista.com, já em 2014 perto de 60% da população mundial possuía um telemóvel. Apesar do uso que fazemos do telemóvel não nos ser essencial à nossa sobrevivência, todos sentimos a sua falta quando nos esquecemos dele em casa. Para telefonarmos a um amigo, para vermos a meteorologia, para comunicarmos no facebook, para vermos o que se passa na nossa rede social, para jogarmos no tempo morto de comboio até casa, para sabermos o número de telefone de uma entidade, para sabermos como chegar a um ponto geográfico, etc. O uso que fazemos dos nossos telemóveis é extenso, no fundo temos no nosso telemóvel inúmeras aplicações para todo o tipo de ações, e este é só um dos dispositivos tecnológicos que mais nos acompanha mas não o único com o qual interagimos.

No presente momento, o meu foco de estudo académico está a ser precisamente sobre a emergência da tecnologia que se tem feito sentir e, mais especificamente, sobre a tendência que existe, nomeadamente pelos grandes empresários de Silicon Valley como Eric Schmidt da Google e Mark Zuckerberg do Facebook, para tentar solucionar de forma prática e rápida todos os problemas que surgem na humanidade através da tecnologia. Evgeny Morozov, investigador e escritor bielorrusso das implicações políticas e sociais do progresso tecnológico e digital, chama a esta tendência de solucionismo. Morovoz crítica profundamente esta tendência apontando que todas as soluções vêm com um custo. Com isto não significa que toda a tecnologia não nos sejam útil, mas sem dúvida, uma grande parte tende a procurar resoluções a problemas que não existem, nalguns casos vão ao fundo do ridículo.

Exemplo deste ridículo é o serviço LivesOn que promete “twittar” por ti depois da tua morte. Para isso é necessário aceder ao serviço através da conta pessoal do Twitter. Os algoritmos irão se encarregar de analisar o teu feed atual do twitter e aprender com os teus likes, gostos e syntax.

LIVESON. Your Social Afterlife. When your heart stops beating, you’ll keep tweeting. LIVESON will keep tweeting even after you’ve passed away. 

Outro exemplo desta procura pela erradicação da imperfeição humana é o produto Google Glass que consiste nuns óculos “smart” que automaticamente retira fotos de tudo o que vê e guarda-as para a posteridade. Para alguns isto pode finalmente resolver o problema da falta de memória, um grande bug da humanidade.

Os exemplos são variados, Morozov consegue por aos nossos olhos uma visão completamente contrária à que temos atualmente sobre todos os serviços e objetos tecnológicos que vemos e com os quais interagimos hoje em dia. A verdade é que estes empresários nos colocam tais produtos de forma bastante inteligente, o que nos faz curvar perante a sua espectacularidade. No entanto, a sua preocupação não é em nada social ou política e no fundo nós não os elegemos para resolver tais matérias. A tendência das suas atividades é para que tornem o homem cada vez mais eficiente e mais perfeito, mais próximo da máquina e muito menos humano. É necessário manter um discernimento e pensamento crítico sobre a tecnologia de forma a evitarmos as consequências que podem surgir.

Mas há sempre novas tecnologias que provam a sua eficácia e são benéficas à nossa sociedade. O novo produto “FingerReader” de um grupo de investigadores do MIT – Fluid Interfaces, um dispositivo wereable, consiste num anel que assiste invisuais na leitura de textos impressos.

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Com o anel no dedo indicador, colocamos o dedo sobre o texto, a câmara existente no anel foca o texto, os algoritmos identificam as palavras e o texto é reproduzido em áudio.

Este é um protótipo que vem estudar a possibilidade de dar aos invisuais as mesmas capacidades dos visuais, através apenas de um dispositivo tecnológico que passa a ser um extra ao corpo humano. No entanto, na prática, não parece cumprir essa função de forma muito efetiva. O utilizador tem de seguir as linhas de texto com o dedo mas parece que ninguém se terá lembrado de que a distância de uma linha para a outra na maioria dos textos corridos é muito curta, o que torna muito difícil, se não impossível, um invisual “adivinhar” o local onde existe texto, a sua distância, e seguir claramente linha a linha sem erro.

