Design é tudo aquilo que nos rodeia. Este foi o princípio para a criação da campanha de comunicação desenvolvida pela Character, agência situada em San Francisco (EUA) para a Design Week da cidade. San Francisco Design Week é o maior evento da área na cidade, reunindo várias pessoas de várias áreas do design para uma semana non-shop de eventos, entre palestras e estudios.
O objectivo seria representar e destacar o ecossistema diversificado que compõe este centro de criatividade a que chamamos casa. Neste sentido, o conceito passou pela construção de 4 letras gigantes, DWSF, referentes às iniciais que dão nome ao evento, numa estrutura em madeira que forma um padrão (que acho um máximo) e com umas das superfícies em espelho. O propósito destas letras em grande escala passou por inseri-las em ambientes comuns e fotografá-las, para então, criar peças de comunicação.
O resultado é bastante interessante, as letras conseguem preencher-se da realidade, espelhando o ambiente que integra. As letras (design) integram o espaço e vice-versa, o espaço também integra as letras. Uma forma muito simples e eficaz de, não só comunicar o evento de design, como também explicar o que é o design, o seu conceito e o seu lugar. Um projecto que leva literalmente à letra essa máxima de que o Design é efectivamente tudo o que nos rodeia, completando a ideia do evento, onde o trabalho de designers moldam o mundo e a sua estrutura de forma (in)directa e de diversas maneiras.
Outra abordagem que deve ser feita sobre esta campanha é as peças de comunicação numa perspectiva fotografia. Num leitura isolada, vemos composições harmoniosas, sistemas complexos, quadros intricados, mas tão cheios de si e numa relação directa com um espaço-paisagem, com a sua continuidade e intemporalidade. Podíamos chamar-lhes de autênticos e bons trocadilhos visuais, porque se para grandes males, grandes remédios, para grandes mensagens, grandes letras!
Pouco a pouco, as pessoas vão percebendo o que é isso de design, qual a sua finalidade, a importância, a presença dele que, queiramos ou não, está em praticamente tudo o lado, no que vemos, no que fazemos. E o design ganha, então, o seu lugar.
No entanto, existem vários sectores de negócio em que além do design não ser um factor prioritário, parece estar estandardizado, como que tentar algo diferente seria totalmente descabido e fora desse modelo à muito concebido, e que não acompanhou mudança ou os novos tempos. Mas, e para bem de todos, é uma regra que muitos têm vindo a quebrar. É o caso da Era – imobiliária, que recentemente renovou a sua imagem e comunicação.
Todas as empresas e negócios no ramo do arrendamento apresentam-se visualmente muito semelhantes entre si, parecem obedecer a um modelo, por sinal pouco atractivo e funcional. Se estivermos atentos, vemos mesmo que o logótipo são o único elemento diferenciador, mas que mesmo em termos cromáticos encontramos semelhanças.
A Era aposta agora numa nova imagem, um rebranding que passa pelo logótipo e pela sua plataforma web que a meu ver torna-se o mais relevante nesta nova comunicação. O que antes parecia pouco atractivo e pouco com uma apresentação pouco criativa é agora mais agradável ao olhar, e parece que arrendar casa afinal não é um bicho de sete cabeças.
Neste sentido, penso que a imagem actual soma pontos quer enquanto projecto de design, e sobretudo, enquanto projecto de design no sector.
@ Isabel Cunha
Aliado ao novo design diferenciador vemos uma comunicação única que distingue facilmente a Era das demais.
A aproximação do público é notória, bem como a chamada de atenção para simplificação de processos.
Arrendar, vender e comprar a casa perfeita para cada um de nós é a missão. Os Agentes Era são, segundo a empresa, máquinas no que toca ao arrendamento e venda de casa. Cada um deles é especializado em um assunto do ramo imobiliário, o que torna a Era na melhor solução global quando se trata de arrendar/vender/comprar casa.
