Chá do Manifesto

Cuidem de vocês e sejam felizes

O nosso Chá do Manifesto começou há mais de dois anos com uma crónica sobre a “Conversa do Bandido” e a verdade é que cada vez mais concordo com ela.

No último ano vivi duas situações muito difíceis que colocaram em causa toda a minha auto-estima, o meu valor e a minha dignidade. Primeiro com um namorado que nada tinha de compatível comigo, que queria saber todos os passos que eu dava, ao ponto de ser tão ciumento que me afastei da maioria dos meus amigos. Deixei de puder ser espontânea, porque não podia sorrir ou dizer piadas na presença dele. Tinha de pensar sempre antes de falar.

Tínhamos também formas de viver muito diferentes. Ele idealiza uma mulher que seja calma, que dê pouco nas vistas, que tenha pouca opinião e que arrisque pouco. No fundo, uma mulher igual a tantas outras, que acabe por ser totalmente submissa.

Aprendi muito com ele. Acima de tudo, retiro a lição mais importante: amar é sermos nós próprias e que sem amizade nenhum namoro faz sentido. Eu quero aventura, quero extravagância, quero rir muito. No fundo, quero ser eu própria, uma rapariga fora da caixa. Quero dizer o que me vem à cabeça, mesmo que seja a coisa mais disparatada do mundo e que ele me entenda ao ponto de dizer algo ainda mais disparatado.

Ele ensinou-me que nós mulheres não nos devemos rebaixar por seja quem for. Não guardo rancor, mas com ele a ansiedade entrou na minha vida. Foram vários os ataques de ansiedade que se apoderaram de mim com aquela relação extremamente tóxica.

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Posso mesmo afirmar que o que me tem salvado é o desporto. O desporto, o amor da família e dos bons amigos.

Mais tarde, apareceu alguém que parecia ser mais compatível comigo. Tinha sentido de humor, gostava de comunicar como eu. Mas desde o início eu reparei que ele tinha a típica “conversa do bandido”. Apesar de estar totalmente fascinada com ele, à primeira contrariedade ele saiu da minha vida sem dó nem piedade, quando a ansiedade ainda fazia parte do meu dia-a-dia.

Hoje olhei-me ao espelho. Concluí que a dona da minha vida sou eu própria. Que não preciso de homem nenhum para ser feliz.

No entanto, tudo isto me revolta. Cada vez mais as mulheres se deixam levar pela “conversa do bandido” e dão cabo da auto-estima e do amor próprio.

Senão te aceita tal e qual como tu és, então essa pessoa não serve para a tua vida. Senão podes ser espontânea e te impõe uma personalidade igual à de todas as outras mulheres afasta-te imediatamente. Se te manda abaixo e desaparece quando mais precisas, essa pessoa não é digna sequer da tua amizade.

Hoje mais do que nunca o meu amor-próprio está a salvo. A minha auto-estima está livre destas “canções do bandido”.  Sou apenas eu, os amigos, a família e tudo aquilo que me põe feliz. A ansiedade está a desaparecer dia após dia. E sempre que pratico desporto, agradeço por ele me salvar a vida.

Portanto, sejam fortes o suficiente para mandar embora quem não vos aceita e quem vos controla. Sejam fortes para cortar das vossas vidas quem usou a vossa fragilidade para obter o que tanto queria. Na maioria das vezes os homens apenas querem sexo. E descartam-vos ao primeiro obstáculo.

A partir de agora acabou a “canção do bandido”. Eu quero um amigo, um companheiro, alguém que esteja lá para mim e me respeite. Que não me abandone só porque algo na minha vida não vai bem.

Descobri que o amor de um bom amigo, de um animal de estimação e de quem nos adora como somos é algo que devemos preservar na nossa vida. E que nenhum dinheiro do mundo paga o afeto da nossa família, a liberdade de uma corrida, de um passeio pela natureza. Somos a geração em que ter está acima do ser. E eu não quero viver assim…nem nunca mais vou cair na “conversa do bandido”. Infelizmente, eles fazem fila indiana por aí.

Agradeço a eles por me transformarem numa mulher mais forte! Tão forte que agora acordo todos os dias com a alegria de puder ser eu própria sem depender de ninguém.