São necessários estes produtos surgirem para que possam ser testados na sua eficiência e, assim, levar a um investigação mais precisa. Este é um produto que parece uma extensão ao ser humano numa tentativa de resolver a dificuldade de leitura de dados com que um invisual se confronta. Um produto que, ao ser wearable, parece tornar-nos menos humano, mas que tenta resolver um real problema social. Caso fosse totalmente eficaz, seria um produto que iria fazer evoluir a nossa sociedade. É portanto, crucial direccionar os esforços para a investigação de problemas sociais, e notem a palavra investigação porque problemas sociais não se resolvem sem um investigação profunda e criteriosa.

 

~um chá consciente~

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Vodafone Mexefest: a música mexeu a rua e tocou no inusitado!

Estamos em Novembro, já se sente o frio e o verão já deixa saudade, mas desengane-se aquele que pensa que bons festivais são só no verão. Este fim de semana a boa música subiu e desceu a Avenida da Liberdade, o Vodafone Mexefest estava na rua.

Na rua e nas grandes salas de espetáculos da avenida. Na rua porque existia um autocarro que ia para lá do transporte entre os diversos locais, mas que servia também de palco a uma banda que dava as boas-vindas aos festivaleiros. E nas salas, entre igrejas, palácios e até uma piscina, espaços únicos e inusitados que fazem do festival uma mistura heterogénea e uma experiência únicas. E se os festivais de música são muitas vezes um espaço para a descoberta para a nova música, o Mexefest acresce com este conceito de sala em sala outras descobertas, pois destes espaços inusitados, que, por norma, ou são fechados ao público ou não recebem espectáculos. 

Este ano, o festival integrou ainda o Mercado de Música Independente e estreou uma nova sala, Vodafone Blackout Room, com concertos às escuras, apelando aos sentidos, a uma experiência puramente sensorial e imperdível. E sendo um festival que faz mexer muitas salas, existia um autocarro e shuttles à disposição, mas outra novidade foi a app mobile, muito prática e funcional, traçou a nossa rota sonora. Contrariamente aos festivais, este é um festival urbano e portanto, espaços para merchandinsing ou ativação de marca não tem a mesma dimensão, mas ainda assim houve um cachecol vodafone, quentinho e que fazia lembrar o Natal, umas amostras de Black Opium de Yves Saint Laurent e para aconchegar o estômago ofereciam uns pãezinhos com chouriço. Está de parabéns!

Agora e falando de música, entre indie e rock, o que me movia neste festival era (quase apenas) um concerto – O concerto, tinha a certeza de que seria o concerto da minha vida. Benjamim Clementine. O nome já não é estranho, e não é a primeira vez que falo nele e certamente não será a última. Este seria o seu segundo concerto a que assistiria, não fosse tê-lo perdido no Super Bock Super Rock. Por isso desta vez era imperdoável. Desde o primeiro sussurro ao ouvido fiquei com a certeza de que esta seria uma das melhores vozes dos últimos tempos. Não me recordo de ouvir algo parecido que não tenha de fazer um recuo no tempo. Entra em palco, a luz incide sobre ele, descalço e nas pontas dos dedos o piano. Os aplausos não paravam ainda nem havia começado o concerto. Mas a primeira nota do piano ditava. Benjamin estava ali, para surpreender e arrasar os corações de um coliseu cheio, cheio.