A intenção de mostrar segurança e confiança, com a alusão aos conhecidos filmes 007 e Missão Impossível, tornam a Era numa possível líder de mercado para o Ano 2016.
A renovada comunicação no Facebook também veio dar à marca o toque de frescura que já precisava à algum tempo.
A Era não se limita a mostrar casas e a promover o arrendamento/venda (como a maioria dos seus concorrentes), mas preocupa-se em construir uma relação de confiança com os seus seguidores.
Caso o serviço de venda acompanhe o carácter personalizado e vencedor da comunicação, esta será uma aposta ganha para esta marca.
Falemos de Tipografia. Sim, de tipos de letra. Tanto nos eventos, na comunicação ou no design, a tipografia é essencial e praticamente obrigatória. Pode parecer um assunto chato e desinteressante mas é sem dúvida algo presente aos nossos olhos todos dias! Nos sinais de trânsito, nas placas de informações, nas pastelarias, restaurantes, multibancos. Não conseguimos fugir. A tipografia é um meio essencial de comunicação.Apesar da pressa do dia-a-dia nos forçar a focar apenas no conteúdo escrito, o nosso cérebro absorve diversos tipos de letra durante o dia. A designer Sarah Hyndman, publicou recentemente The Type Taste, um livro que explora as nossas respostas emocionais e subconscientes aos diferentes tipos de letra.
The Type Taster Book
Este é um livro que todos os designers deviam ler, inclusive “não-designers”. É, a meu ver, um livro que explora um mundo complexo muito pouco falado e ao qual se dá pouca importância, até mesmo na educação do designer.No livro, Sarah Hyndman mostra como os tipos de letra podem influenciar uma tomada de decisão, podem evocam memórias ou afetar outros sentidos, através de uma pesquisa aprofundada, feita pela própria durante oito meses, a qual lhe permitiu abordar o tema de uma forma divertida e educacional para todos os públicos. São também vistas de perto as personalidades individuais de diferentes tipografias e observadas as escolhas de tipos de letra de cada pessoa e o que estas revelam sobre a sua personalidade.
O livro começa com uma introdução sobre a importância da tipografia, seguindo-se de uma breve história desde a década de 1450 da tipografia até aos dias de hoje, bem como algumas regras gerais sobre o uso. Mas melhor que isso tudo, o livro aborda a reação à tipografia através de diversos diagramas, quizzes e jogos.Um dos jogos é o Type Dating Game, no qual as pessoas imaginam que estão num evento de Speed Dating e têm de escolher um tipo de letra que as identifique/represente, um tipo de letra com o qual teriam um encontro, ou dos quais se tornariam amigos. Font Census é outro jogo onde é necessária a escolha de um tipo de letra pelos participantes e, os mesmos, têm de responder a diversas perguntas sobre a tipografia escolhida, como “Que trabalho esta faria?”.
Outra coisa engraçada sobre este livro é que se pode escolher entre 5 capas, cada uma com uma tipografia diferente: Baskerville, Clarendon, Didot, Gill Sans, Helvetica. Dentro do livro pode-se encontrar a análise de personalidade correspondente à escolha da capa. Cada livro vem ainda com uns óculos azuis e vermelhos para se observar uma serie de imagens azuis e vermelhas, que revelam o que uma tipografia diz diretamente e o que pode transmitir implicitamente.
ONDE COMPRAR O livro está apenas disponível para comprar diretamente através site Type Tasting e numa pequena seleção de lojas de venda de livros independentes. Para comprar através da Europa clique aqui.
Depois de alguns anos de um Porto sem identidade gráfica (falo em identidade, porque um logotipo não é uma identidade), sim porque aquele logotipo pouco ou nada traduzia aquela que é a cidade do Porto, uma cidade plural. E talvez tenha sido este o ponto de partida de tudo isto. Uma necessidade que não passou despercebido nem ao olhar de Rui Moreira, nem ao olhar dos criativos e designers que, em boa hora, reavivaram a cidade invicta.