Sejam vocês mesmas, as outras já existem!

A vida é demasiado curta para sermos iguais ao mundo interior! Preguem um murro na mesa. Não deixem ninguém vos controlar. Não deixei ninguém usar vocês.

“Sometimes you have gotta fall before you fly”

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 ~Um chá de força cheio, por favor~

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Chá do Manifesto

Ser mulher, e não ter Abril!

Documento fundador do Estado Novo, a Constituição Política da República Portuguesa de 1933 foi a constituição política que vigorou em Portugal durante o regime fascista de António Oliveira Salazar até 1974, aquando deposto pela Revolução de 25 de Abril. 

Importa frisar que, embora o texto da constituição mencionasse plebiscito, na realidade esta nova constituição seria aprovada em referendo em 1933, onde as abstenções foram contadas como votos a favor, falseando o resultado. Assim, a Constituição de 1933 foi aprovada e representava a concretização dos ideais de Salazar, onde e convenientemente concentrava em si todos os poderes e se tornaria “Chefe” da Nação portuguesa, implementando o seu modelo político – O Estado Novo. A constituição estabelecia pelo princípio de igualdade entre os cidadãos…Mas, por factores relacionados com a sua natureza, com o bem-estar da sua família e como seu elemento unificador, mulher nunca teve um estatuto de independência ou de igualdade, tanto na família como na sociedade. A mulher era considerada um ser inferior ao homem. Assim ditavam as mentalidades mais conservadoras e o próprio regime, assente na trilogia “Deus, Pátria e Família”, onde a mulher deveria ocupar-se do lar e da família. 

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A mulher casada vs. mulher solteira

Dentro da família, os direitos da mulher casada eram exercidos pelo marido, ele determinava o que a mulher, sua esposa poderia ou não fazer. Ir ao estrangeiro requeria autorização do seu marido, tal como, para trabalhar. A mulher solteira exercia os seus direitos ausente da autorização do homem, quase poderíamos dizer que a mulher casada tinha menos direitos que a mulher solteira

A mulher e o casamento

A idade do casamento era 16 anos para o homem e 14 anos para a mulher. A mulher, face ao Código Civil, podia ser repudiada pelo marido no caso de não ser virgem na altura do casamento. Os casamentos católicos era indissolúveis, ou seja, o divórcio era proibido. Além de que, os filhos nascidos após o primeiro casamento eram considerados ilegítimos, o seu registo impedia o nome do marido actual, sendo em alternativa assumidas com filhos de “mãe incógnita” ou recebendo o nome do primeiro marido.

As mulheres enfermeiras e professoras

As mulheres enfermeiras não podiam casar, e as professoras não podiam casar com qualquer pessoa. As professoras só podiam casar com a autorização do Ministro, concedida apenas desde que o noivo demonstrasse ter “bom comportamento moral e civil” e meios de subsistência adequados ao vencimento de uma professora. Em 1936, o Ministério da Educação proibiu as professoras de usar maquilhagem e indumentária que não se adequasse à “majestade do ministério exercido”.

A mulher e as profissões

A mulher não podia exercer nenhum cargo político, profissões como magistratura, diplomacia, política eram profissões exclusivas para exercício do homem.

A mulher e a educação

Durante alguns anos, até a escolaridade básica para as mulheres era de apenas três anos, enquanto para os homens era de quatro anos. Salazar considerava que bastava saber “ler, escrever e contar”. 

A mulher e o direito ao voto

Apenas as mulheres que fossem chefes de família (se fossem viúvas, por exemplo), tivessem terminado o ensino secundário ou ensino superior poderiam votar. Ao homem apenas lhe era exigido saber ler e escrever. As mulheres apenas podiam votar para as Juntas de Freguesia no caso de serem chefes de família , tendo para isso de apresentar atestado de idoneidade moral. Em 1968 a lei estabeleceu a igualdade de voto para a Assembleia Nacional de todos os cidadãos que soubessem ler e escrever. O facto de existir uma elevada percentagem de analfabetismo em Portugal, que atingia sobretudo as mulheres, determinava que, em 1973, apenas houvesse 24% dos eleitores recenseados.