Nada me surpreendia, pois nunca tive tanta certeza do que esperava. Arrepiava-me. Deliciava-me. Fechava os olhos. Sem o visual, aquela voz abstraía-se de qualquer outro elemento. Era ainda mais autentica. A spoken-word, a musicalidade. Estava rendida. Tinha a certeza que estava assistir ao concerto único. Não consigo explicar. E assim que o concerto acabou o coliseu esvaziava-se, silenciosamente e sem grande alarido. Mas não era só o coliseu se esvaziara, cá fora, parecíamos novatos na realidade, parecíamos ter desaprendido a reagir, a falar. Só o coração vinha cheio, e a mente livre. Demorou, demorou para soltar uma palavra, e ainda assim o tema de conversa era o concerto. Ele que dias anteriores acabara de receber o importante galardão britânico de música Mercury. Impressionante como aquela voz, um piano e uma bateria entranha-nos. Benjamin Clementine.

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~ um chá sonoro de sala em sala ~

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Chá de Camomila, por favor!

Um guarda-chuva invertido…e mais funcional!

Estamos em Novembro, o frio já se sente, as noites são mais longas e a chuva já preenche os nossos dias. Gosto do sol, das noites quentes, mas também gosto da chuva e dos dias frios. Já dizia Alberto Caeiro, “Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem cada um é como é.”

Mas o que realmente incomoda são os dias molhados, que mesmo com guarda-chuva é quase inevitável. E se à chuva se juntar o vento? Todos nós conhecemos o drama!

Mas, e se um guarda-chuva se torna-se mais prático e facilitasse as nossas rotinas em dias de chuva? Kaz Designs, uma empresa chinesa, desenvolveu um guarda-chuva que inverteu um pouco o conceito dos guarda-chuvas convencionais que conhecemos. KasBrella, é um guarda-chuva que se abre ao contrário, parece não fazer sentido, mas é surpreendentemente funcional.

Promete ser uma ajudar para os dias chuvosos, abre e fecha em espaços mais confinados, mais resistente ao vento e o  facto de ele manter a face molhada para o lado de dentro quando fechado parece-me já uma ideia ganha. Acho que enfrentar a chuva vai ser mais fácil!

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Prevê-se que o KasBrella só esteja disponível no mercado em Abril do próximo ano. Para já, o projecto está no Kickstarter, colectivo que apoia projectos inovadores, na procura de investimento. 

~ um chá com (guarda)chuva ~

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Chá de Camomila, por favor!

Era uma vez uma antiprincesa…

Muitas são as histórias de homens, fortes, guerreiros, parece que só eles fizeram história e só a eles esta pertence. A elas, cabe o lugar cativo, o lugar de princesas, longe da realidade, recolhidas em castelos enormes e frios e sem lugar na história. Todas as histórias são feitas com estes protagonistas, mas entre tantas princesas, muitas delas são lutadoras, criativas e emancipadas e não vivem em castelos. E são estas, as que romperam com com os moldes da época que fazem parte de da colecção infantil Antiprincesas, das editoras Sudestada e Chimrimbote se dedicam. Aqui são as mulheres latino-americanas as protagonistas, narrativas escritas por Nadia Fink, o primeiro livro contou a história de Frida Kahlo, o segundo a da artista chilena Violeta Parra e o terceiro será dedicado a Juana Azurduy, militar que praticou na luta pela independência da América espanhola.

São leituras que, por intermédio de imagens e ilustrações, pretende separar estas histórias e esta cultura das do grande ecrã que desde pequenos nos foram incutidas. Foi a educação, o principal motivo para o lançamento desta colecção, perceber comportamento dos mais novos, perceber a sua interacção. Valorizando as novas gerações e as mudanças, a história destas antiprincesas procura transformar a arte e o olhar das crianças sobre o mundo. 

Uma colecção pedagógica orientada para as crianças, eles e elas, que crescem neste século XXI, numa altura em que se começa a mudar os paradigmas do feminino e do masculino e que cresce o interesse em relembrar  histórias e mulheres independentes, lutadoras, anteriormente ocultas. Assim são As Antiprincesas, uma colecção que vem pela paz e com heroínas reais!

antiprincesas

~ um chá para os mais pequenos ~

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