Chá das 3, Chá do Manifesto

Messy Hair

Quem nunca teve um turbilhão de pensamentos? Daqueles que nos deixam tão confusas ao ponto de não sabermos mais o porquê de estarmos confusas. Hum.. estranho, não é? Tudo isto tem tendência a acontecer naquelas fases em que olhamos para trás e vimos o quanto crescemos e o quanto já vivemos (ou pensamos ter vivido), e que foi devido a algumas circunstâncias que cada vez pensamos mais no que devemos ou não fazer, e nas consequências dos nossos atos.

Se acontece, é porque realmente vivemos. Mas vivemos agarradas a quem somos ou a quem gostaríamos de ser? Essa é a questão de uma vida inteira. Engloba todo o nosso mundo. Quem somos, para onde vamos, com quem vamos. Vivemos dia após dia, tal como deve ser feito. Mas fazemos algo que saia da nossa rotina? Arriscamos o suficiente? Atiramos-nos de cabeça? Ou simplesmente deixamos que o passado comande diariamente o nosso presente? É isto.. é isto que nos prende.

Prendemos-nos tanto ao nosso passado que nos vimos bloqueadas no presente. Pensamos que houve alturas em que simplesmente demos tudo de nós, que nos entregámos de corpo e alma e no final de contas, fracassámos. Sim, fracassámos. Na nossa cabeça o fracasso foi nosso, não foi de mais ninguém. Na nossa cabeça éramos nós que tínhamos que ter força suficiente para conquistar aquela pessoa que nos fazia tremer as pernas. Mentalizamos-nos tanto disso, que nos esquecemos que também merecíamos ser conquistadas. E quando do nada, chega o momento em que podemos vir a ser conquistadas, não queremos. Não queremos porque não queremos mais brincar, não queremos mais perder mais tempo, não queremos mais sentir novamente a sensação de fracasso. Então não arriscamos mais, acabamos por dançar, beber um copo de vinho, dar um beijo longo e acordamos no dia a seguir sem expectativas, sem dramas, sem dilemas, sem fracassos.

E quando ponderamos dar um passo em frente, vem o passado e coloca todas as dúvidas na nossa cabeça, questiona tudo novamente e faz-nos ter turbilhões de pensamentos como aqueles que tínhamos no início de tudo. Torna-se um ciclo vicioso porque acreditamos que um dia pode dar certo. E que aquele clichê “no passado tinha que dar errado para no futuro dar certo” seja real e aconteça. Mas aquela perguntinha surge sempre na nossa cabeça, “E se..?”.  Portanto, isto de tentar agir consoante o que queremos ou não, é como o nosso cabelo. Uns dias têm mais jeitos e há que decidir se utilizamos a placa para o tornarmos “simples e fácil” ou simplesmente deixá-lo como está, “rebelde e arriscado” de forma a contrariar os fracassos e dar voz ao destino.

Por isso, é fácil dizer “Hoje é o dia de fazer diferente”.. A verdadeira luta acontece quando nos deparamos com uma possível mudança no nosso quotidiano, e aí sim somos corajosos o suficiente para enfrentar essa mudança e arriscar mesmo sabendo das duas possíveis faces da moeda, ou deixamos que o medo nos retraia?

Hoje é dia de turbilhão de pensamentos, certo?

~um chá e um turbilhão de pensamentos~

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Chá das 3, Chá do Manifesto

O Tempo e o Amor … poderiam não ser efêmeros

O tempo…

Levamos a vida a contar as horas, os minutos, os segundos, até o tic-tac do ponteiro do relógio. Horas para isto, horas para aquilo…na verdade, levamos a vida como se de um iogurte com prazo de validade se tratasse, e deixamos muitas vezes de dar importância ao que verdadeiramente importa: a essência do tempo.

O tempo é algo tão efémero, tão momentâneo, tão irreversível, tão escasso, que quase vivemos como se não pudéssemos esgotar esse bem tão precioso na vida.

O quão é bom desfrutar de um pôr do sol à beira mar, fechar os olhos e sentir o vento na cara, a brisa no corpo; o quão é bom fechar os olhos e dormir sem hora para acordar, o quão é bom ficar no sofá sem que nada apeteça fazer; o quão é bom sair de casa sem saber onde ir e acabar no café com uma amiga à conversa e sem dar conta já
la vão uns copitos; o quão bom é estar por estar porque não se sabe o que vem a seguir… Bom, isto quase parece querer viver a vida de improviso e imprevisto, mas na verdade bom seria se de vez em quando abríssemos a panela de pressão para espreitar o cozinhado, se de vez em quando parássemos o relógio do tempo que nos impõe
validade nas rotinas do dia-a-dia e reflectíssemos no seguinte: afinal o que andamos aqui a fazer?