A mulher e o trabalho

Em 1974, apenas 25% dos trabalhadores eram mulheres. Apenas 19% trabalhavam fora de casa (86% eram solteiras; 50% tinham menos de 24 anos). Ganhavam menos cerca de 40% que os homens. A lei do contrato individual do trabalho permitia que o marido pudesse proibir a mulher de trabalhar fora de casa, tal como, se a mulher exercesse actividades lucrativas sem o consentimento do marido, este podia rescindir o contrato.

A mulher e a família
O único modelo de família aceite era o resultante do contrato de casamento. A família é dominada pela figura do chefe, que detém o poder marital e paternal. Salvo casos excepcionais, o chefe de família é o administrador dos bens comuns do casal, dos bens próprios da mulher e bens dos filhos menores. O Código Civil determinava que “pertence à mulher durante a vida em comum, o governo doméstico”. Distinção entre filhos legítimos e ilegítimos definiam também diferentes direitos. Mães solteiras não tinham qualquer protecção legal. A mulher tinha legalmente o domicílio do marido e era obrigada a residir com ele. O marido tinha o direito de abrir a correspondência da mulher. O Código Penal permitia ao marido matar a mulher em flagrante adultério (e a filha em flagrante corrupção), sofrendo apenas um desterro de seis meses.

A mulher e a saúde sexual e reprodutiva

Os médicos não estavam autorizados a receitar contraceptivos orais, a não ser a título terapêutico. A publicidade dos contraceptivos era proibida. O aborto era punido em qualquer circunstância, com pena de prisão de 2 a 8 anos. Estimavam-se os abortos clandestinos em 100 mil/ano, sendo a terceira causa de morte materna. Cerca de 43% dos partos ocorriam em casa, 17% dos quais sem assistência médica. Muitos distritos em Portugal não tinham maternidade. A mulher não tinha o direito de tomar contraceptivos contra a vontade do marido, pois este podia invocar o facto para fundamentar o pedido de divórcio ou separação judicial.

A mulher e a Segurança Social

As mulheres, particularmente as idosas, tinham uma situação bastante desfavorável. A proporção de mulheres com 65 anos e mais que recebia pensões era muito baixa, assim como os respectivos valores.

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Numa sociedade desigual e reprimida,  depôr o regime era a vontade de todos. Com algumas reuniões clandestinas preparava-se aquela que viria ser a revolução e  fim deste regime autoritário. Embora seja o nosso foco neste chá do manifesto, a repressão não se restringia apenas às mulheres. Assim na madrugada de 24 de Abril de 1974, os capitães avançam com uma movimentação secreta e estratégia até Lisboa. E na manhã de 25 de Abril, o Movimento das Forças Armadas de forma pacífica derrubou o regime fascista de Salazar. Os cravos que uma florista levava para a decoração de um casamento nessa mesma manhã floriram nas espingardas dos militares. Chegara o fim da repressão, da desigualdade, do autoritarismo.

A Revolução dos Cravos representaria assim, e sobretudo para as mulheres portugueses, uma revolução autêntica. O caminho para a conquista de um lugar digno na sociedade, em igualdade de cidadania e não no lugar submisso até então. Agora e hoje, de cravo ao peito cantemos a liberdade.

~Um chá de cravo, manifesto e liberdade ~

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Chá do Manifesto

Beijos de mudança

Ainda que muito discreto, é o primeiro beijo homossexual numa animação da Disney.

Completamente inédito nos trabalhos desta grande produtora , acontece no episódio 22 da série “”Star vs. The Force of Evil”, emitida nos Estados Unidos da América.

O beijo surge na sequência cénica quando a protagonista Star Butterfly e o seu melhor amigo Marco assistem a um concerto e, quando a banda começa a tocar  o tema “Just Friends”, todos os casais presentes beijam-se, entre os quais surge um beijo entre dois rapazes (na verdade vários casais homossexuais, porque o beijo soltou-se entre rapazes e raparigas ou só raparigas).