Mas esta necessidade aponta ainda para um desafio maior. Não nasci no Porto, mas perto. Perto o suficiente para entranhar a sua essência. O Porto é uma cidade muito peculiar. Um tanto ou quanto romântica, onde as ruas não são paralelas, onde as fachadas não são todas iguais, onde o velho se cruza com o novo e o moderno faz torcer o nariz a alguns. Não é uma cidade perfeita (acredito que nenhuma o seja) mas vivesse como se o fosse, está nas entranhas da gente do norte. Ser tripeiro, ter sotaque e encarar a vida de forma positiva, como se a felicidade ali, fosse plena.
Tudo é diferente, mas tudo se integra e é este o desafio: criar uma imagem visual onde o diverso seja um único e transversal. E é nesta sequência que, em 2014, a Câmara Municipal do Porto apresenta a nova imagem, a nova marca, o Porto, o “Porto. Ponto.” A identidade gráfica desenhada pelo estúdio portuense White Studio é o resultado perfeito que sai em defesa dos valores, autenticidade e pluralidade de uma cidade como o Porto.
O projecto envolve um conjunto de pictogramas que representam os diversos elementos e lugares da cidade, construindo uma identidade completa e versátil que por si só enriquece a cidade e a sua comunicação enquanto marca. Um resultado funcional e simples, capaz de integrar de forma relacional e harmoniosa o que aparenta ser oposto e diferente. Agora tudo fala a mesma linguagem, o diferente consegue ser, também uniforme, existe um sistema visual, uma identidade global, uma cidade global. E por isso, a avaliação não pode ser isolada, se assim for nada têm lógica e nem serve o propósito deste projecto. Aqui as pequenas e simples coisas conjugam-se e comunicam de forma simples o que é complexo. Aqui o todo é maior que a soma das suas partes: A+B não é simplesmente (A+B), mas sim um C, esta é a leitura que deve ser feita desta identidade visual. E isto é mais significativo do que aparenta.
Mas a nova marca não foi alheia à controvérsia. Aquele logotipo. Aquele ponto. “Porto. Ponto.” que eu leio como elemento de personalidade e que como slogan, o Porto não se quer definido. O Porto é o Porto carago! ponto. Muitos não gostam outros não conseguem “ler”. A verdade é que resultado criativo, que para uns intrigou, é este ano distinguido pelos Prémios Brandemia como Melhor Marca Criada em 2014, sendo assim, a primeira marca portuguesa a obter um prémio Brandemia.
A nova imagem do Porto caminha ao lado da Brandal, distinguida como melhor agência de espanha/Latinoamerica e da Airbnb, distinguida como melhor marca internacional.
Esta nova imagem foi adoptada a todos os meios de comunicação institucionais da autarquia, com uma nova web, com um portal de notícias, com produtos de merchandising. Um conceito que, entre linhas modernas, não se desfaz (e ainda bem) do tradicional, dos costumes já que a mesma foi apresentada em através de um painel de azulejos pintados à mão. O azulejo, elemento tão português e que pintam as inúmeras fachadas da cidade. Uma identidade visual que espelha bem a cidade do Porto e que o potencia enquanto marca turística, têm capacidades para ser um ponto turístico e um ponto no design português além fronteiras.
O Porto é simples. O Porto é generoso. O Porto é diverso. O Porto é moderno. O Porto é azul (azul, destaco). O Porto está de parabéns.
p.s.: E, não que eu tenha alguma coisa contra o senhor, mas não foi necessário falar com o Sagmeister nem custos milionários, até aqui se vê a essência em ser tripeiro!
Nem só de digital vive o design, ao contrário do que muitos julgam, e não me refiro ao senso comum (aqui alguns nem sabem bem o que é design) refiro-me também a designers.
O design é muito para lá do digital. Criar um logotipo, um organograma nasce muitas vezes (e bem) de um diálogo entre o papel e a caneta. Um cartaz pode, em parte, ser uma composição fotografada. Um tipografia é levada a régua e compasso para dar forma às letras, às palavras.