Infelizmente ou felizmente a minha experiência no ramo profissional têm-me dado boas tardes e noites de reflexão, de pensar no que realmente importa.

Nós, pessoas, não somos nada mais do que átomos, somos feitos de energia e a nossa fragilidade é dantesca ao ponto de num segundo, num abrir e fechar de olhos tudo mudar, como se de um filme se tratasse, em que as imagens passam à velocidade da luz e num minuto consegues ter o resumo de uma vida. Posto isto, e considerando que a energia que me move é o amor, acredito que cada vez mais colho do meu jardim aquilo que planto, e atraio para mim aquilo que quero, às vezes não parece, mas na verdade é tudo uma questão de perspectiva. O amor, aquele sentimento de que toda a gente fala, que envolve multidões e tantas vezes destrói partes de corações, porque sim, o amor é difícil, e amar então… uff. Amar é complicado, mas amar deixa-nos livres e faz-nos não estar limitados neste tempo. Tempo que nos obriga a amar de repente porque a “vida é curta e são dois dias”, de repente porque os sentimentos surgem como se de uma promessa se tratasse, de repente porque o amor é um bem tão escasso quanto o tempo e nem sempre conseguimos entendê-lo na sua pequena essência.

O comboio da vida permite-nos que entre gente, percorra caminho e saía quando assim tiver de ser e as paragens que vamos fazendo no percurso do tempo levam um pouco de nós e deixam um pouco de gente. Na verdade, e querendo eu falar no sexo oposto, porque acredito que a mulher faz o homem e o homem faz a mulher, considero não ser fácil esta coisa de nos apaixonarmos, chegarmos a amar alguém e queremos essa pessoa “sempre”, sempre nas nossas vidas. Mas calma, a paixão e o amor são coisas diferentes e na verdade ninguém fica para sempre nas nossas vidas, nada é eterno.

Compreendo quase como uma falácia o facto de querermos alguém para sempre nas nossas vidas, pelo simples facto de que nascemos e morremos sozinhos. No entanto, não deixo de concordar que o amor é o combustível do comboio que tantas vezes nos custa a conduzir, o comboio que às vezes vai tão embalado e se vê obrigado a parar, o comboio que sempre parte e sempre chega. O amor é tão mais do que um sentimento, é tão mais que tudo, que às vezes chega a ser impensável que tenha de ser cronometrado. Por isso não vale a pena pensarmos que temos de ir buscar fontes de amor aqui e ali, porque o amor está em nós e é no fundo ele que nos leva para a frente.

Às vezes apetece-me gritar “basta” ao mundo, porque um minuto pode ser perfeito e no entanto, existe uma vida cheia de imperfeições. Basta de cronometrar e estabelecer um tempo para isto e para aquilo, porque o que tiver de ser terá a força do amor que semearmos em nós mesmos e isto torna-se uma coisa multidirecional. Não importa o que temos hoje, importa aquilo que somos hoje e seremos amanhã, porque o que somos morre connosco, isso é certo!

E porque isto para mim é como se diz o “pão nosso de cada dia”, sim, vejo morrer pessoas quase todos os dias e posso dizer que o nosso corpo é só o nosso corpo, as pessoas que nos amam são só as pessoas que nos fazem partir em paz, as que nos são indiferentes e em nada nos acrescentam vamos triando por essa vida fora, as que por
algum momento da nossa vida nos magoaram, as que nos fizeram chorar, sorrir,tremer de medo, sentir borboletas na barriga, apaixonar, salta de alegria, são só as pessoas que… e o resto pessoas, é só o resto, porque desta vida o que deixamos é quase nada para o tesouro que levamos connosco.

~um chá com tempo e com amor ~

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Chá do Manifesto

Um amor proibido

Tudo começou por acaso. Estava a participar num projeto do Serviço Voluntário Europeu na Turquia, quando me apaixonei perdidamente por uma muçulmana de Alepo. Uma das atividades do projeto consistia na colaboração com a professora de artesanato, a tal muçulmana, numa associação que dá apoio aos refugiados sírios. Uma a duas vezes por semana eu participava na aula e, propositadamente, às segundas-feiras, dia em que fazíamos uma reunião para distribuir os voluntários pelas atividades semanais, eu era sempre o primeiro a colocar o dedo no ar, de forma a garantir mais interação com a minha amada.