Disney exibe os primeiros beijos gay

A estreia de um beijo gay na Disney ocorre após os realizadores de Vaiana terem declarado que apoiam totalmente a ideia de no futuro terem uma princesa LGBT (lésbica, gay, transgénero) num dos filmes da produtora de animação.

Esta cena, foi destaque na revista “Attitude”, revista que se dedica ao estilo de vida homossexual, mais voltada para o público gay. Um beijo que provocou alguma controvérsia, mas que nós aplaudimos. Conhecemos a realidade, a sociedade, o preconceito e a discriminação, e portanto, este é apenas um beijo discreto, mas que esperamos se venha a repetir.  Pois são beijos de mudança. Mudança para nova mentalidade, para abertura e compreensão, para o abraço, para o beijo.

Tal como a educação sexual é importante para os mais jovens, o debate sobre questões homossexuais também é. E são nas camadas mais jovens que se fazem as grandes mudanças no futuro. Esperemos mesmo que se repitam, porque somos o que nos ensinam a ser!

~ um chá sem preconceito ~
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Um novo mês chega e com ele um grande amor! [passatempo]

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Hoje damos as boas-vindas a um novo mês. E que tal iniciarmos o mês de Março com um fantástico passatempo? Mas não é um passatempo qualquer…é daqueles que o headshake adora, uma vez que vos coloca mais perto da 7ª arte. E, vamos confessar, uma ida ao cinema é sempre um ótimo programa. Verdade?

Desta vez queremos oferecer-vos 10 bilhetes duplos para a ante-estreia do filme “Um Reino Unido” [5 bilhetes duplos para o El Corte Inglés Lisboa e 5 bilhetes duplos para os UCI Cinemas Arrábida 20 Gaia] no dia 06 de março, pelas 21h30 em Lisboa e dia 08 de março, pelas 21h30 em Gaia.Só vos dizemos uma coisa: WOW!

História: No final da década de 1940, Seretse Khama (David Oyelowo) e Ruth Williams (Rosamund Pike) conhecem-se em Inglaterra. De imediato há algo que os atrai mutuamente. Encontram-se, aproximam-se, admiram-se e apaixonam-se intensamente. Nasce um verdadeiro e grande amor que tinha tudo para ser uma perfeita história romântica…não fosse o contexto em que se encontrava: a implementação da política do Apartheid de Daniel Malan. Tendo em conta que Seretse Khama é negro e príncipe herdeiro do Botsuana e Ruth Williams é branca e britânica, a sua união não só enfrentava um forte preconceito social e familiar, como representava uma afronta política e o princípio de uma guerra com a África do Sul que o Reino Unido não tinha qualquer interesse em despoletar.

“Um Reino Unido” vai além do retrato de uma história de amor verídica, expondo o impiedoso contexto em que esta se desenrolou e de como Seretse e Ruth se impuseram perante todas as contrariedades, ficando na História pela coragem de enfrentarem e derrotarem um império. O casamento foi descrito por Nelson Mandela como “Uma brilhante essência de luz e inspiração”. 

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Não vos dissemos que era WOW?! Parece-nos que vamos sair da sala de cinema lavadas em lágrimas…certo?! E vocês também podem ir. Basta para isso seguir os seguintes passos:

  • Fazer like na página do headshake e do Cinemundo no Facebook
  • Fazer like na página do headshake no Instagram [opcional]
  • Preencher o formulário abaixo até dia 05 de março às 23h59 (permitida apenas uma participação por endereço de e-mail).

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Não podíamos ter começado um novo mês da melhorar maneira, certo? Boa sorte :)

~ um chá e uma história verídica.

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E depois do fim de um amor?

Esta é uma das perguntas que a maioria das mulheres ou jovens mulheres fazem diariamente. Primeiro que tudo um amor nunca se esquece. Fica para sempre na nossa pele e no nosso coração. Ele foi o raio de um idiota? Deixem lá isso: aprenderam mais do que pensam. Descobriram que depois de mais uma perda conseguiram sobreviver, voltar a sorrir e a estar com os amigos a beber o café do costume. No fundo, os amigos são os verdadeiros amores que levamos desta vida.