Isto não prescinde o uso do digital obviamente. Estamos na era do digital, o computador está munido de ferramentas cada vez mais aprimoradas e, portanto, cada vez mais um recurso que nos ajuda imenso e aperfeiçoam o resultado que pretendemos. Logo é o conceito que determina o processo.
Todo o projecto gráfico têm ou pelo menos deveria ter um briefing, é sobre ele que vamos trabalhar, é sobre ele que sublinhamos as premissas para uma mensagem visual que se espera eficaz e precisa. E quanto mais amplo for melhor será o resultado gráfico. A mente não pára, chovem as primeiras ideias, desenham-se os primeiros esboços. Começa aventura, o processo criativo. E quando o conceito parece estar definido, todas as técnicas que sejam para capazes de concretizá-lo com sucesso são válidas. E isto é igualmente válido para qualquer área de trabalho no design, porque o foco aqui é sempre a mensagem visual.
Ainda me lembro quando, na faculdade, desenhava um logotipo de goiva na mão. Xilogravura, uma técnica chinesa e já antiga, mas que a muitos intrigava. A mim surpreendia-me. Aquele conceito. Como conseguia aquela técnica tornar um projecto de identidade visual ser tão expressivo e tão pleno. E neste caso, correu mais tinta entre a madeira que na máquina digital, e ao contrário do que muitos pensam, isto também é design. Isto é design!
Entre a arte e a informação tenho partilhado alguns projectos (pesquisem e revejam) que exploram técnicas, materiais e pormenores que fazem a diferença e que tornam cada projecto consistente, mais coeso e visualmente interessante. Isto é comunicação visual, isto é design!
Afinal de contas o que é o computador senão um recurso da técnica digital?
É delicado. É perfumado. É intenso e suave. Também tem cor. Também tem cheiro. Entre flores e frutos, podia ser chá. Mas não é chá, hoje são sabonetes. Sim sabonetes, artesanais e com design.
Este projecto desenvolvido pelo estúdio Erik from OZ, situado em Barcelona, desenha a identidade visual da Mencía, uma marca de sabonetes produzidos de forma natural sem elementos prejudiciais para o meio ambiente. Um conceito que, além de perfumado, é também delicado em termos práticos, não só no processo de fabrico como no processo criativo.
Mencía é uma marca que assenta na matéria-prima, nas essências e nos odores naturais, e portanto, são as premissas que ditam a conceptualização criativa. No sentido, de preservar e valorizar estes pontos fortes da marca, foram explorados materiais mais orgânicos como o papel reciclado, o kraft (que eu adoro) ou até, a madeira. São materiais que reforçam a imagem natural e o processo de produção da marca e que definem a sua identidade.
As ilustrações fazem lembrar os livros antigos sobre botânica e que, combinadas com a tipografia, estabelecem um diálogo perfeito entre o natural e orgânico. O logotipo Mencía pretende também esta relação com o botânico, em que o M, como elemento de identidade, se funde com uma rosa suavemente ilustrada, um dos odores mais representativos da perfumaria. A Adobe Caslon pela sua força variedade tipográfica contribuem para um identidade corporativa rica e múltipla na hierarquia de informação.
Numa semana em que o cinema esteve na ordem do dia, hoje substituímos as pipocas por umas trufas de chocolate.
Entre marido e mulher nós metemos a colher, só temos coisas boas a dizer. Ori Hellerstein e Yvonne Costello são a perfeita combinação que dão nome aos requintados chocolates. E tudo é artesanal, as trufas e o design, a Robot Food desenvolveu a identidade gráfica da C&H, procurando proporcionar uma experiências sensorial completa. Um abordagem técnica e criativa que nos lembra o padrão do mármore, as suas linhas, os seus fluxos aqui com um brilho especial.
O resultado consegue ser tão delicioso quanto as trufas, uma combinação entre o orgânico e o artesanal, entre o sublime e o requintado, entre cor e sensações. Tanto e tanto que a gula sente-se provocada!!!