Sempre que chegava à sala, o sorriso dela enchia-me o coração e até me deixava atrapalhado. Numa manhã, após terminada a aula, ela perguntou-me se queria tomar um chá ou um café, num inglês muito limitado e com recurso a gestos. Felicíssimo respondi afirmativamente. No entanto, a minha vontade de a convidar para um café no exterior já era enorme, mas rodeado de muçulmanas sírias tinha algum receio e pedir o seu perfil do facebook também daria muito nas vistas.

Num outro dia, após uma reunião, estava a sair da associação e encontrei o meu tutor do voluntariado, que me aconselhou a não ir pela rua do costume, uma vez que estava demasiado escuro. Assim fiz um desvio. Enquanto descia uma rua, encontrei a minha amada muçulmana, com o seu típico lencinho e aquele sorriso esplendoroso de sempre. Estava acompanhada por um rapaz sírio, que não sabia que tipo de relação eu mantinha com ela. Neste exato momento, a muçulmana gesticulou um coração com os dedos e não podia ser mais sincera quando me disse “I love you”. Fiquei em êxtase. O rapaz sírio apanhou um autocarro, deixando-me mais aliviado. Assim podia estar à vontade para a conhecer melhor. Fomos até a um jardim próximo. Aproveitámos para trocar os números de telemóvel e combinar um encontro no dia seguinte.

As primeiras perguntas que me fez no segundo dia que nos encontrámos foram se gostava dos sírios, se era cristão e se gostava de bebés. Aproveitei também para lhe oferecer uma rosa vermelha e um chocolate. O caricato é que ela só falava árabe e turco. Eu só falava português e inglês. A comunicação acontecia através de gestos e com a ajuda do Google Tradutor, o que nem sempre era fácil. Quando não nos compreendíamos, ela telefonava para a irmã, fluente em inglês, para a ajudar a traduzir o assunto que estávamos a conversar.

Habitualmente só dávamos beijos na cara, porque na Turquia não é bem visto beijar na rua. E, num encontro que tivemos num jardim botânico, tentei dar-lhe um beijo na boca. Ela afastou-se, apontou para o céu e gesticulou com as mãos, tentando dizer “Alá vê”. Eu pedi-lhe desculpa, e pensei em tom de brincadeira “Alá está lá tão alto que não consegue ver”. Num outro dia convidei-a para irmos para o meu quarto ou para um hotel e a resposta foi a mesma: “Alá vê”. Voltei a respeitar, mas pensei novamente num tom brincalhão: “Alá não vê, porque a casa tem telhado”. Sempre que me entusiasmava ela relembrava-me que era muçulmana e eu parava.

Mas, de um momento para o outro, ela deixou de aparecer aos encontros e de responder às mensagens. Fiquei bastante deprimido e sem saber o que fazer. Entretanto disse-me que só podíamos ser amigos e que temia vir a ter problemas no trabalho. Eu compreendi, porque eu não sou muçulmano e na associação onde ela trabalhava haviam bastantes muçulmanos que não iriam aprovar um namoro daquela natureza.

Quatro dias depois, fui esperá-la numa rua perto do trabalho, onde consegui encontrá-la. Ela voltou a frisar que era perigoso continuarmos a namorar e que ficaríamos amigos. Combinámos ir beber um chá no outro dia, mas ela não apareceu. Já lhe tinha comprado um peluche com um “I love you” em turco, mas já não havia mais oportunidade de lho conseguir entregar. Assim, fui dá-lo a umas meninas sírias muito pobres que habitavam numa rua perto de mim e aproveitei também para comprar bolas para os meninos.

Atualmente comunicamos pelo whatsApp, através de pequenas mensagens e símbolos. Confessamos frequentemente que nos amamos e que temos saudades um do outro. As saudades são expressas, mas não há promessas. Já me perguntou se iria voltar à Turquia e eu respondo que se voltar, será por ela.

Há poucos dias, a minha amada enviou-me fotografias sem véu, o que demonstra um grande significado, porque na cultura muçulmana, só o fazem perante a família e o marido. Foi a primeira vez que vi como era o seu cabelo.

Nunca mais esquecerei o seu olhar doce. E, tenho a certeza que esta é uma linda história que, num futuro longínquo, contarei aos meus netos.

Tenciono ir visita-la um dia.