Contudo, não vos digo que é fácil. Vão sentir-se perdidas e angustiadas muitas vezes. Vão compensar todos esses sentimentos avassaladores com bons amigos, comprimidos, chocolate e momentos de maluqueira. Porque o que seria da vida sem esses tais momentos “fora da caixa”? Vão também ter recaídas e querer saber como ele está. Mas tudo não passa de uma ilusão, porque quando vos magoam uma vez, magoam a segunda ou a terceira. Aprendam que quem não vos compreende com um simples olhar e quem não fica convosco no meio de uma tempestade não é merecedor do vosso amor. Porque amor é amizade, é companheirismo, é altruísmo. 

As lágrimas vão-se, mas o aperto fica. Por isso é que o coração se fecha. Pensamos duas vezes antes de nos metermos noutra aventura, porque podemos partir uma perna ou o coração. Com o avançar da idade ficamos mais exigentes. Já não nos preocupamos se estamos sozinhas ou não, porque aprendemos a gostar da nossa própria companhia. E haverá algo melhor do que isso?

Só vale a pena partilhar o nosso amor com quem realmente esteja para ficar, que nos toque no cabelo com carinho e nos limpe as lágrimas. Que seja forte o suficiente para nos amparar numa queda e não fuja só porque somos “pesadas demais”. O amor só vale a pena quando é altruísta.

Por isso, mulheres ou jovens mulheres chorem muito com a perda do vosso amor. Não se esqueçam que ele vai ser uma recordação para sempre, que vos mudou a alma. Mas nunca deixem o vosso amor-próprio ir embora por ninguém. 

O amor é possível. Ele existe, em momentos de alegria, tristeza e maluqueira. O amor também é aventureiro, é estar à vontade e sermos nós próprias. Porque se assim não for não vale a pena investir em algo tão importante.

Custa voltar a acreditar. Mas enquanto o amor verdadeiro não chega invistam em vocês próprias e riam muito. Rir faz tão bem à alma!

No final de contas, as estações mudam. As pessoas entram e saem da nossa vida. Mas é reconfortante saber que quem amámos ficará para sempre no nosso coração.

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~ Um chá de conforto ~ 

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Travel Post #12 – Tailândia, o país das maravilhas

Uma viagem de sonho, pessoas generosas e locais paradisíacos é tudo aquilo que resume a minha viagem à Tailândia. Foram 12 dias intensos, onde a boa-vibe está presente em todos os momentos.

O calor que senti era, principalmente, das pessoas. A sua simpatia, dedicação e sensibilidade, faz da Tailândia um país paradisíaco. As recordações são tantas, que decidi reunir o Top 10 dos momentos mais marcantes desta viagem.

10 – Fazer Yoga na praia

9 – Snorkeling nas Phi Phi

8 – Andar de Tuk-Tuk

7 – Andar de scoter em Ko Lanta

6 – Klong Muang Beach

5 – Massagens 

4 – Passeio de Barco no Rio de Krabi

3 – As Phi Phi

2 – Os Templos

Tiger Temple

Os Templos são impressionantes. A vibe vivida nestes locais sagrados, apesar de muito respeitadora, é leve e descontraída. É uma energia que nos transporta para uma espiritualidade simples e positiva.

1 – Os Elefantes
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Um amor proibido

Tudo começou por acaso. Estava a participar num projeto do Serviço Voluntário Europeu na Turquia, quando me apaixonei perdidamente por uma muçulmana de Alepo. Uma das atividades do projeto consistia na colaboração com a professora de artesanato, a tal muçulmana, numa associação que dá apoio aos refugiados sírios. Uma a duas vezes por semana eu participava na aula e, propositadamente, às segundas-feiras, dia em que fazíamos uma reunião para distribuir os voluntários pelas atividades semanais, eu era sempre o primeiro a colocar o dedo no ar, de forma a garantir mais interação com a minha amada.

Sempre que chegava à sala, o sorriso dela enchia-me o coração e até me deixava atrapalhado. Numa manhã, após terminada a aula, ela perguntou-me se queria tomar um chá ou um café, num inglês muito limitado e com recurso a gestos. Felicíssimo respondi afirmativamente. No entanto, a minha vontade de a convidar para um café no exterior já era enorme, mas rodeado de muçulmanas sírias tinha algum receio e pedir o seu perfil do facebook também daria muito nas vistas.

Num outro dia, após uma reunião, estava a sair da associação e encontrei o meu tutor do voluntariado, que me aconselhou a não ir pela rua do costume, uma vez que estava demasiado escuro. Assim fiz um desvio. Enquanto descia uma rua, encontrei a minha amada muçulmana, com o seu típico lencinho e aquele sorriso esplendoroso de sempre. Estava acompanhada por um rapaz sírio, que não sabia que tipo de relação eu mantinha com ela. Neste exato momento, a muçulmana gesticulou um coração com os dedos e não podia ser mais sincera quando me disse “I love you”. Fiquei em êxtase. O rapaz sírio apanhou um autocarro, deixando-me mais aliviado. Assim podia estar à vontade para a conhecer melhor. Fomos até a um jardim próximo. Aproveitámos para trocar os números de telemóvel e combinar um encontro no dia seguinte.

As primeiras perguntas que me fez no segundo dia que nos encontrámos foram se gostava dos sírios, se era cristão e se gostava de bebés. Aproveitei também para lhe oferecer uma rosa vermelha e um chocolate. O caricato é que ela só falava árabe e turco. Eu só falava português e inglês. A comunicação acontecia através de gestos e com a ajuda do Google Tradutor, o que nem sempre era fácil. Quando não nos compreendíamos, ela telefonava para a irmã, fluente em inglês, para a ajudar a traduzir o assunto que estávamos a conversar.

Habitualmente só dávamos beijos na cara, porque na Turquia não é bem visto beijar na rua. E, num encontro que tivemos num jardim botânico, tentei dar-lhe um beijo na boca. Ela afastou-se, apontou para o céu e gesticulou com as mãos, tentando dizer “Alá vê”. Eu pedi-lhe desculpa, e pensei em tom de brincadeira “Alá está lá tão alto que não consegue ver”. Num outro dia convidei-a para irmos para o meu quarto ou para um hotel e a resposta foi a mesma: “Alá vê”. Voltei a respeitar, mas pensei novamente num tom brincalhão: “Alá não vê, porque a casa tem telhado”. Sempre que me entusiasmava ela relembrava-me que era muçulmana e eu parava.

Mas, de um momento para o outro, ela deixou de aparecer aos encontros e de responder às mensagens. Fiquei bastante deprimido e sem saber o que fazer. Entretanto disse-me que só podíamos ser amigos e que temia vir a ter problemas no trabalho. Eu compreendi, porque eu não sou muçulmano e na associação onde ela trabalhava haviam bastantes muçulmanos que não iriam aprovar um namoro daquela natureza.

Quatro dias depois, fui esperá-la numa rua perto do trabalho, onde consegui encontrá-la. Ela voltou a frisar que era perigoso continuarmos a namorar e que ficaríamos amigos. Combinámos ir beber um chá no outro dia, mas ela não apareceu. Já lhe tinha comprado um peluche com um “I love you” em turco, mas já não havia mais oportunidade de lho conseguir entregar. Assim, fui dá-lo a umas meninas sírias muito pobres que habitavam numa rua perto de mim e aproveitei também para comprar bolas para os meninos.

Atualmente comunicamos pelo whatsApp, através de pequenas mensagens e símbolos. Confessamos frequentemente que nos amamos e que temos saudades um do outro. As saudades são expressas, mas não há promessas. Já me perguntou se iria voltar à Turquia e eu respondo que se voltar, será por ela.

Há poucos dias, a minha amada enviou-me fotografias sem véu, o que demonstra um grande significado, porque na cultura muçulmana, só o fazem perante a família e o marido. Foi a primeira vez que vi como era o seu cabelo.

Nunca mais esquecerei o seu olhar doce. E, tenho a certeza que esta é uma linda história que, num futuro longínquo, contarei aos meus netos.

Tenciono ir visita-la um dia.

Mas não sei se isto não passará apenas de um sonho distante…

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~ Um chá repleto de amor e cultura~

*Crónica de um jovem  português voluntário na Turquia

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