Mas não sei se isto não passará apenas de um sonho distante…

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~ Um chá repleto de amor e cultura~

*Crónica de um jovem  português voluntário na Turquia

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Chá das 3

O dia 13 é o dia em que tudo começou

Já aqui escrevi sobre nós. Sobre mim. Sobre o nosso amor. Ter uma relação não é fácil, é como uma flor que precisa de ser regada todos os dias com muita criatividade e vontade de fazer valer o que temos.

Nem tudo são rosas, umas vezes há discórdia, outras vezes consenso, umas vezes um puxa para um lado, e o outro, para o lado oposto. O que faz com que tudo resulte é o objectivo final ser em comum: ser feliz e fazermos-nos felizes um ao outro.

Atravessei o Atlântico porque o que me move é o amor! Voltava a fazê-lo vezes e vezes sem conta. Sou feliz, e grande parte dessa felicidade deve-se à pessoa que tenho ao meu lado.

A compreensão e o amor estão presentes em tudo, incluindo nas discórdias do dia-à-dia, porque se elas existem é porque nos importamos. Se nos importamos, é porque existe amor.

6 Anos depois continuo a estar apaixonada, a amar a nossa vida em conjunto, os nossos gatos e principalmente a ti!

Obrigada por me fazeres feliz!

With Love

~ A Miúda Portuguesa no UK na sua versão mais lamechas… ~

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Coisas de RP

“Deixe o amor entrar” com a IKEA

“Bem vistas as coisas, o coração é que manda” é assim que começa o novo anúncio da IKEA. Continuando a ver o vídeo, encontramos sucessivas referências ao amor e fica no ouvido mais uma frase: “quando o coração fala, sabe o que diz”. Deixe o amor entrar é a mensagem da nova campanha da marca sueca, a primeira com criatividade da JWT, que adquiriu a conta após consultar o que o mercado lhe tinha para oferecer.

Através de comunicado de imprensa, João Oliveira, diretor criativo da agência de publicidade, defende que “o coração tem sempre razão. É quando ouvimos o coração que temos a certeza que estamos no caminho certo. É por ele que tudo começa. E só é feliz quem o souber ouvir”. Assim, o coração foi o insight que esteve, e está, na base de toda a campanha. Por isso mesmo, neste novo anúncio, a IKEA que partilhar alguns conselhos, conselhos esses que melhoram a vida de quem os segue: agarrar, beijar, prometer, correr, organizar, recomeçar, rir, experimentar, brincar, improvisar, cantar, mudar e amar. Estes são alguns dos verbos que podemos ouvir na campanha de TV.

Segundo a JWT, esta nova campanha marca o início de uma nova linha e estratégia de comunicação. Primeiro fala-se da marca no geral, posteriormente apresenta-se o tema do ano – em 2016, serão as cozinhas – e, por fim, a apresentação do novo catálogo, que deverá chegar às caixas de correio a partir de 28 de agosto.

Por agora, e enquanto o catálogo não chega às caixas de correio (eu, me confesso, estou ansiosa!!!), vão conhecendo as novidades no local habitual e fazendo as vossas wishlists. Deixo-vos com a capa do catálogo de 2016!

ikea catalogo

~ deixem o amor entrar na vossas casas e sejam felizes ~

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Chá do Manifesto, Coisas de RP

A homossexualidade é trendy e vende!

Todas as décadas existem ícones, acontecimentos e assuntos polémicos para a Opinião Pública. São os tais tópicos que ou se ama ou se odeia.

Muitas vezes a irreverência e a rebeldia tornam as marcas “cool”, afinal a razão por escolhermos uma marca em vez da outra é pela identificação com a sua personalidade.

Neste sentido, as grandes marcas do mundo e as mais atrevidas sabem trabalhar estes temas e torna-nos numa máquina de venda.

Em 2015 temos a homossexualidade com tema quente e que passou de tabu a cool e irreverente. Numa altura em que já percebemos que todas as formas de amor são boas e devem ser vividas, as marcas aproveitam para sair do armário e mostrar a sua posição na defesa da igualdade no amor.

Assim sendo, inúmeras marcas procuram mostrar que esta opção sexual também se enquadra nos seus valores e que apoiam todas as formas de amar. O Boticário, o McDonald’s, a Motorola, Gap, Banana Republic, Cheerios, The Knot e a Coca-Cola, são algumas das marcas que têm apostado neste tema para sua comunicação.

No entanto, parece-me pertinente salientar uma marca que, apesar dos seus 178 anos de existência, mostra frescura e actualidade com um rebranding que assenta neste mesmo assunto. A Tifany & CO, prova que, os seus 178 anos de existência, apenas lhe deram experiência para abrir os seus horizontes e aceitar todos como eles são.

Esta marca elitista encontra, aqui, um mercado lucrativo e que ao mesmo tempo transmite uma imagem positiva e de juventude.

tiffany-will-youImagem da campanha “Will you?” da Tiffany & CO com dois homens que são um casal.

~ Se é amor, é bom ~

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Chá do Manifesto

Ainda há cartas de amor?

“Os apaixonados ainda escrevem cartas”. Li num pacote de açúcar num dos meus chás matinais. Fiquei estática a olhar para ele. Mexia comigo mais do que aqueles textos bonitos e recheados de melodias românticas que por aí andam a saltar de página em página. Colei o pacote na parede do quarto. Dia após dia olhava para ele e questionava:“será que ainda escrevem?”.

As novas tecnologias encurtam agora distâncias numa questão de segundos. Basta um simples “click” e ali estão os modernos apaixonados a trocar mensagens lamechas em plena rede social. Como se o amor fosse uma montra de moda, onde todos seguem a tendência, sem questionar. O amor virou aparência e a partir dele vieram os amantes modernos. Trocam mensagens de texto e tiram selfies para partilhar no Facebook ou Instagram. O amor já não é capaz de viver em casulos isolados. Ao contrário disso, passou  a ser partilhado e comentado por todos.

Estar apaixonado não é gostar tanto de alguém que o coração bate a mil à hora? Amor não é querer essa pessoa como o maior presente do mundo? Não é ir até ao fim do mundo para estar com ela? A verdade é que as tecnologias passaram a ser a solução mais fácil e cómoda.

Será que ainda sabemos escrever cartas para aquela pessoa que nos faz sentir borboletas na barriga? Seremos ainda capazes de expressar esse sentimento imenso com a nossa própria letra, de alma grande e partilhar apenas com quem nos invade o pensamento todos os dias? O que se verifica é uma panóplia de aparências que vão sair da moda, porque um dia perderão a piada.  Vivemos de amores enfeitados por aquilo que ainda ninguém conseguiu definir.

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O pacote de açúcar permanece na parede do meu quarto. E todos os dias me provoca. Os apaixonados ainda escrevem cartas, mas são cartas diferentes. Já não as podem guardar numa gaveta e mais tarde reencontrá-la com a cor da letra fugida pela passagem do tempo e dizerem num tom nostálgico: “esta pessoa faz parte da minha história”.

E se a carta já não for do nosso apaixonado, então surgirão recordações de uma doce paixão que apareceu e que se foi, mesmo que nos tenham partido o coração em mil pedaços.  E que importa? Temos ali a letra aos nossos olhos, as palavras fugidas e sinceras, porque não há nada mais bonito que escrever pelas nossas próprias mãos. Não há nada mais genuíno que a simplicidade da recordação.

O mundo rápido e louco transformou os sentimentos em passagens rápidas e robóticas. Amor agora é conforto e não luta. É egoísmo e não bondade. O amor passou a ser comparado a uma peça de roupa: depois de perder a graça é trocada por outra. E o amor que escreve cartas, poesia e canções vai-se embora do mundo que não consegue entrar. 

Na verdade, só os corajosos é que ainda escrevem cartas de amor. Só eles têm a coragem mágica de sair da zona de conforto e expressar tudo o que lhes vai na alma. Partilhar um sentimento tão intenso é tudo menos fácil. 

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Caros apaixonados, não tenham medo de ser corajosos e loucos. Escrevam cartas. Esqueçam a moda. Rasguem a ousadia e declarem-se numa simples folha de papel. Podem até perder uma hora na fila dos correios e a carta até poderá só chegar no dia seguinte, mas o vosso apaixonado vai tocar na folha que também tocaram e sentir a vossa letra no papel.

E haverá maior beleza do que essa? O esforço, o genuíno, o apaixonante. Não tenham dúvidas: as cartas vão ser guardadas para sempre, nos sítios mais escondidos para desesperadamente serem esquecidas e mais tarde recordadas. 

Os corajosos ainda escrevem cartas, porque acreditam que o amor sincero e altruísta ainda é possível. Que o amor difícil é o mais forte de todos. E porque isto de gostar de alguém causa vertigens. É difícil de controlar e expressar. Não é nada fácil. É uma tempestade sem fim. Mas é tão bonito quando vivido. Acreditem. O amor que escreve cartas é tão raro. Mas ainda existe. E posso garantir: é inesquecível.

«Quantas Sophies pensas que existem no mundo? Não esperes cinquenta anos para descobrir!»

In Letters to Juliet

~ Mil Cartas e Um Chá ~

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